quinta-feira, 30 de abril de 2009

Entre esmaltes, há história!

Desde o início do ano sabia que não seria fácil retomar as atividades escolares. Mas diariamente tenho algumas surpresas "boas" como esta:

Manicure, pés e mãos sendo tratados (até que enfim!) e alguns meninos estão jogando bola na rua. Um deles para em frente ao estabelecimento e me reconhece. Era um aluno da 6ª série. Daqueles inesquecíveis até para os professores mais relapsos, ou seja, o tal do "Joãozinho" de tantas piadas perde feio para esse bonitinho!

- Professoooooora! - falou abrindo um largo sorriso.
- Aluuuuuuno! - respondi meio sem graça, apesar de o menino ser terrível, imagina que vou lembrar o nome dele, ainda mais fora da escola!
- Eu tô jogando bola aqui, mas já fiz tua lição de casa, viu!
- Olha que ótimo! Porque hoje você não trouxe a que pedi na semana passada! - respondi.

Um analista de sistemas é gente fora do escritório, um artista plástico é gente fora do ateliê, um médico é gente fora do consultório, mas e o professor fora da escola? Continua sendo professor. Que raiva de ter feito esse comentário! Mas quando vi, já estava "atuando" mesmo com um dos pés dentro de uma bacia d'água e o outro com o calcanhar no colo da manicure para a sessão lixa.

Não deu cinco minutos e lá estava o mocinho sentado ao meu lado mostrando sua apostila com alguns dos exercícios que solicitei respondidos. Os que estavam ainda por fazer? Não resisti, aproveitei a monotonia do salão para explicar os assuntos dos quais ele não tinha compreendido.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Nâo te conheço...

Ainda não te conheço,
Não sei nada sobre você
Se é alto e magro, baixo e gordo.
Careca de cavanhaque ou cabeludo e barbudão.
Se faz o tipo intelectual ou porra louca.
Mesmo sem saber quem é,
Mesmo sem saber como age,
Já sei o que vou pedir:
Aqueça-me o coração,
Preencha este vazio.
Expulse esta sombra?

Ela já me acompanha há tanto tempo
que até nome já dei a ela: MEDO.
Ela chegou antes mesmo que me apresentasse.
E agora vive ao meu lado como uma parasita.
Consome todos os fios de esperança que tenho,
Impede que eu sinta calor novamente,
Esta sombra me faz fria.
Não quero mais conviver com ela.
Não demore, por favor!
Estou petrificando,
Sei que me reconhecerá,
E a você me apresento: sou Canela!