Iniciarei uma nova campanha em favor de mim mesma: cada vez que pensar em ouvir tua voz não recorrerei mais ao celular para mandar mensagens ou fazer chamadas que dificilmente serão atendidas. Em vez disso, procurarei um poema para ler. Aquela pilha de livros que aguarda pelo tempo que eu esperava tanto ter, me agradecerá por isto.
Sou consciente de que não é possível retirar tudo o que não me faz bem e jogar fora de uma só vez. Temos certeza de que esse vazio provocado pela ruptura seja ainda mais dolorido. Sabemos que é tempo de expandir-nos, de buscarmos novos caminhos e pensarmos que não é possível reviver ou nos prender às lembranças torpes de nossos dias mais felizes.
Tuas palavras serão substituídas por outras, de outras pessoas. Talvez ainda mais criativas e intensas que as tuas... Assim espero. Se não for assim, compro um livro de piadas, pois sei que você não tem o menor senso de humor.
Mostrando postagens com marcador confissões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador confissões. Mostrar todas as postagens
domingo, 25 de dezembro de 2011
Acordo literário
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Donjuanismo
Nenhum coração é incólume.
Se as frestas que você enxerga no meu
despertaram-te o desejo pela conquista
E se o trabalho de escavar esta aparente rocha
lhe parece demasiadamente emocionante,
Antes me permitir a tal jogo,
responda-me à uma questão somente:
"O que fará quando o objetivo for alcançado?"
Se as frestas que você enxerga no meu
despertaram-te o desejo pela conquista
E se o trabalho de escavar esta aparente rocha
lhe parece demasiadamente emocionante,
Antes me permitir a tal jogo,
responda-me à uma questão somente:
"O que fará quando o objetivo for alcançado?"
Marcadores:
confissões,
Poesia,
Tempero que virou post
sábado, 8 de outubro de 2011
Você: espelho
Descobri que nunca soube falar de você. É só revisar a quantidade de textos que comecei a escrever e jamais consegui encerrar nenhum deles.
Sustento algumas teorias sobre isso; uma delas está baseada nesse medo indescritível de expor todos os nossos erros... Ainda não sei o que fazer com eles. Quer dizer, eu sei: quero começar outra vez e acertar o passo. Que seja somente minhas cartas e eu. Já será um bom recomeço.
Descobri que pessoas como você deixam marcas profundas nos corações que permitem sua entrada. Tentei fugir para me proteger, mas fiquei porque sou viciada nessa dor ilusória das paixões sem destino. O erro foi meu, não seu.
Descobri que no lugar dos culpados, deve existir o perdão. O tiro saiu pela culatra, não deveria passar de encantamento. Somos responsáveis pelas consequências dos nossos atos, sendo eles positivos ou não.
Descobri que nunca te contei sobre um monstro que vive embaixo da minha cama. Ele se chama Abandono. Nasceu quando era muito pequena e mantemos uma relação bem delicada. Preciso consultar semanalmente um especialista para que eu possa me aproximar deste bicho horroroso. Sei que esta relação é um tanto complexa, mas fico feliz em entender o que me causa tanto pavor. Para falar a verdade, sonho com o dia em que possamos nos entender e ele procurar outro lugar pra viver. Já tenho até um nome para o que deverá substituí-lo: Acolhimento.
Descobri que, se não fosse por você, jamais teria buscado ajuda para expulsar este monstro, não saberia o caminho do auto-perdão, não entenderia o por que de tantas mágoas e também de não conseguir falar de você, pois não passa de uma projeção do que sou...
Você é uma outra história que (ainda) desejo muito conhecer.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Consentimento
Você aí de costas!
Mais uma vez concordaste comigo.
Consente: sente junto.
Fico feliz por isto.
Sofremos sozinhos as dores que
nem juntos deixaríamos de sentir.
Concordamos!
Estamos sós e ninguém mais
precisa saber como são
os demônios que pintamos
dentro d'alma.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Embora distante...
Foto: Emme
Pareço-me perdida? É apenas um disfarce.
Ainda sonho com o dia em que não precisarei
mais esconder de mim mesma todos os sonhos que,
mais esconder de mim mesma todos os sonhos que,
indiretamente, fazem-me caminhar.
Passos curtos, lentos, descalços, mas sempre na mesma direção.
Distância é algo muito relativo quando se tem, dentro de si, o mundo inteiro.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
A cena
É a cena mais patética de todas. Coisa mais ridícula de se fazer e pior, assumir publicamente que a fez. Algum analista poderia chutar, imediatamente, algum transtorno de alguma coisa ou o distúrbio de não sei o quê. Sua mãe já mandou aquela velha benzedeira - a mesma que lhe causava náuseas ao esfregar aqueles galhos de arruda e manjericão na sua testa quando era criança - ver se, por acaso, a coitada sofre de algum mal-agouro, quebrante, macumba ou encosto. Nada feito! Confessar teus pecados regados de luxúria e ambição à um padre não lhe renderiam lugar algum no Paraíso. Não há arrependimento. A cena, é de uma melancolia tão viciante que nem em sonho atreve-se a invertê-la. A cena é patética, porém, foi desta forma que guardou o que é mais precioso em seu coração.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Retrato
Nem sempre o que digo é o que realmente penso
Nem tudo o que penso pode ser, necessariamente, dito.
Verdades convencionadas:
Todas elas cabem num retrato!
Fotografias buscam a verdade do instante
O instante dos outros...
Poucos se atreveram a me retratar
Inconstância não tem enquadramento
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Saudadear
Num deslize, num lampejo de solidão é impossível não me lembrar de teus dedos percorrendo a pele e tua face estampando um tímido sorriso. Tão especial e único. Único! Bebo, conscientemente, na fonte da saudade com as letras do teu nome em relevo. Esta marca é o meu instrumento e com ele canto o único verbo que é meu: "saudadear".
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Uma crônica sobre Business e Educação Infantil
Neste último sábado, encontrei-me com um amigo músico que não via há muito tempo. Este encontro foi singular porque estávamos em posições bem inversas às de quando nos conhecemos há três ou quatro anos: ele compartilhando comigo a felicidade de se tornar professor de música em uma escola de Educação Infantil Bilingue e eu, negociando a viabilidade de um show com um dono de bar na Vila Madalena.
Imaginem só! Aquele "homão" sorrindo ao falar de suas experiências com os pequenos e o quanto se sentia privilegiado em poder descobrir, através dos olhos delas, um outro modo de enxergar a vida.
- "Canela, é muito engraçado isso! Você convive com as crianças e elas te ensinam um outro modo de nos relacionar com o mundo. Estou feliz!" - disse ele.
Enquanto o dono do estabelecimento foi atender um de seus funcionários, minha mente transitou entre as rodas de conversa e trabalho pela manhã, entre as atividades individuais, nas orientações para resolver um conflito na hora do parque e até (acreditem!) nas discussões entre os professores sobre qual desafio oferecer às crianças para que despertassem o interesse pela escrita ou mesmo ouvissem, minimamente, às orientações dos adultos.
Antes de sair do local (irritada porque não conseguia criar um diálogo consistente e fechar negócio com o empresário) dei um abraço no congueiro. Um dos gestos mais significativos que pude reaprender na Educação Infantil, na tentativa de agradecê-lo por me lembrar de um tempo em que as regras de um jogo ou "combinados" eram bem claros e deveriam ser respeitados até o final.
Todos passaram pela infância, mas poucos tiveram o privilégio de VIVÊ-LA mais do que uma vez!
Imaginem só! Aquele "homão" sorrindo ao falar de suas experiências com os pequenos e o quanto se sentia privilegiado em poder descobrir, através dos olhos delas, um outro modo de enxergar a vida.
- "Canela, é muito engraçado isso! Você convive com as crianças e elas te ensinam um outro modo de nos relacionar com o mundo. Estou feliz!" - disse ele.
Enquanto o dono do estabelecimento foi atender um de seus funcionários, minha mente transitou entre as rodas de conversa e trabalho pela manhã, entre as atividades individuais, nas orientações para resolver um conflito na hora do parque e até (acreditem!) nas discussões entre os professores sobre qual desafio oferecer às crianças para que despertassem o interesse pela escrita ou mesmo ouvissem, minimamente, às orientações dos adultos.
Antes de sair do local (irritada porque não conseguia criar um diálogo consistente e fechar negócio com o empresário) dei um abraço no congueiro. Um dos gestos mais significativos que pude reaprender na Educação Infantil, na tentativa de agradecê-lo por me lembrar de um tempo em que as regras de um jogo ou "combinados" eram bem claros e deveriam ser respeitados até o final.
Todos passaram pela infância, mas poucos tiveram o privilégio de VIVÊ-LA mais do que uma vez!
Marcadores:
Amigos,
confissões,
Filosofando,
Infância
domingo, 29 de agosto de 2010
Embrulho
Embrulhe-se comigo com ou sem palavras
Ajude-me a absorver cada gota salgada que brota de meus olhos
Assim, sem motivo:
Venha, embrulhe, envolva e absorva
Esta dor sem motivo
Este calor sem abrigo
Este pecado sem castigo
Esta solidão... esta solidão!
Embrulhe, leve-a daqui
Quero tanta coisa
E o que está ao alcance
É o que eu não quero.
Embrulhe meus dizeres
Entregue teu olhar
Devolva o que me roubou
Espante o nosso medo
Dá-me abrigo
Ajude-me a absorver cada gota salgada que brota de meus olhos
Assim, sem motivo:
Venha, embrulhe, envolva e absorva
Esta dor sem motivo
Este calor sem abrigo
Este pecado sem castigo
Esta solidão... esta solidão!
Embrulhe, leve-a daqui
Quero tanta coisa
E o que está ao alcance
É o que eu não quero.
Embrulhe meus dizeres
Entregue teu olhar
Devolva o que me roubou
Espante o nosso medo
Dá-me abrigo
sábado, 7 de agosto de 2010
Tomei coragem e mandei as cartas!
Num impulso, retomei os trechos de cartas que estavam publicadas aqui e outras em rascunhos em meu e-mail.
Foi a mesma sessão de sempre: lê, relê, treme de nervoso ao imaginar o destinatário lendo aquela quantidade de frases sem nexo... respira fundo e... "Enviar".
Passaram-se alguns dias. Sinto que formatar tantas memórias foi um ótimo exercício. Sinto que ao clicar em "Enviar", mandei meus pensamentos para um buraco negro, pois não houve nenhuma reação. N.A.D.A!!!
Dizem que devemos correr riscos. Já superei minha cota.
Foi a mesma sessão de sempre: lê, relê, treme de nervoso ao imaginar o destinatário lendo aquela quantidade de frases sem nexo... respira fundo e... "Enviar".
Passaram-se alguns dias. Sinto que formatar tantas memórias foi um ótimo exercício. Sinto que ao clicar em "Enviar", mandei meus pensamentos para um buraco negro, pois não houve nenhuma reação. N.A.D.A!!!
Dizem que devemos correr riscos. Já superei minha cota.
domingo, 1 de agosto de 2010
Escrevo cartas para quem não vai ler - Parte II
Já conheceu alguém com uma letra estampada na testa? Eu já! Aliás, quem nunca viu é porque ainda não olhou bem para o espelho. Sempre usamos estas letras de escudo ou, usam-nas como rótulos. Já que não posso livrar-me dela, somarei outras letras. Apenas uma não dará conta de revelar o que eu ainda nem sei o que existe embaixo dessa carne.
***
O som... a mistura, estranheza e curiosidade.
- "Quem será?"
- "Este 'quem' é múltiplo!"
- Será que, em uma destas parcelas, há a paciência? Afinal, para contar histórias, preciso de tempo para internaliza-las.
- Que história? Está louca? Volte e recolha-se. Não está pronta...
***
O som... a mistura, estranheza e curiosidade.
- "Quem será?"
- "Este 'quem' é múltiplo!"
- Será que, em uma destas parcelas, há a paciência? Afinal, para contar histórias, preciso de tempo para internaliza-las.
- Que história? Está louca? Volte e recolha-se. Não está pronta...
Marcadores:
Amor,
confissões,
Sarcasmo,
Saudade,
Viagem total
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Escrevo cartas para quem não vai ler - Parte I
Publicarei aqui uma série de textos soltos, que, por alguma razão, não chegaram ainda ao seu destinatário. Antes que eu morra engasgada, segue:
Um som diferente conseguiu penetrar aquela figura que, por hora, decidiu abandonar alguns arquétipos. Sem opção naquele momento, o ostracismo poderia ser o único ambiente que pudesse acolhê-la.
Já que estava à margem, por que não recriar seu próprio mundo? Por que não publicar uma das suas últimas doces memórias nas paredes escuras, das quais ninguém saberá quem escreveu, muito menos quem poderá ler?
Mas o som, aquele indescritível som, era sim um convite para buscar novos ares, novas histórias para contar. Da inconformada negação, germinou um perfume, um movimento... sabor!
Ora imaginem! Se caminhar durante o dia já era um grande risco, quem dirá trocá-lo pela noite? "Lembre-se, ninguém está disposto. Ninguém quer ser exposto. Recolha-se, não será bem vinda aqui".
Um som diferente conseguiu penetrar aquela figura que, por hora, decidiu abandonar alguns arquétipos. Sem opção naquele momento, o ostracismo poderia ser o único ambiente que pudesse acolhê-la.
Já que estava à margem, por que não recriar seu próprio mundo? Por que não publicar uma das suas últimas doces memórias nas paredes escuras, das quais ninguém saberá quem escreveu, muito menos quem poderá ler?
Mas o som, aquele indescritível som, era sim um convite para buscar novos ares, novas histórias para contar. Da inconformada negação, germinou um perfume, um movimento... sabor!
Ora imaginem! Se caminhar durante o dia já era um grande risco, quem dirá trocá-lo pela noite? "Lembre-se, ninguém está disposto. Ninguém quer ser exposto. Recolha-se, não será bem vinda aqui".
Marcadores:
Amor,
confissões,
Conflito,
desabafo
terça-feira, 20 de julho de 2010
Dia do Amigo
Adormeci exausta noite passada. Estava procurando algumas fotos que fiz em algumas baladas no início do ano e algumas pessoas andam cobrando em todas as redes sociais das quais participo. Confesso, esse tipo de cobrança me aborrece. Enfim... como num sopro ou um "auto-pedala-Robinho" decidi verificar todas as pastas que não possuíam nome definido para procurar as ditas cujas.
Para a minha surpresa, o que deveria ser uma tarefa chata, deu muito prazer. Quantos amigos e momentos maravilhosos pude retratar! Agora que estou aprendendo o básico do básico no photoshop, estou testando algumas ferramentas lá para fazer algumas montagens engraçadas. Aguardem!
Acordei perto das 8 da manhã com um maldito fusca (ou seria uma kombi?) tentando dar partida e subir a ladeira da minha rua. Confesso que emiti alguns xingamentos malemolentes e voltei a dormir. Afinal, minhas férias estão acabando.
Tomada a coragem para sair da cama, ligo o computador e vejo entre os TT's "#diadoamigo". Que coincidência! Adormeci diante de tantas faces queridas e hoje é o dia deles. De TODOS eles!
Hoje é o dia dos amigos com quem fiz meu primeiro piquenique no Parque do Ibirapuera.
Hoje é o dia dos amigos que me apresentaram o primeiro namorado e deram um jeito de driblar meus pais nos primeiros encontros.
Hoje é o dia dos amigos que me levaram a uma rádio para ser locutora por um dia.
Hoje é o dia dos amigos com quem tomei o primeiro porre de tequila.
Hoje é o dia dos amigos que me deram colo, abraço, sorriso e respeitosos silêncios.
Hoje é o dia dos amigos que nos ajudaram a enxergar a vida com outras cores, sabores e sons.
Hoje é o dia de todos os que participaram direta ou indiretamente do que eu sou e do que virei a ser.
Desejo também ter contribuído de alguma forma ao caminho de alguns. Afinal, acho que é essa a razão desse tipo de relacionamento.
Para a minha surpresa, o que deveria ser uma tarefa chata, deu muito prazer. Quantos amigos e momentos maravilhosos pude retratar! Agora que estou aprendendo o básico do básico no photoshop, estou testando algumas ferramentas lá para fazer algumas montagens engraçadas. Aguardem!
Acordei perto das 8 da manhã com um maldito fusca (ou seria uma kombi?) tentando dar partida e subir a ladeira da minha rua. Confesso que emiti alguns xingamentos malemolentes e voltei a dormir. Afinal, minhas férias estão acabando.
Tomada a coragem para sair da cama, ligo o computador e vejo entre os TT's "#diadoamigo". Que coincidência! Adormeci diante de tantas faces queridas e hoje é o dia deles. De TODOS eles!
Hoje é o dia dos amigos com quem fiz meu primeiro piquenique no Parque do Ibirapuera.
Hoje é o dia dos amigos que me apresentaram o primeiro namorado e deram um jeito de driblar meus pais nos primeiros encontros.
Hoje é o dia dos amigos que me levaram a uma rádio para ser locutora por um dia.
Hoje é o dia dos amigos com quem tomei o primeiro porre de tequila.
Hoje é o dia dos amigos que me deram colo, abraço, sorriso e respeitosos silêncios.
Hoje é o dia dos amigos que nos ajudaram a enxergar a vida com outras cores, sabores e sons.
Hoje é o dia de todos os que participaram direta ou indiretamente do que eu sou e do que virei a ser.
Desejo também ter contribuído de alguma forma ao caminho de alguns. Afinal, acho que é essa a razão desse tipo de relacionamento.
sábado, 17 de julho de 2010
Amor e lama no jardim da infância
E foi assim, de mãos dadas no parquinho da escola, que senti pela primeira vez o que vim chamar de cumplicidade depois de adulta. Era a única criança da escola que poderia encontrar fora dela. Claudemir, o único loiro de olhos verdes da escola. Sentava-se ao meu lado. Ele era meu amigo!
Infelizmente não me lembro do que é que brincávamos, muito menos se os encontros ocorriam com frequência. Sei que as lembranças não tem tempo exato, elas só permanecem! A companhia de uma criança da mesma idade que eu, fazia-me sentir diferente das outras.
Sei que fui muito bundona, não gostava (e não gosto) de me meter em encrenca e temia perder a amizade dos outros. Fazia tudo o que a professora pedia. Repetia, inúmeras vezes, as letras que me ensinara. Sentia-me bem assim.
***
Sempre tivemos problemas com o despertador aqui em casa, e foi num dia como esse: chuvoso, frio... quase remelento que escorreguei descendo uma das vielas próximas à escola. Sujei todo o conga branco. Nem o uniforme verde musgo salvou-me da trajédia (grega) e de quebra, tomei uns puxões de orelha de minha mãe.
Ela nunca foi muito boa nisso também: sofre daqui e desconta em algo que nada resolverá.
Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.
Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.
Atrasada, suja de lama, orelhas fervendo e um nó de arame farpado preso na garganta. Queria chorar... respirei e segui para a última cadeira, no fundo da sala. Não era o "meu lugar", mas o outro... aquele ao lado do meu amigo, tinha sido ocupado por outra menina.
Enquanto a professora foi buscar algo para ajudar-me a limpar a roupa, meu pesadelo ganhou um segundo capítulo:
- "ATRASADA! ATRASADA! ATRASADA!!!" - berraram meus coleguinhas, como numa torcida em um estádio de futebol.
O nó de arame farpado se transformou num ouriço inflado. Não aguentei a dor e chorei.
Tenho raiva desse dia até hoje! Tenho raiva de mim e vou dizer o por quê:
Quando a professora retornou à sala, vendo-me aos prantos perguntou o que havia acontecido e a sonsa aqui - com medo de não ter alguém para brincar na hora do recreio -, respondeu:
- Nada. Acho que a mesa está me apertando um pouco na barriga, só isso.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Amor de Anjo mais velho
Talvez, ser inexperiente, nos faça confundir os sentimentos. Talvez, este amor tão grande que sinto não se encaixe na categoria "platônica".
Sinto e sei que ele é real e recíproco, contudo, falta-me apenas amadurecimento para entender como o classificaria. E é esse amor assim,desclassificado, que carrego no peito, que incentiva-me a sonhar e continuar caminhando mesmo com medo.
Nunca foi necessária tua presença física; teu amor e proteção caminham sempre comigo. É como na letra d'O Teatro Mágico, o amor que nos envolveu é o de "Anjo mais velho".
Sinto e sei que ele é real e recíproco, contudo, falta-me apenas amadurecimento para entender como o classificaria. E é esse amor assim,
Nunca foi necessária tua presença física; teu amor e proteção caminham sempre comigo. É como na letra d'O Teatro Mágico, o amor que nos envolveu é o de "Anjo mais velho".
terça-feira, 6 de julho de 2010
Vultos
Há vultos que não se desprenderão jamais de suas imagens. Vejo diferentes vultos sobre um novo objeto a ser, teoricamente, descoberto. Vejo também receitas clássicas daquilo que nos atrai, novamente, à inércia. Do histórico que possuo, deveria estar ansiosa, apreensiva, sequiosa...
Não foi isso que ocorreu.
Estaria padecendo de algum distúrbio visual? Teria descoberto uma solução para o ceticismo? Só vejo a mistura do que atrai, inspira, reduz e fere...
Devolvo o presente à prateleira dos desejos ou enfeito minha estante de auto-flagelo?
Não foi isso que ocorreu.
Estaria padecendo de algum distúrbio visual? Teria descoberto uma solução para o ceticismo? Só vejo a mistura do que atrai, inspira, reduz e fere...
Devolvo o presente à prateleira dos desejos ou enfeito minha estante de auto-flagelo?
sábado, 26 de junho de 2010
Revendo escolhas - I
Assisti, no início desta semana, a uma reportagem em um programa "Teen" na TV Cultura que discutia os cuidados que um jovem deveria ter ao escolher sua carreira. Reduzi o volume do som autofalante no computador e aumentei o da TV instintivamente. Até dei risada de mim mesma: "Estou beirando os trinta! Isso não deveria me interessar mais, né?".
Ignorando minha sessão de auto-sarcasmo, prestei atenção à toda matéria e o que me chamou a atenção foi o depoimento de uma garota de 18 anos dizendo que aquele momento era muito importante para ela, pois tratava-se de uma decisão que determinaria todo o seu futuro. A coitada não me disse nenhuma novidade até aí, mas confesso ter usado novamente de sarcasmo ao falar com o aparelho: "Se liga, doida! Daqui dez anos pensará em outra coisa para fazer. Relaxa, sempre há um jeito de mudar de rumo".
Será mesmo? Até perdi o sono depois disso. Corri para a cozinha, abri a geladeira (por que sempre procuramos resposta dentro de um objeto que serve para resfriar alimentos, hein?), nada para beliscar e um restinho de Coca-Cola sem gás.
Nem o refrigerante insosso pôde responder. Todavia, a (mal)dita reportagem serviu de alavanca para abrir um baú de memórias: quando foi mesmo que optei pelo magistério?
Duas profissões sempre fizeram parte do meu imaginário infantil. Uma delas é ainda um enigma. Acompanhava religiosamente os programas do Chacrinha, sonhava em voar naquela espaçonave de última geração com a Xuxa e desfilava pelo quintal cantarolando "Manequim" do grupo Dominó.
Engana-se aquele que pensa que eu fico envergonhada ao contar isso. Não adianta negar o passado, pois sei que algum dia meus tios vão retirar a poeira de seus arquivos VHS e provar o quanto era "aplicada" nas festas de família.
Recordo-me de duas promessas: "Se teu pai conseguir logo um emprego, você entra no balé" e "Procure um curso de teatro que não seja muito longe ou caro e vamos ver o que podemos fazer". Adultos deveriam entender o que isto realmente significa para quem tem menos de 10 anos de idade!
Não os culpo. Eu quem deveria ser mais decidida, contudo, optei pela reprodução dos modelos que conhecia bem. Aos 12 já recebia uns trocados para cuidar das filhas de minha vizinha: lousa na parede, folhas de um caderno e o bom e velho "ditado". A mãe jurava que as meninas estavam melhores na escola e eu, convencida de que era muito boa professora. Mas o que realmente importava era "aquela" caneta colorida com cheirinho de chiclete fazendo parte do meu acervo no estojo escolar! Estava rica!
Decidir pela minha profissão foi, portanto, muito fácil: opte pelo que poderá dar retorno o quanto antes, caminhe com suas próprias pernas e, se sobrar tempo, dance!
Vejam só, quanta ironia! De que retorno estava falando?
Aos 18 anos eu não sabia o significado de "efêmero", "controverso" e "pioneirismo".
Ignorando minha sessão de auto-sarcasmo, prestei atenção à toda matéria e o que me chamou a atenção foi o depoimento de uma garota de 18 anos dizendo que aquele momento era muito importante para ela, pois tratava-se de uma decisão que determinaria todo o seu futuro. A coitada não me disse nenhuma novidade até aí, mas confesso ter usado novamente de sarcasmo ao falar com o aparelho: "Se liga, doida! Daqui dez anos pensará em outra coisa para fazer. Relaxa, sempre há um jeito de mudar de rumo".
Será mesmo? Até perdi o sono depois disso. Corri para a cozinha, abri a geladeira (por que sempre procuramos resposta dentro de um objeto que serve para resfriar alimentos, hein?), nada para beliscar e um restinho de Coca-Cola sem gás.
Nem o refrigerante insosso pôde responder. Todavia, a (mal)dita reportagem serviu de alavanca para abrir um baú de memórias: quando foi mesmo que optei pelo magistério?
Duas profissões sempre fizeram parte do meu imaginário infantil. Uma delas é ainda um enigma. Acompanhava religiosamente os programas do Chacrinha, sonhava em voar naquela espaçonave de última geração com a Xuxa e desfilava pelo quintal cantarolando "Manequim" do grupo Dominó.
Engana-se aquele que pensa que eu fico envergonhada ao contar isso. Não adianta negar o passado, pois sei que algum dia meus tios vão retirar a poeira de seus arquivos VHS e provar o quanto era "aplicada" nas festas de família.
Recordo-me de duas promessas: "Se teu pai conseguir logo um emprego, você entra no balé" e "Procure um curso de teatro que não seja muito longe ou caro e vamos ver o que podemos fazer". Adultos deveriam entender o que isto realmente significa para quem tem menos de 10 anos de idade!
Não os culpo. Eu quem deveria ser mais decidida, contudo, optei pela reprodução dos modelos que conhecia bem. Aos 12 já recebia uns trocados para cuidar das filhas de minha vizinha: lousa na parede, folhas de um caderno e o bom e velho "ditado". A mãe jurava que as meninas estavam melhores na escola e eu, convencida de que era muito boa professora. Mas o que realmente importava era "aquela" caneta colorida com cheirinho de chiclete fazendo parte do meu acervo no estojo escolar! Estava rica!
Decidir pela minha profissão foi, portanto, muito fácil: opte pelo que poderá dar retorno o quanto antes, caminhe com suas próprias pernas e, se sobrar tempo, dance!
Vejam só, quanta ironia! De que retorno estava falando?
Aos 18 anos eu não sabia o significado de "efêmero", "controverso" e "pioneirismo".
Revendo escolhas - II
Acalmem-se, deixe-me explicar!
Não conhecia o significado de efêmero porque o prazer que se obtêm com a média de setecentos alunos/ano não corresponde às horas perdidas corrigindo avaliações.
Quando aluna, pensava que entregar uma avaliação em branco era o ápice da transgressão - jamais arriscaria tal façanha! Hoje, agradeço estes infelizes. Não serei agredida com informações sem nexo, frases mal formuladas, ortografia e caligrafia inexistentes. Afirmo que há provas em que preferiria receber em braile!
As controvérsias surgem quando, ao bater o sinal para o intervalo, alguns alunos dizem: "Mas já? Tava tão legal!"; "Nossa, professora! Eu nunca tinha pensado nisso!". Ok, confesso. Isso acontece uma vez por semestre, mas dá um gostinho mágico àquele que tenta segurar na garganta seus incontáveis pimpolhos.
Já me revoltei com um vendedor de "microfones da Madona" com um falante preso na cintura - segundo ele, era um produto exclusivo para professores, nas cores preto, branco e rosa.
Esbravejei sem titubear: "Quem disse que, para conquistar o respeito dos alunos, eu deveria aumentar o volume de minha voz?". O resultado? Estou com dois nódulos nas cordas vocais, não canto mais nem debaixo do chuveiro e sei que guardei o cartão daquele vendedor em algum lugar.
Sobre o pioneirismo? O significado desta palavra me vem ao paladar todos os dias. Não há nenhum artista assumido em minha família. Seguimos todos a mesma corrente operária, executamos serviços, vendemos nossas horas e não pensamos muito sobre isso para não enlouquecer.
Sinto que, neste ponto, eu consegui romper com as tradições.
Enlouqueci!
Chutei o balde!
Larguei tudo e saí correndo!
Corri e estou tão longe do que me trouxe aqui... É estranho voltar para casa. Já não me reconheço diante dos outros, muito menos em frente ao espelho. Falo sozinha e, às vezes, isso é engraçado. Até ouso expor algumas coisas que penso em palavras. Se alguém quiser ler, ótimo.
Pioneira serei, quando responder alguns dos meus enígmas nauseantes. Até as enumerei para ficar mais didático:
1° De que forma pendurarei meu avental sujo de pó de giz?
2° Será que estou velha demais para usar sapatilhas de dança pela primeira vez?
3° Há alguém nesse mundo que viva disso, somente?
4° Assumir, publicamente, minhas (des)organizadas hipóteses fará de mim uma pessoa menos confiável, insegura ou fraca?
Quando finalmente resolver estas (e outras) questões, desejo ter a certeza de que nenhuma decisão profissional tomada aos 18 anos será totalmente irreversível.
Não conhecia o significado de efêmero porque o prazer que se obtêm com a média de setecentos alunos/ano não corresponde às horas perdidas corrigindo avaliações.
Quando aluna, pensava que entregar uma avaliação em branco era o ápice da transgressão - jamais arriscaria tal façanha! Hoje, agradeço estes infelizes. Não serei agredida com informações sem nexo, frases mal formuladas, ortografia e caligrafia inexistentes. Afirmo que há provas em que preferiria receber em braile!
As controvérsias surgem quando, ao bater o sinal para o intervalo, alguns alunos dizem: "Mas já? Tava tão legal!"; "Nossa, professora! Eu nunca tinha pensado nisso!". Ok, confesso. Isso acontece uma vez por semestre, mas dá um gostinho mágico àquele que tenta segurar na garganta seus incontáveis pimpolhos.
Já me revoltei com um vendedor de "microfones da Madona" com um falante preso na cintura - segundo ele, era um produto exclusivo para professores, nas cores preto, branco e rosa.
Esbravejei sem titubear: "Quem disse que, para conquistar o respeito dos alunos, eu deveria aumentar o volume de minha voz?". O resultado? Estou com dois nódulos nas cordas vocais, não canto mais nem debaixo do chuveiro e sei que guardei o cartão daquele vendedor em algum lugar.
Sobre o pioneirismo? O significado desta palavra me vem ao paladar todos os dias. Não há nenhum artista assumido em minha família. Seguimos todos a mesma corrente operária, executamos serviços, vendemos nossas horas e não pensamos muito sobre isso para não enlouquecer.
Sinto que, neste ponto, eu consegui romper com as tradições.
Enlouqueci!
Chutei o balde!
Larguei tudo e saí correndo!
Corri e estou tão longe do que me trouxe aqui... É estranho voltar para casa. Já não me reconheço diante dos outros, muito menos em frente ao espelho. Falo sozinha e, às vezes, isso é engraçado. Até ouso expor algumas coisas que penso em palavras. Se alguém quiser ler, ótimo.
Pioneira serei, quando responder alguns dos meus enígmas nauseantes. Até as enumerei para ficar mais didático:
1° De que forma pendurarei meu avental sujo de pó de giz?
2° Será que estou velha demais para usar sapatilhas de dança pela primeira vez?
3° Há alguém nesse mundo que viva disso, somente?
4° Assumir, publicamente, minhas (des)organizadas hipóteses fará de mim uma pessoa menos confiável, insegura ou fraca?
Quando finalmente resolver estas (e outras) questões, desejo ter a certeza de que nenhuma decisão profissional tomada aos 18 anos será totalmente irreversível.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Barbas
De tão próxima, percebi que estava com a barba mal feita. Pude enxergar um dos pêlos cortados pela lâmina ainda preso sobre aquela face. "Devia ter feito com pressa", pensei. Subitamente, controlei as mãos e meus pensamentos vadios. Não era só um favor em livrar a pele de um fio; era também o favor de não tocar novamente naquele rosto. Possuo memória visual e tátil, não conseguiria encará-lo depois deste gesto, supostamente inofensivo.
Após despedir-me, vi em meu celular uma chamada perdida. Era daquele que não faz questão de manter-se barbeado. Aliás, usa uma máscara densa sobre a face; dá um toque másculo e o protege de sua sensibilidade praticamente incurável. Não é da pele que me refiro, a sensibilidade sob esta máscara é transeunte e inalienável. Sorte dele de se proteger desta forma opulenta. Sorte minha de tê-lo visto sem máscara e o enxergar assim, sempre. Azar o nosso de não usarmos isso em nosso favor.
Assinar:
Postagens (Atom)

