Sufocada entre os cobertores. Acordando vez e outra com as comemorações da semi-final de um campeonato qualquer de futebol, cerro os olhos na esperança de que a mente também descanse.
Mas a mente não descansa! Que pedido absurdo é esse?
Enquanto os vizinhos gritam e insultam uns aos outros na ocasião de um gol, atrapalham uma frase, uma comparação, uma ação provável. Teoricamente, deveria estar dormindo. Meus olhos estão fechados!
Exploro o segundo travesseiro, o cheiro bom de amaciante na roupa de cama que acaba de ser trocada. Eu só quero que ele me responda: "Onde está a autonomia?".
Aqueles olhos nunca me responderão. Às vezes penso que aquelas mãos jamais tocarão novamente a minha face. Quiçá, apontarão em minha direção...
Que conclusões posso ter depois de um diálogo entre um mudo e um cego?
Uma semana a mais, uma semana a menos... NÃO TENHO RESPOSTA ALGUMA!
Aquela ampulheta que deixa correr sua areia de um lado a outro de maneira sedutora e hipnotizante esconde o velho segredo do tempo.
Todos querem saber do segredo, mas ninguém aceita ouvi-lo. Sabe por quê? Ele também nos exige resposta a uma pergunta muito simples: "O que você anda fazendo com o seu tempo?".
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