segunda-feira, 7 de junho de 2010

Barbas

De tão próxima, percebi que estava com a barba mal feita. Pude enxergar um dos pêlos cortados pela lâmina ainda preso sobre aquela face. "Devia ter feito com pressa", pensei. Subitamente, controlei as mãos e meus pensamentos vadios. Não era só um favor em livrar a pele de um fio; era também o favor de não tocar novamente naquele rosto. Possuo memória visual e tátil, não conseguiria encará-lo depois deste gesto, supostamente inofensivo.

Após despedir-me, vi em meu celular uma chamada perdida. Era daquele que não faz questão de manter-se barbeado. Aliás, usa uma máscara densa sobre a face; dá um toque másculo e o protege de sua sensibilidade praticamente incurável. Não é da pele que me refiro, a sensibilidade sob esta máscara é transeunte e inalienável. Sorte dele de se proteger desta forma opulenta. Sorte minha de tê-lo visto sem máscara e o enxergar assim, sempre. Azar o nosso de não usarmos isso em nosso favor.

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