Tudo aqui é poeira
o sonho, a melodia,
o amor, o trabalho
a dor...
A dor é poeira!
Benditas lágrimas
choradas sobre o pó
Ainda há esperança?
Esperança é o barro!
logo se molda, logo seca
e o tempo se encarrega de
transformá-lo, novamente, em pó.
Felicidade é ter poeira e lágrimas
em abundância,
matéria prima.
---
* Poema em retribuição ao presente que recebi de @Allanlpereira "Dust in the Wind" - Kansas
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Feliz Ano Novo com Moby
O mesmo Moby que ouço para descontração ou para a introspecção visto e entrevistado de maneira profunda e envolvente através desta entrevista maravilhosa realizada por Jorge Pontual e publicado no site da Globo News.
Compartilho aqui, esta entrevista e espero que se emocionem tanto quanto eu.
via @mileniognews
Compartilho aqui, esta entrevista e espero que se emocionem tanto quanto eu.
via @mileniognews
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
(Eu Danço a) Valsa Brasileira
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Revelação
Compensei a tua ausência, mais uma vez, com minha câmera fotográfica em punho. Desejava assistir ao "milagre das noites de Natal" enquadrando sorrisos, poses e a minha ignorância. Ah, como sinto tua falta!
Sou alguém que parece não fazer falta a ninguém, mas a minha câmera sim. Gostaria de dizer que consegui enxergar através da lente o quanto as personagens que compuseram aquele cenário possuem uma beleza incomum. Acho incrível como conseguimos retratar os anjos e os demônios que cada um trouxe consigo. Tão óbvio isto! E eu que pensava que seria a única capaz de revelá-los através do seu olhar. Ainda sou fraca e disforme. Torno-me ainda mais sensível com estes objetos por perto e o que faço é tentar traduzir o que sinto através das imagens... um desperdício, só enxergam as deformidades de seus próprios narizes.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Papai Noel sacana!
Há alguns anos recebi do bom velhinho uma pá de lixo, vassoura e esfregões. Confesso ter xingado demais aquele velho. Puta que pariu! Quem disse que utensílios de limpeza fazem parte da lista de desejos de qualquer ser humano? Não é possível que ele esteve ocupado tanto tempo atendendo aos demais pedidos e, justo na minha vez, teria feito aquela cagada de me empurrar objetos que não fizeram o menor sentido.
Passou-se mais um ano. Nem carta escrevi para o desgraçado, esperei a sorte. E a sorte não veio! Pior que isso, ao voltar para a casa de mãos vazias, percebi que todos os tapetes de minha casa haviam sido removidos. Imaginem um ambiente aparentemente em ordem que, misteriosamente, virou de ponta cabeça. Onde haviam tapetes, brotaram toda a sujeira que joguei alí durante anos consecutivos.
Minha reação não poderia menos revoltante que antes. Xingar o velho caduco parecia pouco. Por que comigo? Há tantos escondendo dinheiro em cuecas, desviando dinheiro de remédio para comprar carro importado, por que EU deveria mexer naquelas feridas expostas sem o apoio de ninguém?
Depois de tanto tropeçar nos objetos velhos, anotações antigas, poeira e foligem percebi a necessidade da vassoura, pá de lixo e o esfregão. Minhas mãos e joelhos agora estão esfolados, mas a casa está limpa! Confesso estar desconfiada ainda e decidi não escrever nenhuma carta para o velho metido a boa praça novamente.
De uma coisa eu sei: fui uma boa garota e fiz toda a lição de casa no último ano. Agora só depende dele.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Tua
Composição: Adriana Calcanhotto
Dentro da noite voraz
Detrás do avesso do véu
Atravessa este verso
A vontade nua
Detrás do avesso do véu
Atravessa este verso
A vontade nua
Tua, tua
Tua e só tua
Tua e só tua
Dentro da noite feroz
No breu das noites brancas de hotel
No clarão, no vasto, no vago
No vão, no não, na multidão
No breu das noites brancas de hotel
No clarão, no vasto, no vago
No vão, no não, na multidão
Tua, tua
Tua e só tua
Tua e só tua
Dentro da noite fulgás
Estrelas a se consumir
Arde o gás que faz esta canção
Será que você vai me ouvir?
Estrelas a se consumir
Arde o gás que faz esta canção
Será que você vai me ouvir?
Tua, tua
Tua e só tua
Tua e só tua
Na areia, na neve marinha
No dentro do dia, tua
Na areia, na neve marinha
No motor do dia, tua
No dentro do dia, tua
Na areia, na neve marinha
No motor do dia, tua
Tua, tua
Tua e só tua
Tua e só tua
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Espinha ridícula
O que tenho a dizer aqui é ridículo, tão ridículo que não mereceria ser exposto. Contudo, tão ridículo é que, dentro de mim também não deve permanecer. Deve sair.
Se você já passou pela puberdade, se já teve aquela espinha enorme e asqueirosa em seu rosto deve saber o tamanho do incômodo que persiste roubar minhas poucas horas criativas. Posso beirar os trinta, mas há sentimentos aqui mais intensos do que os de uma debutante.
Às vezes penso que há algo de muito errado comigo: a esta altura da vida, nenhum sentimento devia ter tanto peso como para quem os vive pela primeira vez. Estes pontos inflamados em minha face não deveriam mais existir; não deveria existir também o sorriso amarelo, a face ruborizada diante de um elogio ou os punhos cerrados no conflito.
Substituí o refrigerante pela cerveja, não cultivo mais as longas madeixas onduladas, ninguém mais determina o horário em que devo retornar para casa ou dormir, nem preciso esconder as bitucas de cigarro, mas as espinhas ainda mancham minha pele.
Continuo sendo estampada, por causas ainda não identificadas, pela ineficácia da suposta maturidade.
Se você já passou pela puberdade, se já teve aquela espinha enorme e asqueirosa em seu rosto deve saber o tamanho do incômodo que persiste roubar minhas poucas horas criativas. Posso beirar os trinta, mas há sentimentos aqui mais intensos do que os de uma debutante.
Às vezes penso que há algo de muito errado comigo: a esta altura da vida, nenhum sentimento devia ter tanto peso como para quem os vive pela primeira vez. Estes pontos inflamados em minha face não deveriam mais existir; não deveria existir também o sorriso amarelo, a face ruborizada diante de um elogio ou os punhos cerrados no conflito.
Substituí o refrigerante pela cerveja, não cultivo mais as longas madeixas onduladas, ninguém mais determina o horário em que devo retornar para casa ou dormir, nem preciso esconder as bitucas de cigarro, mas as espinhas ainda mancham minha pele.
Continuo sendo estampada, por causas ainda não identificadas, pela ineficácia da suposta maturidade.
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Mídias
Já é tarde.
Sinto falta dos tempos em que o relógio
era mais poderoso que eu.
Agora já não sei o que me controla
Muito menos quem controla meu tempo.
Exposta a diversos estímulos midiáticos
cada janela aberta, uma face de mim.
Youtube: uma cena dos anos 40
ao som do jazz.
Twitter com frases desconexas
nunca fizeram tanto sentido.
Messenger salpicando com "olás!"
e raramente alguma conversa flui.
Facebook é a avenida carnavalesca
surpresas e curtições pra todo lado.
Blog sofre com meus pesares
e com a falta de visitas - parece até a minha casa
Sobrou a TV:
Zapeando os canais até que encontre algo
... o sono.
Sinto falta dos tempos em que o relógio
era mais poderoso que eu.
Agora já não sei o que me controla
Muito menos quem controla meu tempo.
Exposta a diversos estímulos midiáticos
cada janela aberta, uma face de mim.
Youtube: uma cena dos anos 40
ao som do jazz.
Twitter com frases desconexas
nunca fizeram tanto sentido.
Messenger salpicando com "olás!"
e raramente alguma conversa flui.
Facebook é a avenida carnavalesca
surpresas e curtições pra todo lado.
Blog sofre com meus pesares
e com a falta de visitas - parece até a minha casa
Sobrou a TV:
Zapeando os canais até que encontre algo
... o sono.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Pequenas doses de Canela
Em uma frase o desejo de escrever se esgota. Para não "gastar" um post no blog à toa, reuni alguns twitt's meus no http://twitter.com/_Canela_
1) "É tanto veneno que prefiro acreditar que o mal que enxergam nos outros, muitas vezes, não passa de uma projeção de suas deficiências." - 13/09/10
2) "Prefiro que o rancor escorra por estes meus olhos por alguns minutos a ter que guardar o que não me pertence por toda a vida." - 19/11/2010
3) "Não me ofereça seu cálice de pessimismo. Hoje quero me embriagar com a felicidade!" - 05/12/10
4) "Gosto muito da sensação da paixão branda. Aquela que um dia já ardeu, magoou, distorceu, sobreviveu e acalmou. Agora é só sentir sem dor." - 06/12/10
5) "A mágica: morrer e nascer todos os dias. O desafio: decidir o que morrerá e o que nascerá em mim todos os dias." - 06/12/2010
6) "Considero muito tênue a linha que separa o linguajar poético da breguice explícita." - 09/12/10
7) "As vezes a saudade deturpa os sentidos. Em vez refazer a alegria de ter vivido algo, nos faz melancólicos." - 12/12/10
8) "Enquanto alguns tomam banho de mar para fechar o corpo, eu abro a minha mente." - 08/10/10
9) "Vou fazer uma 'CPI do Cupido' para investigar sua licitação de trabalho. Esse anjo dá mais bola fora que a construção do Metrô em SP!" - 13/12/10
10) "Desejo férias coletivas para mim e todos os meus eus." - 13/12/10
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Maçã ou beijo?
Desejo entender se, por acaso, estive dormindo nos últimos três anos ou, com um milagroso beijo de realidade, estive acordada. Assim como toda criança, cresci rodeada pelos contos de fadas. Talvez este seria um caso a ser estudado pelo viés da Cinderela, sei lá!Adormeci ou despertei? Ainda não sei se mordi uma maçã envenenada ou recebi um beijo. Mas sei quando tudo isso começou: foi na vigésima quinta volta do planeta Terra em torno do Sol após o dia em que o ar entrou em meus pulmões pela primeira vez.
Ufa! Seria mais fácil dizer que foi na comemoração dos meus vinte e cinco anos, não? Não!
Considero muito tênue a linha que separa o linguajar poético da breguice explícita. E se pretende continuar lendo isto, fique sabendo: sou brega assumida! Tão brega que assumi um ritmo afro-caribenho, para ser o meu suporte, minha (quase) religião nos dias que se seguiram após o meu aniversário. Isso foi muito claro para mim, o problema foi entender que não poderia ser facilmente aceito entre os que me rodeavam.
Não me atrevo a compreender muitas coisas ou pessoas, mas as poucas que me provocam, são viscerais! Quase morri quando perdi duas delas ao mesmo tempo. O que me manteve viva foi o sabor de um ritmo e a possibilidade de enxergar meu mundo de outra forma.
Só não sei se permaneço acordada ou dormindo.
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Pintando lesmas
É como uma lesma passeando sem direção. Deixa aquele rastro gosmento e me causa náuseas! A vontade é de caminhar livremente, observar e também causar algum tipo de admiração por onde passar. Assim como fazem as borboletas. Quem dera!
Quem dera ter a certeza de que ao me refugiar em casulo, houvesse a certeza de que criarei asas. De que poderei transitar, impactar e reproduzir este milagre. Sepultar o rastro.
Muito estranho este fenômeno. Enquanto me adaptava à nova condição - a de lagarta saciada e pendurada de cabeça para baixo - pintei um quadro: cada pincelada tomou forma com estas mãos. Era um rastro colorido cheirando a tinta fresca. Causava-me orgulho. Criei algo que pudesse me dar conforto nos dias de reclusão, um mapa que me desse direção.
Eis que o casulo se rompeu. Em vez de borboleta, virei lesma. E a minha tela um borrão asqueiroso.
Quem dera ter a certeza de que ao me refugiar em casulo, houvesse a certeza de que criarei asas. De que poderei transitar, impactar e reproduzir este milagre. Sepultar o rastro.
Muito estranho este fenômeno. Enquanto me adaptava à nova condição - a de lagarta saciada e pendurada de cabeça para baixo - pintei um quadro: cada pincelada tomou forma com estas mãos. Era um rastro colorido cheirando a tinta fresca. Causava-me orgulho. Criei algo que pudesse me dar conforto nos dias de reclusão, um mapa que me desse direção.
Eis que o casulo se rompeu. Em vez de borboleta, virei lesma. E a minha tela um borrão asqueiroso.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Octoalegoria
Soprou teu convite oito vezes e eu só aceitei o último. Estava em luto nas outras sete tentativas: estava surda! O oitavo foi diferente. Ao acordar de um sono profundo, no dia 8 de março, um lembrete: "Seque os olhos!". E assim o fiz, paulatinamente. Desde então, o exercício diário era o de regar pensamentos que floresciam, dar cor aos desejos - antes vestidos de negro - e movimento a um borboleteio que jamais ousara dançar.
Dar-me por satisfeita com o convite não era o bastante. Havia a necessidade de me aproximar e entender as razões daquele anfitrião insistente - por vezes arrogante -, mas caminhava na Praça da Sé. Entre solfejos, juntei todos os trapos de coragem, costurei-os com fios de esperança e fui para a sua festa vestida de colcha de retalhos, nada mais. A mistura de sons e sotaques fazia daquela festa atemporânea!
Enfeitada de mim
e sem ilusão para desfigurar,
brinquei de roda fingindo
Sendo esta mais uma alegoria da vida, ela não deve ser perfeita: havia um pingo sem i. A alegria vivida naquele ambiente era ameaçada pelo embargo dos surdos, quase vi a morte das noites de loa ao luar. Assisti ao olhar cinza do dono da festa. Logo agora que passei a acreditar que amor não deveria dormir!
Por sorte, aquele anfitrião adora uma farra e só precisava se recolher brevemente. A festa não acabou e não acabará enquanto ele deixar fluir novas cores de seu bandolim. Se hoje estou aqui contando tudo isso é porque eu cri, por ele crer.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
A cena
É a cena mais patética de todas. Coisa mais ridícula de se fazer e pior, assumir publicamente que a fez. Algum analista poderia chutar, imediatamente, algum transtorno de alguma coisa ou o distúrbio de não sei o quê. Sua mãe já mandou aquela velha benzedeira - a mesma que lhe causava náuseas ao esfregar aqueles galhos de arruda e manjericão na sua testa quando era criança - ver se, por acaso, a coitada sofre de algum mal-agouro, quebrante, macumba ou encosto. Nada feito! Confessar teus pecados regados de luxúria e ambição à um padre não lhe renderiam lugar algum no Paraíso. Não há arrependimento. A cena, é de uma melancolia tão viciante que nem em sonho atreve-se a invertê-la. A cena é patética, porém, foi desta forma que guardou o que é mais precioso em seu coração.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Prateleira
O que realmente incomoda
é ser mais uma embalagem na prateleira
Instantaneidade, praticidade...
descartabilidade
Na onda da sustentabilidade
as relações que se mantenham fora desta discussão!
Uso e descarte
E o futuro da credibilidade?
Mantidas apenas na embalagem:
A falta de adaptação ao mercado conduzirá,
fatalmente, ao produto fora de linha.
Sou desalinhada!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
(Educação - Cultura)² + Bairrismo = Xenofobia
É sempre muito gratificante quando encontro referências de autores dos quais estudei durante a graduação sendo revisitados sob outras óticas. O caso do cientista político Francisco Weffort é um grande exemplo. Enquanto estudante, lutava para conseguir um horário para ler suas publicações e garantir (claro!) a minha nota nas aulas de História Econômica e Social do Brasil.
Questões de conflito regional alimentadas sob ótica ignorante não surgirão apenas em anos de eleição presidencial. O preconceito se mistura ao sarcasmo nosso de cada dia, age de forma silenciosa e só é colocado no banco dos réus se acaso houver uma grande comoção popular.
Em uma entrevista concedida ao site Produção Cultural no Brasil, o ex-ministro da Cultura do governo FHC fala mais do que sua experiência enquanto acadêmico e gestor cultural, ele aponta algumas respostas para uma uma das feridas das quais o nosso povo mais padece e espero que não seja discutida somente enquanto estiver na moda ou nos TT's: a ignorância!
Mais uma vez, meus caros, só teremos um Brasil "avançado", quando a educação e a cultura forem realmente levadas a sério e suas políticas públicas estiverem baseadas na continuidade e não em ciclos de 4 anos.
Marcadores:
Cultura,
Educação,
Política,
Vídeo que virou post
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Apócrifos silenciosos no e-mail, vuvuzelas autorais no Twitter
Durante os meses que antecederam as eleições o volume de emails apócrifos repassados pelas pessoas que possuem o meu contato em seu mailling aumentou vertiginosamente. Em alguns casos, cheguei a responder com "cópia para todos". Expus, com seriedade, a minha posição contrária a este tipo de comportamento e procurei, muitas vezes, usar do bom humor e muita paciência para questionar o conteúdo destas mensagens.
O resultado disso não foi muito favorável, claro! Espero que muitos tenham excluído meu contato de suas listas, pois já não há como tolerar argumentações elitistas, xenófobas e sem fundamento histórico algum.
Bastaram os resultados das urnas serem confirmados neste último domingo para que uma avalanche de comentários preconceituosos viessem a tona... mais uma vez!
Com o Twitter, a coisa finalmente tomou proporções que muitos não teriam imaginado. Uma vuvuzela autoral! Boa parte do que recebia no email, não tinha dono. Era de alguém que outro alguém achou "engraçado" e repassou. Já o Twitter...
Como me considero uma otimista de carteirinha, vejo tudo isso não só como um exercício de avaliação da exposição de suas opiniões entre os usuários das redes sociais, como também a possibilidade de nos questionarmos e, finalmente, rompermos essa corrente de preconceitos (silenciosos) que grande parte da população recebe, acha graça e repassa para seus contatos.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Uma cor entre o vermelho e o verde
Iniciei a escrita deste post em meados de agosto. Naquela ocasião, senti algo que ainda não sabia definir, algo que havia guardado na gaveta de frustrações há muito tempo: esperança!
Em agosto já tinha bem claro quais seriam os principais candidatos dos quais receberiam minha parcela de poder; e confesso, não foi uma tarefa tão simples quanto nas outras duas últimas eleições das quais minha idade permitiu participar diretamente.
Filha de um metalúrgico e uma empregada doméstica, cresci embalada pelas críticas e brutais chacotas que faziam ao meu pai por defender, publicamente, seu voto. Minha mãe preferia sempre o silêncio e, para não se sentir agredida indiretamente, fazia de tudo para colocar "panos quentes" sobre o assunto. Doía-me não ser "grande" o suficiente para entrar na conversa dos adultos e defender também aquilo que eu já achava certo.
A primeira eleição presidenciável da qual pude participar foi em 2002 (olha só como eu sou jovem, minha gente!), aos 20 anos e prestes a encerrar do curso de História. Assisti de perto muitas discussões, dentro e fora da universidade, onde todos os motivos pelos quais um certo "da Silva" deveria assumir o bastão e coordenar o país.
Convicta de que aquele seria o momento de fazer virar o jogo, minha postura como educadora e "formadora de opinião" passou a tomar forma, ainda que timidamente. Saía nas ruas vestida de vermelho; como não tinha carro, a solução foi colar adesivos nas pastas onde guardava as anotações e livros da faculdade: meus maiores bens! Ao retornar para casa, discutia abertamente sobre o assunto entre estudantes de cursos diferentes do meu. Deixava-os defenderem seu posicionamento antes de contra-argumentar; esta sempre foi uma boa estratégia, pois era a partir dos argumentos que eu tinha entendia - mais ou menos - o quanto a política era relevante para a vida daquela pessoa. Entretanto, o amargo sempre me vinha à boca: as chacotas contra os metalúrgicos, nordestinos e analfabetos...
Não sei descrever o quanto isso tira o apetite e faz acordar um sentimento que me desafia toda vez que ele se mistura ao sangue. As memórias da infância paralizavam meus sentidos e sabe-se lá Deus, o esforço que fazia para não piorar o suposto "diálogo" proferindo xingamentos. Política não era para ser discutida dessa forma, eu sabia disso. Para não cerrar os punhos, preferia sentar-me sobre as mãos... uma influência clara da mistura de temperamento dos meus pais.
No Reveillon de 2002 para 2003, vesti-me de vermelho. Além dos desejos que esta cor reserva para si, lá estava eu, diante da TV, assistindo ao lado de toda a família um dos momentos mais importantes para a história do Brasil e, especialmente, à familia "da Silva". O que pudemos vivenciar nos 4 anos seguintes foram previstos até que surgiram denúncias fétidas.
Em 2006, afastada plenamente das discussões que envolviam política, reelegi meu presidente com o único desejo de que nos próximos 4 anos não tivesse encarar um tucano em seu lugar. Desejava uma terceira via, um conjunto de atitudes que pudessem modelar um discurso do qual eu pudesse me encaixar. Onde o resultado do sangue inquieto de meu pai e a prudência de minha mãe pudessem se traduzir. Contudo, esse desejo só se materializou em 2010, com Marina Silva - mais uma Silva!
O partido do qual ela se aliou nunca me convenceu com seu "ecodiscurso". A grosso modo, vejo muitos tucanos-camaleões-verdes. Até posso estar enganada... contudo, o tempo fez mostrar algumas penas azuis e amarelas saírem do armário.
Precisei contar tudo isso (dois meses depois de iniciar a escrita deste post) para explicar porque a esperança voltou a fazer latejar este sangue que andava um tanto aguado: pela primeira vez, desde 2002, assisti um discurso emocionado de Lula em Osasco durante um comício. Ao lado dele, um personagem vestido de palhaço, cuja voz conhecia muito bem, pois eram nas noites mais sombrias - nas quais nem meus pais ousavam compreender o abismo onde havia enterrado meus sonhos -, que aquele palhaço cantava versos de ninar à uma recém adulta que achou que poderia mudar algo sozinha.
Entre 2006 e 2009 vi tudo o que construí como profissional da educação pública esvair-se. Não havia saída. Somente um grupo de palhaços que davam suas faces para o beijo e para o tapa poderiam ter, quem sabe, uma ideia do que é ser professor neste país. Eles são também formadores de opinião: são artistas!
As manifestações de alegria nas redes sociais desta trupe, logo após o comício, foram ressuscitando aquele meu pulsar acelerado da infância até 2002. Ao contrário do que muitos fazem, eles não se abateram com as críticas vindas de seu público e persistiram manifestando, abertamente, suas opiniões.
Percebi, através desse gesto, que grandes mudanças não ocorrem rapidamente e que nossos ideais podem ser potencializados se forem somados à outras esferas de nossa sociedade: educação e cultura devem caminhar juntas!
E por não concordar plenamente com o conjunto de ideias de um partido e tentar, mais uma vez, desencaixotar a esperança que havia se desgastado (assumidamente entre o verde e o vermelho), me permiti acompanhar, registrar e comemorar a vitória de Dilma Roussef ao lado de Gustavo Anitelli, Fernando Anitelli e Galldino de Santana. Três grandes homens pintados de sonhos e ousadia que, através da arte, fizeram acordar uma mulher orgulhosa de seus tropeços, paciente para tomar novas decisões e não desanimar perante seus ideais, pois eles não dependem necessariamente de uma cor para vestir.
Em agosto já tinha bem claro quais seriam os principais candidatos dos quais receberiam minha parcela de poder; e confesso, não foi uma tarefa tão simples quanto nas outras duas últimas eleições das quais minha idade permitiu participar diretamente.
Filha de um metalúrgico e uma empregada doméstica, cresci embalada pelas críticas e brutais chacotas que faziam ao meu pai por defender, publicamente, seu voto. Minha mãe preferia sempre o silêncio e, para não se sentir agredida indiretamente, fazia de tudo para colocar "panos quentes" sobre o assunto. Doía-me não ser "grande" o suficiente para entrar na conversa dos adultos e defender também aquilo que eu já achava certo.A primeira eleição presidenciável da qual pude participar foi em 2002 (olha só como eu sou jovem, minha gente!), aos 20 anos e prestes a encerrar do curso de História. Assisti de perto muitas discussões, dentro e fora da universidade, onde todos os motivos pelos quais um certo "da Silva" deveria assumir o bastão e coordenar o país.
Convicta de que aquele seria o momento de fazer virar o jogo, minha postura como educadora e "formadora de opinião" passou a tomar forma, ainda que timidamente. Saía nas ruas vestida de vermelho; como não tinha carro, a solução foi colar adesivos nas pastas onde guardava as anotações e livros da faculdade: meus maiores bens! Ao retornar para casa, discutia abertamente sobre o assunto entre estudantes de cursos diferentes do meu. Deixava-os defenderem seu posicionamento antes de contra-argumentar; esta sempre foi uma boa estratégia, pois era a partir dos argumentos que eu tinha entendia - mais ou menos - o quanto a política era relevante para a vida daquela pessoa. Entretanto, o amargo sempre me vinha à boca: as chacotas contra os metalúrgicos, nordestinos e analfabetos...
Não sei descrever o quanto isso tira o apetite e faz acordar um sentimento que me desafia toda vez que ele se mistura ao sangue. As memórias da infância paralizavam meus sentidos e sabe-se lá Deus, o esforço que fazia para não piorar o suposto "diálogo" proferindo xingamentos. Política não era para ser discutida dessa forma, eu sabia disso. Para não cerrar os punhos, preferia sentar-me sobre as mãos... uma influência clara da mistura de temperamento dos meus pais.
No Reveillon de 2002 para 2003, vesti-me de vermelho. Além dos desejos que esta cor reserva para si, lá estava eu, diante da TV, assistindo ao lado de toda a família um dos momentos mais importantes para a história do Brasil e, especialmente, à familia "da Silva". O que pudemos vivenciar nos 4 anos seguintes foram previstos até que surgiram denúncias fétidas.Em 2006, afastada plenamente das discussões que envolviam política, reelegi meu presidente com o único desejo de que nos próximos 4 anos não tivesse encarar um tucano em seu lugar. Desejava uma terceira via, um conjunto de atitudes que pudessem modelar um discurso do qual eu pudesse me encaixar. Onde o resultado do sangue inquieto de meu pai e a prudência de minha mãe pudessem se traduzir. Contudo, esse desejo só se materializou em 2010, com Marina Silva - mais uma Silva!
O partido do qual ela se aliou nunca me convenceu com seu "ecodiscurso". A grosso modo, vejo muitos tucanos-camaleões-verdes. Até posso estar enganada... contudo, o tempo fez mostrar algumas penas azuis e amarelas saírem do armário.
Precisei contar tudo isso (dois meses depois de iniciar a escrita deste post) para explicar porque a esperança voltou a fazer latejar este sangue que andava um tanto aguado: pela primeira vez, desde 2002, assisti um discurso emocionado de Lula em Osasco durante um comício. Ao lado dele, um personagem vestido de palhaço, cuja voz conhecia muito bem, pois eram nas noites mais sombrias - nas quais nem meus pais ousavam compreender o abismo onde havia enterrado meus sonhos -, que aquele palhaço cantava versos de ninar à uma recém adulta que achou que poderia mudar algo sozinha.As manifestações de alegria nas redes sociais desta trupe, logo após o comício, foram ressuscitando aquele meu pulsar acelerado da infância até 2002. Ao contrário do que muitos fazem, eles não se abateram com as críticas vindas de seu público e persistiram manifestando, abertamente, suas opiniões.
Percebi, através desse gesto, que grandes mudanças não ocorrem rapidamente e que nossos ideais podem ser potencializados se forem somados à outras esferas de nossa sociedade: educação e cultura devem caminhar juntas!
E por não concordar plenamente com o conjunto de ideias de um partido e tentar, mais uma vez, desencaixotar a esperança que havia se desgastado (assumidamente entre o verde e o vermelho), me permiti acompanhar, registrar e comemorar a vitória de Dilma Roussef ao lado de Gustavo Anitelli, Fernando Anitelli e Galldino de Santana. Três grandes homens pintados de sonhos e ousadia que, através da arte, fizeram acordar uma mulher orgulhosa de seus tropeços, paciente para tomar novas decisões e não desanimar perante seus ideais, pois eles não dependem necessariamente de uma cor para vestir.
domingo, 31 de outubro de 2010
Ciência da Caverna
Os gritos dentro de um espaço sem ar
não circulam e não reverberam.
Física pura!
Se ao menos tivesse coragem para abrir uma dessas janelas.
Se a covardia não impedisse de gritar o que está ausente.
Quem dirá a ponta dos dedos macios que acariciam o vácuo?
Projetam-se sombras, mas as palavras não.
Dissolução.
Deste contorno de face,
destas rugas aparentes e olhar cintilante...
sombra alguma fará diferença.
Permanece em clausura por conta própria.
Dieta composta de memória e sal: sorriso e lágrima.
Química pura!
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Pena (paródia d'O Teatro Mágico)
Quando assisti Fernando Anitelli explicando o porquê da letra "Pena", senti-me uma palhaça também. Todo professor, assim como um bom artista, tem de passar por muitas pelejas e perrengues para mostrar o seu valor!
Aqui vai a minha versão da Educação Pública Estadual de SP. Gostaria que o resultado fosse um pouco mais otimista, mas o que sinto agora é exatamente o contrário:
O professor pena quando cai a nota
E a nota cai
sala de aula é retrocesso
Assunto batido, eu confesso
SARESP traduzido em cédula
E a cédula, gente, não dá nem pra feira!
O coordenador pena quando cai a nota
E a nota cai
Se está na profissão certa? É tarde pra ter opção?
A prova impressa cobra mais que a fala
Só enxergam o "X" no lugar do cidadão
E quando ele se formar
Deixa se virar a sós
A escola só enfeita
A urna aceita
Voto de quem não sabe se informar
E o meu diploma acho que vou rasgar!!! (4x)
O diretor pena quando cai a nota
E a nota cai
O tráfico e o sexo
Entre a matrícula e a expulsão
Acolhimento é melhor que cela
Melhor na escola do que virar ladrão
O supervisor pena quando cai a nota
E a nota cai
Planilhas de notas. Notas? E a reflexão?
Visitas, relatos, obras
A estatística no lugar do cidadão
E quando ele se formar
Aqui vai a minha versão da Educação Pública Estadual de SP. Gostaria que o resultado fosse um pouco mais otimista, mas o que sinto agora é exatamente o contrário:
O professor pena quando cai a nota
E a nota cai
sala de aula é retrocesso
Assunto batido, eu confesso
SARESP traduzido em cédula
E a cédula, gente, não dá nem pra feira!
O coordenador pena quando cai a nota
E a nota cai
Se está na profissão certa? É tarde pra ter opção?
A prova impressa cobra mais que a fala
Só enxergam o "X" no lugar do cidadão
E quando ele se formar
Deixa se virar a sós
A escola só enfeita
A urna aceita
Voto de quem não sabe se informar
E o meu diploma acho que vou rasgar!!! (4x)
O diretor pena quando cai a nota
E a nota cai
O tráfico e o sexo
Entre a matrícula e a expulsão
Acolhimento é melhor que cela
Melhor na escola do que virar ladrão
O supervisor pena quando cai a nota
E a nota cai
Planilhas de notas. Notas? E a reflexão?
Visitas, relatos, obras
A estatística no lugar do cidadão
E quando ele se formar
Deixa se virar a sós
A escola só enfeita
A urna aceita
Voto de quem não sabe se informar
E o meu diploma acho que vou rasgar!!! (4x)
domingo, 10 de outubro de 2010
Aconteça!
Distância é algo que não se escolhe
- "Acontece"
A vida que guardava naquele ventre também escolheu:
- "Não quero acontecer!"
Próximo aos holofotes,
Quem sobrevive aqui são os fortes
(ou os que sabem fingir)
Guardou as lágrimas, mas não sabe fingir:
- Acontece!
O sabor de pedra daqueles lábios
é de despedida de quem não sabe partir
A agressividade que emana dos olhos
é convite:
- Aconteça!
- "Acontece"
A vida que guardava naquele ventre também escolheu:
- "Não quero acontecer!"
Próximo aos holofotes,
Quem sobrevive aqui são os fortes
(ou os que sabem fingir)
Guardou as lágrimas, mas não sabe fingir:
- Acontece!
O sabor de pedra daqueles lábios
é de despedida de quem não sabe partir
A agressividade que emana dos olhos
é convite:
- Aconteça!
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Adeus, Ogum.
Chegou vestido de psicodelia autodefensiva
Era dono de olhar pontiagudo
Sorriso sarcástico
Parceiro para conversas sem nexo
fez-se entender rapidamente: "Estou de passagem!"
Desejei (confesso) fazê-lo mudar de ideia...
Ele partiu.
o diálogo obtuso,
o palavrão sussurrado,
o espelho quebrado,
o manequim despido...
Aqui permanecem
as flores
as dores
as memórias
as fotografias
Missão cumprida, cavalheiro!
A beleza emoldurada através de teus olhos
Finalmente é revelada por tua lâmina.
Para ouvir: São Jorge de Kiko Dinucci & Juçara Marçal
Era dono de olhar pontiagudo
Sorriso sarcástico
Parceiro para conversas sem nexo
fez-se entender rapidamente: "Estou de passagem!"
Desejei (confesso) fazê-lo mudar de ideia...
Ele partiu.
o diálogo obtuso,
o palavrão sussurrado,
o espelho quebrado,
o manequim despido...
Aqui permanecem
as flores
as dores
as memórias
as fotografias
Missão cumprida, cavalheiro!
A beleza emoldurada através de teus olhos
Finalmente é revelada por tua lâmina.
Para ouvir: São Jorge de Kiko Dinucci & Juçara Marçal
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Sagrado desgraçado
O que é sagrado, por vezes, se torna desgraçado.
Abençoado o dia em que bati em sua porta.
Desgraçado o momento em que a trancou para quem quer que fosse.
Abençoado seja o momento do sim.
Desgraçado seja o vento que me roubou o não.
Abençoada seja a fé que deposito nas pessoas que crio
Desgraçada seja a descrença e a petulância de quem se diz real.
A quem chega e se vê 'iluminado'
Nada mais é do que a luz que nego em mim projetada.
Não se trata de egocentrismo
É só o meu sagrado tomando forma.
Abençoado o dia em que bati em sua porta.
Desgraçado o momento em que a trancou para quem quer que fosse.
Abençoado seja o momento do sim.
Desgraçado seja o vento que me roubou o não.
Abençoada seja a fé que deposito nas pessoas que crio
Desgraçada seja a descrença e a petulância de quem se diz real.
A quem chega e se vê 'iluminado'
Nada mais é do que a luz que nego em mim projetada.
Não se trata de egocentrismo
É só o meu sagrado tomando forma.
sábado, 18 de setembro de 2010
Flores Mortas
Semeei, aguei e colhi no jardim da vida
Muitos sonhos e amores
Em um vaso bem escolhido
Pude enfeitar minha morada
As vizinhas não entendiam
Como podia um solitário
abrigar, concomitantemente, tantas flores
E eu não entendo
como podem minhas flores
Ocuparem tanto espaço
Numa casa tão vazia
Casa vazia
Solitário cheio
cheio de flores mortas.
Decidiram elas
(todas contra a minha vontade)
Amarelar e definhar ao mesmo tempo.
Além da casa,
o solitário já não é mais abrigo,
vazio também está.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
3 em 1
Insone
Os pensamentos calados a razão
[das noites insones
Os olhares enviesados motivo para a fantasia
Os afagos únicos não alimentam mais o vício
Os abraços ternos razão da volátil alegria
Vício
Lamentar a dor da ausência é o maior vício
A ausência é a presença
Memória farta é
Realidade e fantasia dançam no mesmo compasso
Visão
Mãos e tato
Lábios e sorriso infantil
Cabelos curtos...
Esconderijo de pensamentos rebeldes
Os pensamentos calados a razão
[das noites insones
Os olhares enviesados motivo para a fantasia
Os afagos únicos não alimentam mais o vício
Os abraços ternos razão da volátil alegria
Vício
Lamentar a dor da ausência é o maior vício
A ausência é a presença
Memória farta é
Realidade e fantasia dançam no mesmo compasso
Visão
Mãos e tato
Lábios e sorriso infantil
Cabelos curtos...
Esconderijo de pensamentos rebeldes
Marcadores:
Agressividade de Bolso,
desabafo,
Poesia,
Saudade
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Encerrando o ciclo
Encerra-se o ciclo. Meus reversos ainda reverberam e as "cartas que escrevo para quem não vai ler" ainda latejam. Já não é mais um latejar de dor, é um latejar breve, íntimo e pacificador:
" É impossível agir com racionalidade quando o medo do desconhecido impera. Mais impossível ainda é agir com lógica dentro de um universo que nunca se ousou pisar; comecemos pelos universos que não se revelam num olhar, no reflexo do espelho.
Reclusão, interação, dor, incompreensão... Não há como materializar os sonhos quando nem os pés estão em terra firme.
Parece-me que implorar a paciência e a compreensão alheias são o mesmo que despedir-se de alguém muito querido. Os alheios vão!"
Ficar, esbravejar, chorar... culpar.
O sol se põe.
A noite é traiçoeira e, por vezes, boa conselheira:
'Seque tuas lágrimas, não lamente, descanse
Não peça paciência à outrem.
Você a tem consigo?'
O Sol retorna no horizonte
Siga as pegadas breves
Daquele que partiu
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Já cheguei no 69 e nem senti!
Constatei agora que, até o post anterior, havia escrito 69 textos durante o ano de 2010. A maior parte dos posts falam sobre minhas galhofas sentimentalistas que, talvez, tenha preocupado alguns leitores próximos (leia-se os amigos que insisto em mandar os links via email ou demais redes sociais).
É, eu sei disso! Gosto de ser lida, sim. Gosto de comentário sim e não vejo outra finalidade para um BLOG se não é o fato de poder compartilhar o que se pensa e sente. Nada melhor do que ser visto e sentido entre os próximos - e se tiver um distante aí, manifeste-se. Quero conhecê-lo também!
A "suposta preocupação" vem do fato de recorrer ao uso do Canela no Ar como forma de expulsar feridas que não deveriam doer mais, invenções - ou seriam intervenções? - para confissões de amigas(os) e suas experiências, pensamentos tolos (ou não?) sobre algumas mudanças em meu cotidiano e, principalmente a forma como observo o ir e vir das pessoas que deixei participarem da minha vida. Se ocorreu o oposto, só elas deverão responder isto, não é mesmo?
Sinceramente? Adoraria comemorar o post "69" no melhor estilo, mas já que me dei conta disso só no 70° post vou prestar mais atenção nisso no próximo ano, ok?
***
Iniciei o feriado prolongado no ápice do #badfellings. Todas as cobranças externas e internas resolveram passar sobre meu corpinho canelístico sem o menor pudor. Assumo: doeu pra car...o! E você amigo, que gosta de acrescentar canela às suas receitas, evite quebrar a dita cuja em pedaços. Opte pelas embalagens com pedaços menores ou pela canela em pó mesmo, caso contrário, terá muito trabalho!
Fiz isso durante algum tempo: quebrei-me inteira!Cozinhei-me em lágrimas até que levantasse fervura e derramasse pelo fogão. Não tinha como empurrar a sujeira para outro e comemorei o feriadão de Independência limpando toda a sujeira que um ser (supostamente) independente deve produzir.
Antes que o final de semana terminasse, tive alguns insights. Meus projetos profissionais estão tomando forma - FINALMENTE! Já os afetivos...
***
Voltando ao 69: Segunda foi dia do Sexo, né? =P
É, eu sei disso! Gosto de ser lida, sim. Gosto de comentário sim e não vejo outra finalidade para um BLOG se não é o fato de poder compartilhar o que se pensa e sente. Nada melhor do que ser visto e sentido entre os próximos - e se tiver um distante aí, manifeste-se. Quero conhecê-lo também!
A "suposta preocupação" vem do fato de recorrer ao uso do Canela no Ar como forma de expulsar feridas que não deveriam doer mais, invenções - ou seriam intervenções? - para confissões de amigas(os) e suas experiências, pensamentos tolos (ou não?) sobre algumas mudanças em meu cotidiano e, principalmente a forma como observo o ir e vir das pessoas que deixei participarem da minha vida. Se ocorreu o oposto, só elas deverão responder isto, não é mesmo?
Sinceramente? Adoraria comemorar o post "69" no melhor estilo, mas já que me dei conta disso só no 70° post vou prestar mais atenção nisso no próximo ano, ok?
***
Iniciei o feriado prolongado no ápice do #badfellings. Todas as cobranças externas e internas resolveram passar sobre meu corpinho canelístico sem o menor pudor. Assumo: doeu pra car...o! E você amigo, que gosta de acrescentar canela às suas receitas, evite quebrar a dita cuja em pedaços. Opte pelas embalagens com pedaços menores ou pela canela em pó mesmo, caso contrário, terá muito trabalho!
Fiz isso durante algum tempo: quebrei-me inteira!Cozinhei-me em lágrimas até que levantasse fervura e derramasse pelo fogão. Não tinha como empurrar a sujeira para outro e comemorei o feriadão de Independência limpando toda a sujeira que um ser (supostamente) independente deve produzir.
Antes que o final de semana terminasse, tive alguns insights. Meus projetos profissionais estão tomando forma - FINALMENTE! Já os afetivos...
***
Voltando ao 69: Segunda foi dia do Sexo, né? =P
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Retrato
Nem sempre o que digo é o que realmente penso
Nem tudo o que penso pode ser, necessariamente, dito.
Verdades convencionadas:
Todas elas cabem num retrato!
Fotografias buscam a verdade do instante
O instante dos outros...
Poucos se atreveram a me retratar
Inconstância não tem enquadramento
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Saudadear
Num deslize, num lampejo de solidão é impossível não me lembrar de teus dedos percorrendo a pele e tua face estampando um tímido sorriso. Tão especial e único. Único! Bebo, conscientemente, na fonte da saudade com as letras do teu nome em relevo. Esta marca é o meu instrumento e com ele canto o único verbo que é meu: "saudadear".
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Uma crônica sobre Business e Educação Infantil
Neste último sábado, encontrei-me com um amigo músico que não via há muito tempo. Este encontro foi singular porque estávamos em posições bem inversas às de quando nos conhecemos há três ou quatro anos: ele compartilhando comigo a felicidade de se tornar professor de música em uma escola de Educação Infantil Bilingue e eu, negociando a viabilidade de um show com um dono de bar na Vila Madalena.
Imaginem só! Aquele "homão" sorrindo ao falar de suas experiências com os pequenos e o quanto se sentia privilegiado em poder descobrir, através dos olhos delas, um outro modo de enxergar a vida.
- "Canela, é muito engraçado isso! Você convive com as crianças e elas te ensinam um outro modo de nos relacionar com o mundo. Estou feliz!" - disse ele.
Enquanto o dono do estabelecimento foi atender um de seus funcionários, minha mente transitou entre as rodas de conversa e trabalho pela manhã, entre as atividades individuais, nas orientações para resolver um conflito na hora do parque e até (acreditem!) nas discussões entre os professores sobre qual desafio oferecer às crianças para que despertassem o interesse pela escrita ou mesmo ouvissem, minimamente, às orientações dos adultos.
Antes de sair do local (irritada porque não conseguia criar um diálogo consistente e fechar negócio com o empresário) dei um abraço no congueiro. Um dos gestos mais significativos que pude reaprender na Educação Infantil, na tentativa de agradecê-lo por me lembrar de um tempo em que as regras de um jogo ou "combinados" eram bem claros e deveriam ser respeitados até o final.
Todos passaram pela infância, mas poucos tiveram o privilégio de VIVÊ-LA mais do que uma vez!
Imaginem só! Aquele "homão" sorrindo ao falar de suas experiências com os pequenos e o quanto se sentia privilegiado em poder descobrir, através dos olhos delas, um outro modo de enxergar a vida.
- "Canela, é muito engraçado isso! Você convive com as crianças e elas te ensinam um outro modo de nos relacionar com o mundo. Estou feliz!" - disse ele.
Enquanto o dono do estabelecimento foi atender um de seus funcionários, minha mente transitou entre as rodas de conversa e trabalho pela manhã, entre as atividades individuais, nas orientações para resolver um conflito na hora do parque e até (acreditem!) nas discussões entre os professores sobre qual desafio oferecer às crianças para que despertassem o interesse pela escrita ou mesmo ouvissem, minimamente, às orientações dos adultos.
Antes de sair do local (irritada porque não conseguia criar um diálogo consistente e fechar negócio com o empresário) dei um abraço no congueiro. Um dos gestos mais significativos que pude reaprender na Educação Infantil, na tentativa de agradecê-lo por me lembrar de um tempo em que as regras de um jogo ou "combinados" eram bem claros e deveriam ser respeitados até o final.
Todos passaram pela infância, mas poucos tiveram o privilégio de VIVÊ-LA mais do que uma vez!
Marcadores:
Amigos,
confissões,
Filosofando,
Infância
domingo, 29 de agosto de 2010
Embrulho
Embrulhe-se comigo com ou sem palavras
Ajude-me a absorver cada gota salgada que brota de meus olhos
Assim, sem motivo:
Venha, embrulhe, envolva e absorva
Esta dor sem motivo
Este calor sem abrigo
Este pecado sem castigo
Esta solidão... esta solidão!
Embrulhe, leve-a daqui
Quero tanta coisa
E o que está ao alcance
É o que eu não quero.
Embrulhe meus dizeres
Entregue teu olhar
Devolva o que me roubou
Espante o nosso medo
Dá-me abrigo
Ajude-me a absorver cada gota salgada que brota de meus olhos
Assim, sem motivo:
Venha, embrulhe, envolva e absorva
Esta dor sem motivo
Este calor sem abrigo
Este pecado sem castigo
Esta solidão... esta solidão!
Embrulhe, leve-a daqui
Quero tanta coisa
E o que está ao alcance
É o que eu não quero.
Embrulhe meus dizeres
Entregue teu olhar
Devolva o que me roubou
Espante o nosso medo
Dá-me abrigo
sábado, 14 de agosto de 2010
Sabores
Certa vez, perguntaram-me o que realmente queria.
Respondi que desejava sabor. Mais sabor!
Fujo o quanto posso do vício amargo.
A desconfiança, às vezes, nos obriga a sermos azedos.
Cansei-me do sal do aperitivo.
Pimenta só nos faz sentir o sabor distorcido das coisas.
Açúcar em demasia traz péssimas consequências.
Talvez, o agridoce estimule um pouco mais a imaginação.
Respondi que desejava sabor. Mais sabor!
Fujo o quanto posso do vício amargo.
A desconfiança, às vezes, nos obriga a sermos azedos.
Cansei-me do sal do aperitivo.
Pimenta só nos faz sentir o sabor distorcido das coisas.
Açúcar em demasia traz péssimas consequências.
Talvez, o agridoce estimule um pouco mais a imaginação.
Ah, sim... O que realmente desejo?
Suavidade e intensidade. Nada mais.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Dedicatória
Dedico aquele poema do Vinícius aos que passaram
E aos que passarão
Aos amores que permanecem
E aos que me esquecerão
Que é de retalhos...
finos tecidos descartados,
com doces linhas permeados
Tristeza aqui não!
Colcha única esse meu coração.
(via twitter @CanelaDS + @Galldino #twitradio)
sábado, 7 de agosto de 2010
Tomei coragem e mandei as cartas!
Num impulso, retomei os trechos de cartas que estavam publicadas aqui e outras em rascunhos em meu e-mail.
Foi a mesma sessão de sempre: lê, relê, treme de nervoso ao imaginar o destinatário lendo aquela quantidade de frases sem nexo... respira fundo e... "Enviar".
Passaram-se alguns dias. Sinto que formatar tantas memórias foi um ótimo exercício. Sinto que ao clicar em "Enviar", mandei meus pensamentos para um buraco negro, pois não houve nenhuma reação. N.A.D.A!!!
Dizem que devemos correr riscos. Já superei minha cota.
Foi a mesma sessão de sempre: lê, relê, treme de nervoso ao imaginar o destinatário lendo aquela quantidade de frases sem nexo... respira fundo e... "Enviar".
Passaram-se alguns dias. Sinto que formatar tantas memórias foi um ótimo exercício. Sinto que ao clicar em "Enviar", mandei meus pensamentos para um buraco negro, pois não houve nenhuma reação. N.A.D.A!!!
Dizem que devemos correr riscos. Já superei minha cota.
domingo, 1 de agosto de 2010
Escrevo cartas para quem não vai ler - Parte II
Já conheceu alguém com uma letra estampada na testa? Eu já! Aliás, quem nunca viu é porque ainda não olhou bem para o espelho. Sempre usamos estas letras de escudo ou, usam-nas como rótulos. Já que não posso livrar-me dela, somarei outras letras. Apenas uma não dará conta de revelar o que eu ainda nem sei o que existe embaixo dessa carne.
***
O som... a mistura, estranheza e curiosidade.
- "Quem será?"
- "Este 'quem' é múltiplo!"
- Será que, em uma destas parcelas, há a paciência? Afinal, para contar histórias, preciso de tempo para internaliza-las.
- Que história? Está louca? Volte e recolha-se. Não está pronta...
***
O som... a mistura, estranheza e curiosidade.
- "Quem será?"
- "Este 'quem' é múltiplo!"
- Será que, em uma destas parcelas, há a paciência? Afinal, para contar histórias, preciso de tempo para internaliza-las.
- Que história? Está louca? Volte e recolha-se. Não está pronta...
Marcadores:
Amor,
confissões,
Sarcasmo,
Saudade,
Viagem total
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Escrevo cartas para quem não vai ler - Parte I
Publicarei aqui uma série de textos soltos, que, por alguma razão, não chegaram ainda ao seu destinatário. Antes que eu morra engasgada, segue:
Um som diferente conseguiu penetrar aquela figura que, por hora, decidiu abandonar alguns arquétipos. Sem opção naquele momento, o ostracismo poderia ser o único ambiente que pudesse acolhê-la.
Já que estava à margem, por que não recriar seu próprio mundo? Por que não publicar uma das suas últimas doces memórias nas paredes escuras, das quais ninguém saberá quem escreveu, muito menos quem poderá ler?
Mas o som, aquele indescritível som, era sim um convite para buscar novos ares, novas histórias para contar. Da inconformada negação, germinou um perfume, um movimento... sabor!
Ora imaginem! Se caminhar durante o dia já era um grande risco, quem dirá trocá-lo pela noite? "Lembre-se, ninguém está disposto. Ninguém quer ser exposto. Recolha-se, não será bem vinda aqui".
Um som diferente conseguiu penetrar aquela figura que, por hora, decidiu abandonar alguns arquétipos. Sem opção naquele momento, o ostracismo poderia ser o único ambiente que pudesse acolhê-la.
Já que estava à margem, por que não recriar seu próprio mundo? Por que não publicar uma das suas últimas doces memórias nas paredes escuras, das quais ninguém saberá quem escreveu, muito menos quem poderá ler?
Mas o som, aquele indescritível som, era sim um convite para buscar novos ares, novas histórias para contar. Da inconformada negação, germinou um perfume, um movimento... sabor!
Ora imaginem! Se caminhar durante o dia já era um grande risco, quem dirá trocá-lo pela noite? "Lembre-se, ninguém está disposto. Ninguém quer ser exposto. Recolha-se, não será bem vinda aqui".
Marcadores:
Amor,
confissões,
Conflito,
desabafo
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Sabe o que é estranho?
Retornando para a minha casa outro dia, pensei sobre algumas situações que poderiam não ser estranhas e, por teimosia, surpreendo-me com elas.
O amor não é eterno. Ele nasce, cresce, amarga e morre. Se você não morrer com ele, parabéns!
Fagulhas de carinho alimentam, por décadas, o calor de um coração demente.
Estar satisfeito com algo parece burrice!
Conhecer pessoas, não significa que elas desejam conhecer você!
Todos os dias precisam dos mesmos minutos. Jamais deixarei de passar pelas 23h23 ilesa.
Podemos mudar de opinião, sim. Basta mudar de país e excluir seu perfil no Twitter.
Marcadores:
Agressividade de Bolso,
Amor,
Conflito,
Sarcasmo
terça-feira, 27 de julho de 2010
Brigando com o sono
Dava socos no travesseiro como se ele fosse o culpado por esta cabeça cheia de pensamentos desconexos. Ouvi passos na cozinha, e depois, percebi que era a torneira necessitando um reparo. Volto para a cama, desta vez, rocei minha face sobre o travesseiro: "Quem sabe um pouco de carinho permitirá a chegada e a fluidez do sono?"
Mal pude sentir o peso benevolente das pálpebras e o alarme do carro soou. Levantei-me novamente e, com o auxílio da luz do celular, alcancei a chave e o alarme. "Meu surto de atividade cerebral beirando as 5 da manhã teria alguma influência sobre os sensores do automóvel? Não sei."
De olhos fechados, conseguia enxergar a movimentação por aqui. Haviam muitos desconhecidos; alguns eu trouxe, sem querer, dos caminhos que outro percorreu por mim. Eles me seguiram!
Quanta ousadia! Como pode vir dividir os cobertores comigo? Não sei quem era, não vi a face, senti apenas o cheiro. Não era estranho, deixei por alguns instantes que repousasse uma de duas pernas sobre as minhas.
Ahh! Não me chamem de louca! Dormi sim de "conchinha" com alguém que tinha peso, tinha cheiro, mas não revelou sua face.
Não era pesadelo, não era sonho. Vi três crianças sorridentes próximas aos meus pés segurando uma grande moldura. Era um espelho. Eu não me refletia nele, as imagens refletidas alí eram das mesmas crianças que o seguravam.
Enquanto sacudia os cobertores e expulsava o estranho sob as cobertas, uma delas confessou ser meu filho, eu sorri para ele e fiquei aliviada. O meu filho existe, em algum momento ou plano, mas existe!
***
Agora sim, o desejado sono fluiu e me transferiu para outros locais.
A arquibancada, esperando não sei o que, ao lado de minha mãe e avó.
O carro desgovernado. O controle dos freios.Pessoas que gostaria de dar carona caminhando pela calçada. Não sei dizer se elas aceitaram minha oferta.
Meu irmão estacionou o carro em local proibido. Embaixo daquela tempestade, haviam poucos lugares onde pudesse me esconder. Quase caímos naquele estacionamento alagado. Havia lodo por toda parte. Imaginem? Além das roupas molhadas, teria de conviver com a sujeira verde nas roupas? Quero sair daqui!
Não havia mais porta. Já não estava no supermercado. Se desejasse sair de um espaço para o outro, deveria passar sempre por aquelas janelas estreitas. Um esforço inacreditável... Precisei de ajuda algumas vezes para desentalar. Os quadris sempre ficavam presos.
Um sorriso, a alegria por ter passado por mais um obstáculo.
***
Dez da manhã o celular tocou. Era o barbudo desejando um endereço ou nome, não sei... Só sei que acordei cansada e dores fortes nos braços.
Dormir esta noite foi uma briga!
Mal pude sentir o peso benevolente das pálpebras e o alarme do carro soou. Levantei-me novamente e, com o auxílio da luz do celular, alcancei a chave e o alarme. "Meu surto de atividade cerebral beirando as 5 da manhã teria alguma influência sobre os sensores do automóvel? Não sei."
De olhos fechados, conseguia enxergar a movimentação por aqui. Haviam muitos desconhecidos; alguns eu trouxe, sem querer, dos caminhos que outro percorreu por mim. Eles me seguiram!
Quanta ousadia! Como pode vir dividir os cobertores comigo? Não sei quem era, não vi a face, senti apenas o cheiro. Não era estranho, deixei por alguns instantes que repousasse uma de duas pernas sobre as minhas.
Ahh! Não me chamem de louca! Dormi sim de "conchinha" com alguém que tinha peso, tinha cheiro, mas não revelou sua face.
Não era pesadelo, não era sonho. Vi três crianças sorridentes próximas aos meus pés segurando uma grande moldura. Era um espelho. Eu não me refletia nele, as imagens refletidas alí eram das mesmas crianças que o seguravam.
Enquanto sacudia os cobertores e expulsava o estranho sob as cobertas, uma delas confessou ser meu filho, eu sorri para ele e fiquei aliviada. O meu filho existe, em algum momento ou plano, mas existe!
***
Agora sim, o desejado sono fluiu e me transferiu para outros locais.
A arquibancada, esperando não sei o que, ao lado de minha mãe e avó.
O carro desgovernado. O controle dos freios.Pessoas que gostaria de dar carona caminhando pela calçada. Não sei dizer se elas aceitaram minha oferta.
Meu irmão estacionou o carro em local proibido. Embaixo daquela tempestade, haviam poucos lugares onde pudesse me esconder. Quase caímos naquele estacionamento alagado. Havia lodo por toda parte. Imaginem? Além das roupas molhadas, teria de conviver com a sujeira verde nas roupas? Quero sair daqui!
Não havia mais porta. Já não estava no supermercado. Se desejasse sair de um espaço para o outro, deveria passar sempre por aquelas janelas estreitas. Um esforço inacreditável... Precisei de ajuda algumas vezes para desentalar. Os quadris sempre ficavam presos.
Um sorriso, a alegria por ter passado por mais um obstáculo.
***
Dez da manhã o celular tocou. Era o barbudo desejando um endereço ou nome, não sei... Só sei que acordei cansada e dores fortes nos braços.
Dormir esta noite foi uma briga!
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Verbo substantivo. Substantivo, verbo
Nunca o ato de conjugar os verbos me chamou a atenção.
Pretérito (sempre) imperfeito
Presente (?) e
Futuro do pretérito.
Acredite...a vida é cíclica!
Buscaremos sempre um "futuro mais que perfeito"
E o perfeito estará sempre ofuscado pela poeira mórbida do passado.
Conjuguei vários infinitivos obedecendo uma lista de pronomes.
Um ato mecânico e vil...
Apavoro-me em conjugá-los no futuro.
Perdi a prática!
- Dêem-me licença, senhores acadêmicos!
Exijo uma reforma em nossa língua:
Transformo, a partir de agora, três substantivos em verbo:
Sucesso, sorte e vontade
(Talvez estes tenham algum sentido quando conjugá-los no futuro)
E suplico aos entendidos do palavrear que
Apenas UM verbo se transforme em substantivo:
terça-feira, 20 de julho de 2010
Dia do Amigo
Adormeci exausta noite passada. Estava procurando algumas fotos que fiz em algumas baladas no início do ano e algumas pessoas andam cobrando em todas as redes sociais das quais participo. Confesso, esse tipo de cobrança me aborrece. Enfim... como num sopro ou um "auto-pedala-Robinho" decidi verificar todas as pastas que não possuíam nome definido para procurar as ditas cujas.
Para a minha surpresa, o que deveria ser uma tarefa chata, deu muito prazer. Quantos amigos e momentos maravilhosos pude retratar! Agora que estou aprendendo o básico do básico no photoshop, estou testando algumas ferramentas lá para fazer algumas montagens engraçadas. Aguardem!
Acordei perto das 8 da manhã com um maldito fusca (ou seria uma kombi?) tentando dar partida e subir a ladeira da minha rua. Confesso que emiti alguns xingamentos malemolentes e voltei a dormir. Afinal, minhas férias estão acabando.
Tomada a coragem para sair da cama, ligo o computador e vejo entre os TT's "#diadoamigo". Que coincidência! Adormeci diante de tantas faces queridas e hoje é o dia deles. De TODOS eles!
Hoje é o dia dos amigos com quem fiz meu primeiro piquenique no Parque do Ibirapuera.
Hoje é o dia dos amigos que me apresentaram o primeiro namorado e deram um jeito de driblar meus pais nos primeiros encontros.
Hoje é o dia dos amigos que me levaram a uma rádio para ser locutora por um dia.
Hoje é o dia dos amigos com quem tomei o primeiro porre de tequila.
Hoje é o dia dos amigos que me deram colo, abraço, sorriso e respeitosos silêncios.
Hoje é o dia dos amigos que nos ajudaram a enxergar a vida com outras cores, sabores e sons.
Hoje é o dia de todos os que participaram direta ou indiretamente do que eu sou e do que virei a ser.
Desejo também ter contribuído de alguma forma ao caminho de alguns. Afinal, acho que é essa a razão desse tipo de relacionamento.
Para a minha surpresa, o que deveria ser uma tarefa chata, deu muito prazer. Quantos amigos e momentos maravilhosos pude retratar! Agora que estou aprendendo o básico do básico no photoshop, estou testando algumas ferramentas lá para fazer algumas montagens engraçadas. Aguardem!
Acordei perto das 8 da manhã com um maldito fusca (ou seria uma kombi?) tentando dar partida e subir a ladeira da minha rua. Confesso que emiti alguns xingamentos malemolentes e voltei a dormir. Afinal, minhas férias estão acabando.
Tomada a coragem para sair da cama, ligo o computador e vejo entre os TT's "#diadoamigo". Que coincidência! Adormeci diante de tantas faces queridas e hoje é o dia deles. De TODOS eles!
Hoje é o dia dos amigos com quem fiz meu primeiro piquenique no Parque do Ibirapuera.
Hoje é o dia dos amigos que me apresentaram o primeiro namorado e deram um jeito de driblar meus pais nos primeiros encontros.
Hoje é o dia dos amigos que me levaram a uma rádio para ser locutora por um dia.
Hoje é o dia dos amigos com quem tomei o primeiro porre de tequila.
Hoje é o dia dos amigos que me deram colo, abraço, sorriso e respeitosos silêncios.
Hoje é o dia dos amigos que nos ajudaram a enxergar a vida com outras cores, sabores e sons.
Hoje é o dia de todos os que participaram direta ou indiretamente do que eu sou e do que virei a ser.
Desejo também ter contribuído de alguma forma ao caminho de alguns. Afinal, acho que é essa a razão desse tipo de relacionamento.
sábado, 17 de julho de 2010
Amor e lama no jardim da infância
E foi assim, de mãos dadas no parquinho da escola, que senti pela primeira vez o que vim chamar de cumplicidade depois de adulta. Era a única criança da escola que poderia encontrar fora dela. Claudemir, o único loiro de olhos verdes da escola. Sentava-se ao meu lado. Ele era meu amigo!
Infelizmente não me lembro do que é que brincávamos, muito menos se os encontros ocorriam com frequência. Sei que as lembranças não tem tempo exato, elas só permanecem! A companhia de uma criança da mesma idade que eu, fazia-me sentir diferente das outras.
Sei que fui muito bundona, não gostava (e não gosto) de me meter em encrenca e temia perder a amizade dos outros. Fazia tudo o que a professora pedia. Repetia, inúmeras vezes, as letras que me ensinara. Sentia-me bem assim.
***
Sempre tivemos problemas com o despertador aqui em casa, e foi num dia como esse: chuvoso, frio... quase remelento que escorreguei descendo uma das vielas próximas à escola. Sujei todo o conga branco. Nem o uniforme verde musgo salvou-me da trajédia (grega) e de quebra, tomei uns puxões de orelha de minha mãe.
Ela nunca foi muito boa nisso também: sofre daqui e desconta em algo que nada resolverá.
Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.
Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.
Atrasada, suja de lama, orelhas fervendo e um nó de arame farpado preso na garganta. Queria chorar... respirei e segui para a última cadeira, no fundo da sala. Não era o "meu lugar", mas o outro... aquele ao lado do meu amigo, tinha sido ocupado por outra menina.
Enquanto a professora foi buscar algo para ajudar-me a limpar a roupa, meu pesadelo ganhou um segundo capítulo:
- "ATRASADA! ATRASADA! ATRASADA!!!" - berraram meus coleguinhas, como numa torcida em um estádio de futebol.
O nó de arame farpado se transformou num ouriço inflado. Não aguentei a dor e chorei.
Tenho raiva desse dia até hoje! Tenho raiva de mim e vou dizer o por quê:
Quando a professora retornou à sala, vendo-me aos prantos perguntou o que havia acontecido e a sonsa aqui - com medo de não ter alguém para brincar na hora do recreio -, respondeu:
- Nada. Acho que a mesa está me apertando um pouco na barriga, só isso.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Amor de Anjo mais velho
Talvez, ser inexperiente, nos faça confundir os sentimentos. Talvez, este amor tão grande que sinto não se encaixe na categoria "platônica".
Sinto e sei que ele é real e recíproco, contudo, falta-me apenas amadurecimento para entender como o classificaria. E é esse amor assim,desclassificado, que carrego no peito, que incentiva-me a sonhar e continuar caminhando mesmo com medo.
Nunca foi necessária tua presença física; teu amor e proteção caminham sempre comigo. É como na letra d'O Teatro Mágico, o amor que nos envolveu é o de "Anjo mais velho".
Sinto e sei que ele é real e recíproco, contudo, falta-me apenas amadurecimento para entender como o classificaria. E é esse amor assim,
Nunca foi necessária tua presença física; teu amor e proteção caminham sempre comigo. É como na letra d'O Teatro Mágico, o amor que nos envolveu é o de "Anjo mais velho".
domingo, 11 de julho de 2010
Caçando palavras
Chega-se a poucas conclusões quando os pensamentos se embaralham sobre o travesseiro. Cercar algumas frases e mandá-las para uma arapuca parece insanidade.
Imerso no caos, o pensante deve tomar coragem e abandonar os cobertores. Deseja, finalmente, registrar sua demasiada inquietação. Esforço inútil! A tela do computador espanta a melhor das frases, a melhor das declarações de amor e ódio. Creia: listas de supermercado também se dissolvem!
E agora o pensante, sem pensamento algum, voltará à sua cama antes que ela esfrie.
Imerso no caos, o pensante deve tomar coragem e abandonar os cobertores. Deseja, finalmente, registrar sua demasiada inquietação. Esforço inútil! A tela do computador espanta a melhor das frases, a melhor das declarações de amor e ódio. Creia: listas de supermercado também se dissolvem!
E agora o pensante, sem pensamento algum, voltará à sua cama antes que ela esfrie.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Vultos
Há vultos que não se desprenderão jamais de suas imagens. Vejo diferentes vultos sobre um novo objeto a ser, teoricamente, descoberto. Vejo também receitas clássicas daquilo que nos atrai, novamente, à inércia. Do histórico que possuo, deveria estar ansiosa, apreensiva, sequiosa...
Não foi isso que ocorreu.
Estaria padecendo de algum distúrbio visual? Teria descoberto uma solução para o ceticismo? Só vejo a mistura do que atrai, inspira, reduz e fere...
Devolvo o presente à prateleira dos desejos ou enfeito minha estante de auto-flagelo?
Não foi isso que ocorreu.
Estaria padecendo de algum distúrbio visual? Teria descoberto uma solução para o ceticismo? Só vejo a mistura do que atrai, inspira, reduz e fere...
Devolvo o presente à prateleira dos desejos ou enfeito minha estante de auto-flagelo?
sábado, 26 de junho de 2010
Revendo escolhas - I
Assisti, no início desta semana, a uma reportagem em um programa "Teen" na TV Cultura que discutia os cuidados que um jovem deveria ter ao escolher sua carreira. Reduzi o volume do som autofalante no computador e aumentei o da TV instintivamente. Até dei risada de mim mesma: "Estou beirando os trinta! Isso não deveria me interessar mais, né?".
Ignorando minha sessão de auto-sarcasmo, prestei atenção à toda matéria e o que me chamou a atenção foi o depoimento de uma garota de 18 anos dizendo que aquele momento era muito importante para ela, pois tratava-se de uma decisão que determinaria todo o seu futuro. A coitada não me disse nenhuma novidade até aí, mas confesso ter usado novamente de sarcasmo ao falar com o aparelho: "Se liga, doida! Daqui dez anos pensará em outra coisa para fazer. Relaxa, sempre há um jeito de mudar de rumo".
Será mesmo? Até perdi o sono depois disso. Corri para a cozinha, abri a geladeira (por que sempre procuramos resposta dentro de um objeto que serve para resfriar alimentos, hein?), nada para beliscar e um restinho de Coca-Cola sem gás.
Nem o refrigerante insosso pôde responder. Todavia, a (mal)dita reportagem serviu de alavanca para abrir um baú de memórias: quando foi mesmo que optei pelo magistério?
Duas profissões sempre fizeram parte do meu imaginário infantil. Uma delas é ainda um enigma. Acompanhava religiosamente os programas do Chacrinha, sonhava em voar naquela espaçonave de última geração com a Xuxa e desfilava pelo quintal cantarolando "Manequim" do grupo Dominó.
Engana-se aquele que pensa que eu fico envergonhada ao contar isso. Não adianta negar o passado, pois sei que algum dia meus tios vão retirar a poeira de seus arquivos VHS e provar o quanto era "aplicada" nas festas de família.
Recordo-me de duas promessas: "Se teu pai conseguir logo um emprego, você entra no balé" e "Procure um curso de teatro que não seja muito longe ou caro e vamos ver o que podemos fazer". Adultos deveriam entender o que isto realmente significa para quem tem menos de 10 anos de idade!
Não os culpo. Eu quem deveria ser mais decidida, contudo, optei pela reprodução dos modelos que conhecia bem. Aos 12 já recebia uns trocados para cuidar das filhas de minha vizinha: lousa na parede, folhas de um caderno e o bom e velho "ditado". A mãe jurava que as meninas estavam melhores na escola e eu, convencida de que era muito boa professora. Mas o que realmente importava era "aquela" caneta colorida com cheirinho de chiclete fazendo parte do meu acervo no estojo escolar! Estava rica!
Decidir pela minha profissão foi, portanto, muito fácil: opte pelo que poderá dar retorno o quanto antes, caminhe com suas próprias pernas e, se sobrar tempo, dance!
Vejam só, quanta ironia! De que retorno estava falando?
Aos 18 anos eu não sabia o significado de "efêmero", "controverso" e "pioneirismo".
Ignorando minha sessão de auto-sarcasmo, prestei atenção à toda matéria e o que me chamou a atenção foi o depoimento de uma garota de 18 anos dizendo que aquele momento era muito importante para ela, pois tratava-se de uma decisão que determinaria todo o seu futuro. A coitada não me disse nenhuma novidade até aí, mas confesso ter usado novamente de sarcasmo ao falar com o aparelho: "Se liga, doida! Daqui dez anos pensará em outra coisa para fazer. Relaxa, sempre há um jeito de mudar de rumo".
Será mesmo? Até perdi o sono depois disso. Corri para a cozinha, abri a geladeira (por que sempre procuramos resposta dentro de um objeto que serve para resfriar alimentos, hein?), nada para beliscar e um restinho de Coca-Cola sem gás.
Nem o refrigerante insosso pôde responder. Todavia, a (mal)dita reportagem serviu de alavanca para abrir um baú de memórias: quando foi mesmo que optei pelo magistério?
Duas profissões sempre fizeram parte do meu imaginário infantil. Uma delas é ainda um enigma. Acompanhava religiosamente os programas do Chacrinha, sonhava em voar naquela espaçonave de última geração com a Xuxa e desfilava pelo quintal cantarolando "Manequim" do grupo Dominó.
Engana-se aquele que pensa que eu fico envergonhada ao contar isso. Não adianta negar o passado, pois sei que algum dia meus tios vão retirar a poeira de seus arquivos VHS e provar o quanto era "aplicada" nas festas de família.
Recordo-me de duas promessas: "Se teu pai conseguir logo um emprego, você entra no balé" e "Procure um curso de teatro que não seja muito longe ou caro e vamos ver o que podemos fazer". Adultos deveriam entender o que isto realmente significa para quem tem menos de 10 anos de idade!
Não os culpo. Eu quem deveria ser mais decidida, contudo, optei pela reprodução dos modelos que conhecia bem. Aos 12 já recebia uns trocados para cuidar das filhas de minha vizinha: lousa na parede, folhas de um caderno e o bom e velho "ditado". A mãe jurava que as meninas estavam melhores na escola e eu, convencida de que era muito boa professora. Mas o que realmente importava era "aquela" caneta colorida com cheirinho de chiclete fazendo parte do meu acervo no estojo escolar! Estava rica!
Decidir pela minha profissão foi, portanto, muito fácil: opte pelo que poderá dar retorno o quanto antes, caminhe com suas próprias pernas e, se sobrar tempo, dance!
Vejam só, quanta ironia! De que retorno estava falando?
Aos 18 anos eu não sabia o significado de "efêmero", "controverso" e "pioneirismo".
Revendo escolhas - II
Acalmem-se, deixe-me explicar!
Não conhecia o significado de efêmero porque o prazer que se obtêm com a média de setecentos alunos/ano não corresponde às horas perdidas corrigindo avaliações.
Quando aluna, pensava que entregar uma avaliação em branco era o ápice da transgressão - jamais arriscaria tal façanha! Hoje, agradeço estes infelizes. Não serei agredida com informações sem nexo, frases mal formuladas, ortografia e caligrafia inexistentes. Afirmo que há provas em que preferiria receber em braile!
As controvérsias surgem quando, ao bater o sinal para o intervalo, alguns alunos dizem: "Mas já? Tava tão legal!"; "Nossa, professora! Eu nunca tinha pensado nisso!". Ok, confesso. Isso acontece uma vez por semestre, mas dá um gostinho mágico àquele que tenta segurar na garganta seus incontáveis pimpolhos.
Já me revoltei com um vendedor de "microfones da Madona" com um falante preso na cintura - segundo ele, era um produto exclusivo para professores, nas cores preto, branco e rosa.
Esbravejei sem titubear: "Quem disse que, para conquistar o respeito dos alunos, eu deveria aumentar o volume de minha voz?". O resultado? Estou com dois nódulos nas cordas vocais, não canto mais nem debaixo do chuveiro e sei que guardei o cartão daquele vendedor em algum lugar.
Sobre o pioneirismo? O significado desta palavra me vem ao paladar todos os dias. Não há nenhum artista assumido em minha família. Seguimos todos a mesma corrente operária, executamos serviços, vendemos nossas horas e não pensamos muito sobre isso para não enlouquecer.
Sinto que, neste ponto, eu consegui romper com as tradições.
Enlouqueci!
Chutei o balde!
Larguei tudo e saí correndo!
Corri e estou tão longe do que me trouxe aqui... É estranho voltar para casa. Já não me reconheço diante dos outros, muito menos em frente ao espelho. Falo sozinha e, às vezes, isso é engraçado. Até ouso expor algumas coisas que penso em palavras. Se alguém quiser ler, ótimo.
Pioneira serei, quando responder alguns dos meus enígmas nauseantes. Até as enumerei para ficar mais didático:
1° De que forma pendurarei meu avental sujo de pó de giz?
2° Será que estou velha demais para usar sapatilhas de dança pela primeira vez?
3° Há alguém nesse mundo que viva disso, somente?
4° Assumir, publicamente, minhas (des)organizadas hipóteses fará de mim uma pessoa menos confiável, insegura ou fraca?
Quando finalmente resolver estas (e outras) questões, desejo ter a certeza de que nenhuma decisão profissional tomada aos 18 anos será totalmente irreversível.
Não conhecia o significado de efêmero porque o prazer que se obtêm com a média de setecentos alunos/ano não corresponde às horas perdidas corrigindo avaliações.
Quando aluna, pensava que entregar uma avaliação em branco era o ápice da transgressão - jamais arriscaria tal façanha! Hoje, agradeço estes infelizes. Não serei agredida com informações sem nexo, frases mal formuladas, ortografia e caligrafia inexistentes. Afirmo que há provas em que preferiria receber em braile!
As controvérsias surgem quando, ao bater o sinal para o intervalo, alguns alunos dizem: "Mas já? Tava tão legal!"; "Nossa, professora! Eu nunca tinha pensado nisso!". Ok, confesso. Isso acontece uma vez por semestre, mas dá um gostinho mágico àquele que tenta segurar na garganta seus incontáveis pimpolhos.
Já me revoltei com um vendedor de "microfones da Madona" com um falante preso na cintura - segundo ele, era um produto exclusivo para professores, nas cores preto, branco e rosa.
Esbravejei sem titubear: "Quem disse que, para conquistar o respeito dos alunos, eu deveria aumentar o volume de minha voz?". O resultado? Estou com dois nódulos nas cordas vocais, não canto mais nem debaixo do chuveiro e sei que guardei o cartão daquele vendedor em algum lugar.
Sobre o pioneirismo? O significado desta palavra me vem ao paladar todos os dias. Não há nenhum artista assumido em minha família. Seguimos todos a mesma corrente operária, executamos serviços, vendemos nossas horas e não pensamos muito sobre isso para não enlouquecer.
Sinto que, neste ponto, eu consegui romper com as tradições.
Enlouqueci!
Chutei o balde!
Larguei tudo e saí correndo!
Corri e estou tão longe do que me trouxe aqui... É estranho voltar para casa. Já não me reconheço diante dos outros, muito menos em frente ao espelho. Falo sozinha e, às vezes, isso é engraçado. Até ouso expor algumas coisas que penso em palavras. Se alguém quiser ler, ótimo.
Pioneira serei, quando responder alguns dos meus enígmas nauseantes. Até as enumerei para ficar mais didático:
1° De que forma pendurarei meu avental sujo de pó de giz?
2° Será que estou velha demais para usar sapatilhas de dança pela primeira vez?
3° Há alguém nesse mundo que viva disso, somente?
4° Assumir, publicamente, minhas (des)organizadas hipóteses fará de mim uma pessoa menos confiável, insegura ou fraca?
Quando finalmente resolver estas (e outras) questões, desejo ter a certeza de que nenhuma decisão profissional tomada aos 18 anos será totalmente irreversível.
domingo, 20 de junho de 2010
Passaporte
Quando adquiri meu primeiro passaporte pensei que aquela pequena caderneta poderia registrar a concretização de muitos sonhos. O que não poderia compreender é que, além da caderneta oficial, eu também tinha adquirido um documento com várias passagens confirmadas na primeira classe para o inferno e desilusão.
Ao passo que escolhia o destino, meu vôo era cancelado. Mas do inferno conheço todos os pontos turísticos. A desilusão é sempre a minha guia.
Percebi hoje que o meu passaporte está prestes a vencer. Nenhum carimbo, nenhum visto... nenhuma concretização. Mas o inferno... esse eu conheço muito bem.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Barbas
De tão próxima, percebi que estava com a barba mal feita. Pude enxergar um dos pêlos cortados pela lâmina ainda preso sobre aquela face. "Devia ter feito com pressa", pensei. Subitamente, controlei as mãos e meus pensamentos vadios. Não era só um favor em livrar a pele de um fio; era também o favor de não tocar novamente naquele rosto. Possuo memória visual e tátil, não conseguiria encará-lo depois deste gesto, supostamente inofensivo.
Após despedir-me, vi em meu celular uma chamada perdida. Era daquele que não faz questão de manter-se barbeado. Aliás, usa uma máscara densa sobre a face; dá um toque másculo e o protege de sua sensibilidade praticamente incurável. Não é da pele que me refiro, a sensibilidade sob esta máscara é transeunte e inalienável. Sorte dele de se proteger desta forma opulenta. Sorte minha de tê-lo visto sem máscara e o enxergar assim, sempre. Azar o nosso de não usarmos isso em nosso favor.
domingo, 6 de junho de 2010
Sentido e desejo
" É um erro confundir o desejar com o querer.
O desejo mede obstáculos; a vontade vence-os."
Alexandre Herculano
E é assim, uma experimentação inédita, embora contínua.
Desejo e vontade se revezam.
Mensurando os obstáculos, quase desisto.
Sonhando de olhos abertos, caminho.
Caminho em direção daquele que não me vê
Enxergo, através daqueles olhos, um colorido sonoro
Algumas melodias ditam os passos
E em meus sonhos,
Permaneço muda em teus braços.
sábado, 5 de junho de 2010
Musique
Estou pronta. Tenho em minha companhia vários sons que se revezam docemente. Aquelas notas que tanto insistiu em sofisticar quando as trasferiu para o piano. Penso, enquanto não chegas, o que realmente que imaginou enquanto compunha aquela canção que gosto tanto de ouvir. É essa a melodia que me acompanha enquanto não está aqui. São aqueles versos indiretos, aquelas paixões não declaradas, aquelas cores intensas e disformes que alimentam meus sonhos. Quando estiver aqui, novamente em meus braços, não terei pudor em retribuir o bem que me faz a tua música, tuas cores, teus movimentos e teu olhar: sempre em minha direção.
Alto lá!
Autônomo
Autogestor
Autosuficiente
Autoconsciente
Autoantropofágico
"Alto lá!"
Devoro tudo e a mim mesma?
Regurgito o excesso e a escassez
"Alto lá! Identifique-se!"
Um chá digestivo
Uma canção
Um poeta bêbado
Uma bailarina
...
Autoflagelo
Autopiedade
Autoridade
AUTOR - idade
"Alto lá! Sofreguidão aqui não!"
Diga portanto,
onde devo servir,
consumir,
digerir,
discutir,
comunicar...
COMUM - AR?
Autogestor
Autosuficiente
Autoconsciente
Autoantropofágico
"Alto lá!"
Devoro tudo e a mim mesma?
Regurgito o excesso e a escassez
"Alto lá! Identifique-se!"
Um chá digestivo
Uma canção
Um poeta bêbado
Uma bailarina
...
Autoflagelo
Autopiedade
Autoridade
AUTOR - idade
"Alto lá! Sofreguidão aqui não!"
Diga portanto,
onde devo servir,
consumir,
digerir,
discutir,
comunicar...
COMUM - AR?
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Gutierry, o santista.
Gutierry. Esse nome é famoso na escola em que trabalho. Uma criança que está matriculada desde a primeira série nesta mesma escola e, aos 12 anos de idade, chegou à 5.Série. Passou por todo o tipo de reforço escolar, frequentou as classes de PIC (Projeto Intensivo de Ciclo) e foi aprovado automaticamente mesmo sem saber ler e escrever fluentemente.
Reconhece as letras de seu nome, e se não estiver ocupado "tocando o terror" na sala de aula, copia uma palavra ou duas da lousa (isso quando reconhece as letras cursivas!).
Tensão. Que sentido faz a uma criança neste estágio de desenvolvimento compreender "A Importância dos Vestígios Materiais para o estudo da História"? Diante de uma classe com 40 alunos, com idade aproximada de 10, 12 anos. Como dar atenção à esse garoto?
Soube, por alto do histórico familiar dele: é órfão de pai, a mãe descobriu que possui o vírus HIV e vem usado todo o tipo de drogas desde então. Sua "madrinha", tem uma espécie de guarda sobre ele, mas à distância. É a única pessoa com quem ele pode contar.
Como se não bastasse tanta desgraça para uma criança, este garoto só pode ter algum propósito muito especial nesta vida, pois já driblou a morte em dois graves acidentes: primeiro, um furo com uma barra de metal na cabeça e depois um atropelamento que lhe custou o baço.
Neste último sábado, preferi abandonar as apostilas e propor um trabalho em grupo. São poucos os alunos que frequentam as aulas de reposição - impostas pela SEE, diante da greve ocorrida no início do deste ano letivo -, logo, fazer atividades que despertassem o lúdico, organização e criatividade eram mais que bem vindas não só para mim, quanto para os alunos.
Gutierry, para minha surpresa, era o aluno que mais participava no grupo de meninos. Eles decidiram escrever um "Jornal do Futebol". Observei de longe suas argumentações, vi que sabia também de cor o resultado dos jogos da última rodada e desejava falar sobre isso. Por alguma razão, seus colegas não aceitavam suas ideias e, depois de tanto insistir, solicitou-me uma folha de papel cartão para que fizesse sozinho todo o trabalho.
Expliquei que não era assim que ele resolveria as coisas, que era muito trabalho para uma pessoa realizar em apenas uma aula. Mas aquele garoto me convenceu com um largo sorriso e muita motivação. Aceitei depois de ver todos os meus argumentos pedagógicos e autoritários se esgotarem. Melhor assim.
Sentei-me ao lado dele para organizarmos o espaço que seria utilizado para a escrita da notícia e, também para a ilustração. Foi clara a opção dele pelo desenho do campo de futebol: os 11 jogadores de cada time, o círculo no meio de campo perfeito utilizando o decalque de um corretivo líquido... Mas, e a manchete? Qual era a notícia? Quem estava jogando? Qual foi o resultado desse jogo?
Nossa aula já estava acabando e precisei pressionar. Algo escrito deveria sair dalí. E saiu: "S A T O x C U R I T A" (leia-se Santos X Corinthians).
Pela primeira vez depois de dois anos senti-me satisfeita em estar novamente com meus alunos em sala de aula. A motivação e a luta daquele garoto para escrever aquelas palavras tão curtas é proporcional ao meu esforço diário: minhas intenções podem ser enormes, todavia, os resultados são deficientes, quase efêmeros.
Agora fica a expectativa: será que no próximo sábado ele voltará com tamanha motivação para concluir o seu trabalho?
Reconhece as letras de seu nome, e se não estiver ocupado "tocando o terror" na sala de aula, copia uma palavra ou duas da lousa (isso quando reconhece as letras cursivas!).
Tensão. Que sentido faz a uma criança neste estágio de desenvolvimento compreender "A Importância dos Vestígios Materiais para o estudo da História"? Diante de uma classe com 40 alunos, com idade aproximada de 10, 12 anos. Como dar atenção à esse garoto?
Soube, por alto do histórico familiar dele: é órfão de pai, a mãe descobriu que possui o vírus HIV e vem usado todo o tipo de drogas desde então. Sua "madrinha", tem uma espécie de guarda sobre ele, mas à distância. É a única pessoa com quem ele pode contar.
Como se não bastasse tanta desgraça para uma criança, este garoto só pode ter algum propósito muito especial nesta vida, pois já driblou a morte em dois graves acidentes: primeiro, um furo com uma barra de metal na cabeça e depois um atropelamento que lhe custou o baço.
Neste último sábado, preferi abandonar as apostilas e propor um trabalho em grupo. São poucos os alunos que frequentam as aulas de reposição - impostas pela SEE, diante da greve ocorrida no início do deste ano letivo -, logo, fazer atividades que despertassem o lúdico, organização e criatividade eram mais que bem vindas não só para mim, quanto para os alunos.
Gutierry, para minha surpresa, era o aluno que mais participava no grupo de meninos. Eles decidiram escrever um "Jornal do Futebol". Observei de longe suas argumentações, vi que sabia também de cor o resultado dos jogos da última rodada e desejava falar sobre isso. Por alguma razão, seus colegas não aceitavam suas ideias e, depois de tanto insistir, solicitou-me uma folha de papel cartão para que fizesse sozinho todo o trabalho.
Expliquei que não era assim que ele resolveria as coisas, que era muito trabalho para uma pessoa realizar em apenas uma aula. Mas aquele garoto me convenceu com um largo sorriso e muita motivação. Aceitei depois de ver todos os meus argumentos pedagógicos e autoritários se esgotarem. Melhor assim.
Sentei-me ao lado dele para organizarmos o espaço que seria utilizado para a escrita da notícia e, também para a ilustração. Foi clara a opção dele pelo desenho do campo de futebol: os 11 jogadores de cada time, o círculo no meio de campo perfeito utilizando o decalque de um corretivo líquido... Mas, e a manchete? Qual era a notícia? Quem estava jogando? Qual foi o resultado desse jogo?
Nossa aula já estava acabando e precisei pressionar. Algo escrito deveria sair dalí. E saiu: "S A T O x C U R I T A" (leia-se Santos X Corinthians).
Pela primeira vez depois de dois anos senti-me satisfeita em estar novamente com meus alunos em sala de aula. A motivação e a luta daquele garoto para escrever aquelas palavras tão curtas é proporcional ao meu esforço diário: minhas intenções podem ser enormes, todavia, os resultados são deficientes, quase efêmeros.
Agora fica a expectativa: será que no próximo sábado ele voltará com tamanha motivação para concluir o seu trabalho?
terça-feira, 18 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Da fome
"A fome insatisfeita que senti era de ti.
Fome do instinto que não foi ouvido"
Miguel Torga
É de fome essa dor constante em teu ventre
É desejo de fazer daquela carne a tua
Sobra-te somente o sal que escorre sobre a face
Receita:
Tempere um sorriso,
Adoça-o em lembranças
Beije, em silêncio, o ar
Soluço vago
Orações ao vento
Instinto civilizado
Sono resgatado
E a fome não passa...
terça-feira, 11 de maio de 2010
Receita para morrer mais cedo
Você tem alguma ideia do que é matar um desejo? Sacrificar uma necessidade? Prorrogar - sabe lá Deus até quando - um prazer?
Sabe por acaso quantas rugas nascem ou células envelhecem precocemente quando se faz algo contra a sua vontade?
Por acaso se colocou no papel de uma mulher confusa diante de tantas questões sem resposta alguma?
Quem disse que acrescentar 15, 20 anos de caminhada pode fazer alguém afirmar com veemência "As coisas são como são"?.
Encontro-me de ponta cabeça, de mãos atadas e com uma mordaça invisível.
De que adianta valorizar a chamada "Arte" se, novamente, a realidade bate em meu rosto sem piedade?
Não há poesia que sobreviva às tantas reticências intercaladas por interrogações.
Não há AMOR próprio quando já nem sei mais o que é olhar para o espelho.
Sabe por acaso quantas rugas nascem ou células envelhecem precocemente quando se faz algo contra a sua vontade?
Por acaso se colocou no papel de uma mulher confusa diante de tantas questões sem resposta alguma?
Quem disse que acrescentar 15, 20 anos de caminhada pode fazer alguém afirmar com veemência "As coisas são como são"?.
Encontro-me de ponta cabeça, de mãos atadas e com uma mordaça invisível.
De que adianta valorizar a chamada "Arte" se, novamente, a realidade bate em meu rosto sem piedade?
Não há poesia que sobreviva às tantas reticências intercaladas por interrogações.
Não há AMOR próprio quando já nem sei mais o que é olhar para o espelho.
domingo, 9 de maio de 2010
A Prece para os Novos Tempos
A História nos conta que em algum momento as almas podem mudar o seu curso desde que a consciência esteja habilitada a mergulhar por caminhos desconhecidos.
Há um inevitável campo magnético que nos empurra para a vida cíclica. Repetir os passos e estratégias anteriores será um grande erro.
Há também uma força incompreensível que nos atrai àquela espiral. Para cada alma existe um valor, um sentimento, uma motivação. Negar é fatal, absorver é doloroso e preciso.
Não passa de um grande paradoxo. Nascer em um corpo frágil, com alma fértil e coração sob constante alerta. A mente? A mente está cega e surda.
Como ser consciente num corpo cuja mente está em descompasso?
Em novos tempos, as palavras também mudam, se reconfiguram. Orações são vistas com pieguice e fraqueza. Contudo, o seu sentido jamais será esvaziado. A partir de agora, considere suas preces sob nova roupagem. Chame-as de Conexões.
São tantos os links disponiveis. São inúmeras tentativas falhas ou vazias em seu conteúdo, mas há de se tentar um recurso de busca ainda mais apurado. O Instinto.
Desabilite suas vacinas e interaja com o agressor. Reconheça seus mecanismos de funcionamento, sofra as alterações necessárias, mas não se esqueça de que o suposto agressor também carregará consigo uma parte do que é seu.
Qualquer corpo pede equilíbrio dos elementos vitais para permanecer sólido. Reaja!
Não esqueça de que para avançar em direção à espiral, jamais deixará suas conexões com o passado inerte.
Aprenda com os erros e fuja da gravidade!
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Quem responde isso?
Sufocada entre os cobertores. Acordando vez e outra com as comemorações da semi-final de um campeonato qualquer de futebol, cerro os olhos na esperança de que a mente também descanse.
Mas a mente não descansa! Que pedido absurdo é esse?
Enquanto os vizinhos gritam e insultam uns aos outros na ocasião de um gol, atrapalham uma frase, uma comparação, uma ação provável. Teoricamente, deveria estar dormindo. Meus olhos estão fechados!
Exploro o segundo travesseiro, o cheiro bom de amaciante na roupa de cama que acaba de ser trocada. Eu só quero que ele me responda: "Onde está a autonomia?".
Aqueles olhos nunca me responderão. Às vezes penso que aquelas mãos jamais tocarão novamente a minha face. Quiçá, apontarão em minha direção...
Que conclusões posso ter depois de um diálogo entre um mudo e um cego?
Uma semana a mais, uma semana a menos... NÃO TENHO RESPOSTA ALGUMA!
Aquela ampulheta que deixa correr sua areia de um lado a outro de maneira sedutora e hipnotizante esconde o velho segredo do tempo.
Todos querem saber do segredo, mas ninguém aceita ouvi-lo. Sabe por quê? Ele também nos exige resposta a uma pergunta muito simples: "O que você anda fazendo com o seu tempo?".
Mas a mente não descansa! Que pedido absurdo é esse?
Enquanto os vizinhos gritam e insultam uns aos outros na ocasião de um gol, atrapalham uma frase, uma comparação, uma ação provável. Teoricamente, deveria estar dormindo. Meus olhos estão fechados!
Exploro o segundo travesseiro, o cheiro bom de amaciante na roupa de cama que acaba de ser trocada. Eu só quero que ele me responda: "Onde está a autonomia?".
Aqueles olhos nunca me responderão. Às vezes penso que aquelas mãos jamais tocarão novamente a minha face. Quiçá, apontarão em minha direção...
Que conclusões posso ter depois de um diálogo entre um mudo e um cego?
Uma semana a mais, uma semana a menos... NÃO TENHO RESPOSTA ALGUMA!
Aquela ampulheta que deixa correr sua areia de um lado a outro de maneira sedutora e hipnotizante esconde o velho segredo do tempo.
Todos querem saber do segredo, mas ninguém aceita ouvi-lo. Sabe por quê? Ele também nos exige resposta a uma pergunta muito simples: "O que você anda fazendo com o seu tempo?".
domingo, 25 de abril de 2010
Segredo!
Já não há mais segredo.
Vendo minha alma ao tempo.
Este me fará reviver e fazer recortes sagrados.
Em troca, não sei o que levará de mim.
Saudade,
Sigilo,
Solidão...
Silêncio!
Entrego tudo isso nos braços do tempo com laços vermelhos
Quero construir outro segredo
Porque aquele já não existe mais
Vendo minha alma ao tempo.
Este me fará reviver e fazer recortes sagrados.
Em troca, não sei o que levará de mim.
Saudade,
Sigilo,
Solidão...
Silêncio!
Entrego tudo isso nos braços do tempo com laços vermelhos
Quero construir outro segredo
Porque aquele já não existe mais
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Copiosa prece, ansiosa pressa
Tenho aquele amor.
Invisível, indireto,
improvável e impalpável.
Nem por isso deixa de ser amor
O amor que não tem nome
O amor que cativa
O amor que dá vida.
Imagino a pele
Imagino o orgasmo
Imagino a luxúria
Imagino o abraço
O platônico,
o sem nome,
não sai do travesseiro
não tem carne.
Prece constante
Pressa em torná-lo real.
Invisível, indireto,
improvável e impalpável.
Nem por isso deixa de ser amor
O amor que não tem nome
O amor que cativa
O amor que dá vida.
Imagino a pele
Imagino o orgasmo
Imagino a luxúria
Imagino o abraço
O platônico,
o sem nome,
não sai do travesseiro
não tem carne.
Prece constante
Pressa em torná-lo real.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Você diz
sábado, 3 de abril de 2010
Anjos e taças
Tudo ao avesso! Quando púbere consolava minhas horas de solidão mentalizando anjos e sua presença envolvente. Sentia-me por alguns instantes mais próxima da paz. Algo que ainda não sabia bem o que significava, pois ainda não conhecia o conflito. Sentia-a em sua plenitude e calor.
Perto dos trinta, conheci um líquido que me anestesia. Coloquei-o em uma taça para que o ato de ingeri-lo pudesse assumir um certo requinte, melhor ainda, um ritual.
Celebro a vida gotejante e espessa. Celebro o tempo que não compreendi o que deseja tanto me ensinar. Celebro àquela cadeira de balanço que conheci na infância e hoje entendo o por que desse ir e vir. Há prazer, há contemplação, não há pressa.
Não desejo eternizar a dor das horas, quero apenas desfrutar daqueles pequenos segundos de paz continuamente. Deveria ser uma regra: a prorrogação dos orgasmos e a inexistência da ressaca.
Atriz nas coxas
Agora que todos os convidados foram embora, que a embreaguês nos consome e o silêncio nos consola, retire tua máscara de menina e vista a fantasia que mais gosto.
Intensifique e prorrogue. Faça-o como quiser, mas vista a fantasia e a sua personagem que. com exclusividade. terei por mais uma noite. Você tem o controle agora, contudo, não me faça aplaudir sua atuação ao final do espetáculo.
Intensifique e prorrogue. Faça-o como quiser, mas vista a fantasia e a sua personagem que. com exclusividade. terei por mais uma noite. Você tem o controle agora, contudo, não me faça aplaudir sua atuação ao final do espetáculo.
quarta-feira, 31 de março de 2010
Visita inconveniente
Quem disse que quero seguir teu caminho? Nem adianta atordoar meus pensamentos enquanto durmo porque sei bem que, por mais difíceis que as coisas sejam por aqui, manusear tuas armas não me fará melhor.
Tua força pode até me manter sem ação por alguns instantes, mas carrego em meu peito uma ponta de esperança de que poderei fazer o melhor que puder daqui em diante.
Não deposite em mim tua fraqueza e angústia. Não me asfixie, tuas mãos já tiveram força um dia, hoje não passa de vulto fúnebre.
Reconheça tua condição, já esteve por tempo demais a me perturbar. Não tenho pena de ti e não mudarei meus planos novamente. Reconheça tua essência, junte-se aos teus... me deixe em paz!
terça-feira, 30 de março de 2010
Alagamento
Estive hoje no transito caótico durante o temporal e claro, deparei-me com diversos pontos de alagamento. Passei por muitos deles sem ter consciência do quanto a água poderia afetar o motor do meu carro. Regrinha básica: engate a primeira, respire fundo e vá com calma.
Quem dera transferi-la ao meu coração. Antes de seguir, gostaria muito de poder sair do carro e medir a profundidade em que meu veículo poderia atravessar. Tomada pelo impulso desejei atravessar o grande lago que se formou naquele cruzamento, mas ao ver de longe carros maiores do que o meu enguiçando, resolvi mudar o curso e fazer uma conversão proibida.
Se pudesse voltar atrás, se pudesse desfazer as fantasias que se enredaram em minha mente, talvez não teria meu coração bloqueando o cruzamento da altoestima, muito menos imerso nestas lágrimas que já não pedem mais licença para escorrer: transbordam simplesmente.
Quer situação mais ridícula do que enfrentar um alagamento sabendo que não poderá atravessá-lo? Assim como temos impulsos para a defesa de nosso patrimônio ao fazer manobras arriscadas ou proibidas, deveríamos também cuidar um pouco mais dos nossos sentimentos.
Consegui chegar em casa após o congestionamento e uma parte de mim ficou perdida em algum lugar por aí.
terça-feira, 23 de março de 2010
Contabilizando
Vivo em alguns metros quadrados. Trabalho a poucos quilômetros daqui. Meu restaurante favorito está mais distante do bolso do que de minha casa. A música que desejo ouvir agora depende apenas da velocidade de minha conexão para que possa tê-la em meu acervo. Dois travesseiros e fronhas limpas são o suficiente para me deixar confortável. Depois de 15 anos vivendo num mesmo espaço, resolvi contar os azulejos do box para não pensar em mais nada enquanto tomo banho. Tive a oportunidade de conhecer mil histórias vividas por uma só pessoa e mil pessoas que não foram capazes de dizer nada sobre elas. Às vezes tenho a sensação de que sou a última a acreditar na transparência dos atos e a primeira a esquecer o quanto dói não ser retribuída. Já pensei em inventar uma máquina que pudesse calcular a intensidade de minhas paixões, assim não investiria meus pensamentos às cegas correndo o risco de sofrer decepções. Três latas de cerveja são capazes de me provocar ressacas profundas. Pergunto-me se a força do pensamento é capaz de provocar arrepios em outra pessoa. Já viajei trinta horas para desfrutar da luxúria, pura e simples, por vinte e quatro. Esperei dez anos para que o "verdadeiro amor", concebido ainda na adolescência, batesse à minha porta. Caminhei mais de 80km ininterruptamente em busca de paz, mas só a encontrei tomando alguns analgésicos para dores musculares. Contabilizei a profundidade dos abismos que me separaram das pessoas que elegi para amar; aprendi que se permanecer por muito tempo no escuro, perco as referências e não consigo chegar do outro lado: ambos devem se esforçar para superar a distância. Não fui necessariamente bem sucedida nas poucas tentativas que fiz, mas já penso em fazer um curso rápido de engenharia para construir todos os tipos de pontes. Se há algo mágico na contagem do tempo, esta seria a repetição dos algarismos, 23h23, é o melhor minuto do dia e não sei dizer o por quê. Três gotas do meu perfume favorito preenchem minha autoestima muito melhor do que o manequim reduzido. Já li um livro inteiro em uma só noite e até hoje, este mesmo livro ainda é referência para preencher o vazio de quinhentas outras. Estou há dias contabilizando tudo o que possa passar pela minha mente e não tenho resposta para uma única questão: quanto tempo levaria para explicar a real importância de determinada pessoa em minha vida?
Assinar:
Postagens (Atom)



