Passou-se mais um ano. Nem carta escrevi para o desgraçado, esperei a sorte. E a sorte não veio! Pior que isso, ao voltar para a casa de mãos vazias, percebi que todos os tapetes de minha casa haviam sido removidos. Imaginem um ambiente aparentemente em ordem que, misteriosamente, virou de ponta cabeça. Onde haviam tapetes, brotaram toda a sujeira que joguei alí durante anos consecutivos.
Minha reação não poderia menos revoltante que antes. Xingar o velho caduco parecia pouco. Por que comigo? Há tantos escondendo dinheiro em cuecas, desviando dinheiro de remédio para comprar carro importado, por que EU deveria mexer naquelas feridas expostas sem o apoio de ninguém?
Depois de tanto tropeçar nos objetos velhos, anotações antigas, poeira e foligem percebi a necessidade da vassoura, pá de lixo e o esfregão. Minhas mãos e joelhos agora estão esfolados, mas a casa está limpa! Confesso estar desconfiada ainda e decidi não escrever nenhuma carta para o velho metido a boa praça novamente.
De uma coisa eu sei: fui uma boa garota e fiz toda a lição de casa no último ano. Agora só depende dele.
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