domingo, 30 de agosto de 2009

FDP

Tinha razão: não resisto às tentações. Tua imagem com uma determinada distância até que não me atinge. Mas hoje abusaste do tempo em que estivemos distantes e o teu sorriso de criança arteira misturada a de um grande cafajeste experiente sempre me induz ao erro.

Não consigo fingir que tuas mãos em nada me apetecem. E você já aprendeu o meu ponto fraco. Puxão de cabelo, não! Não faz isso comigo... Posso até esquecer que estou entre 300 pessoas e me atiro em teus braços. Não me provoque se sabe que não poderá arcar com as conseqüências.

De tanto te chamar de FDP, penso que sou eu um pouco mais que você. É claro que isso faz parte de teu caráter e eu ainda sinto tesão por isso.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Memória, promessa e desapego.

Quando os traços de teu rosto começam a sumir, busco teu perfil. Sorte que ainda não retirou todas as fotos ou sequer bloqueou o meu acesso a elas. Não sei se te agradeço por isso. Mas, preciso dizer sobre uma foto onde uma amiga em comum divide grandes momentos felizes ao teu lado. Que pontinha de inveja me dá. Queria eu estar no lugar dela.

Percebi desta vez que as fotos de tua "eleita" não estão mais disponíveis. Depois de tudo o que (não) aconteceu, nem sei mais se desejo sorte aos dois. Há momentos em que desejo paz em teu caminho. Que tenha realmente encontrado tranquilidade ao seu tempestivo coração. E agora, só queria saber se você conquistou o que desejo tanto pra você, quanto pra mim.

E, se por acaso tiver encontrado o caminho, gostaria de pedir para que me ensine. Sei que estou apegada à uma ideia de você. A tua ausência já é tão grande, que já não sei mais o quanto de ti dentro de mim ainda coincide com a realidade.

Se pudesse voltar ao tempo, não teria feito aquele pacto com alianças imaginárias antes de tua partida. Sei que os laços se desfizeram, mas minha memória às vezes me trai e me corrói. Odeio não cumprir as promessas que faço, não te espero mais. Entretanto, me vejo presa e incapaz de esquecê-lo definitivamente.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Roteiro do Prazer

Quem o vê assim disposto, falante, de bermudas, cantarolando pela casa, feliz por ter um incenso para adocicar o ar do ambiente e pronto para dividir algumas latas de cerveja, pode ter uma breve ideia do que deseja e, se conseguir, o silêncio e a apatia é fatalmente uma consequência.

Acontece que neste percurso fui surpreendida: além de poder matar as saudades que tinha de mim mesma - entorpecida por tuas palavras - fui agraciada por algo que já nem sabia mais se tinha o direito de vivenciar com simultaneidade, o prazer!

O reflexo dos estímulos de teu olhar rude e mãos ásperas, da minha necessidade de te servir e me impor, finalmente é a mistura entre o amargo e o doce puderam ser experimentados.

O que me impressiona ainda é o fato de o orgasmo provocar alguns sintomas bem opostos em nós. Você emudece, esfria e adormece. E eu? Eu sorrio, vigio teu sono e aguardo o próximo capítulo - mesmo que ele se encerre da mesma maneira sempre.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Dispenso título...

Amo descobrir novos personagens em mim.
Odeio esconder o que sinto.
Amo surpreender-me com manifestações de carinho, mesmo que singelas.
Odeio conter minhas mãos para não acariciar.
Amo dividir a preguiça numa tarde de domingo chuvosa.
Odeio não ter histórias pra escrever na segunda-feira.
Amo receber ligações de pessoas distantes, mesmo que seja para não dizer nada.
Odeio não ter assunto para ligar para quem me faz falta.
Amo viajar no tempo e nas lembranças com os versos de uma música qualquer.
Odeio não poder dividir minhas experiências com quem faz parte de mim.
Amo dançar com as palavras.
Odeio ser cortejada pelo silêncio.
Amo ser muitas e ao mesmo tempo única.
Odeio saber que nada do que sou se encaixará em você.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Livra-me de Preconceitos, Amém!

Escrever sobre putices, putarias e putas (enlatadas ou não) é um jeito que poucos encontram para encarar suas próprias fantasias. Sociedade louca esta que nos algema a estereótipos e padrões que boas "senhouras" devem seguir e, consequentemente, violentar a própria essência e a busca pelo prazer próprio, sem pudor.

Anos de subserviência e velhas queixas. Queimam sutiãs, mas não orgulham-se dos próprios peitos. Analisam por horas as próprias nádegas em busca de celulite, mas esqueceram pra que elas realmente servem. Buscam no parceiro fidelidade eterna, mas não se conformam com as imperfeições e verdades que dificilmente mudam com o tempo.

Os peitos caem, a bunda amolece e o prazer se esvai. De que serviu tanto preconceito, mesmo?

Puta Enlatada

- Puta enlatada? Como assim?

- Nunca viu? Não conhece nenhuma?

- Não, me explica isso direito!

- É o tipo de mulher pré-pronta: você abre, dá uma aquecida e come! Se sobrar alguma coisa, você pode guardar pra mais tarde ou sem dó dispensa na lixeira. Fácil!

- Ah, é? Onde consigo uma assim?

- Pegue aquela câmera alí e você vai achar rapidinho!

domingo, 23 de agosto de 2009

A Gente Aprende ou Vem de Fábrica?

O seu roteiro está cada dia mais compreensível. Já não me parece mais ter os olhos tão confusos quando o conheci. Teria eu aprendido com você ou só descobri em mim algumas aptidões até então inexploradas?

Se este processo puder ter efeito também em você, hoje trouxe uma surpresa: incenso de canela. Uma hora terá de deixar seu olfato um pouco mais adocicado para me dar livre passagem, não? Mas não se assuste, vamos aos poucos. Assim como fizeste comigo durante tanto tempo.

Entretanto, a dúvida permanece: a gente aprende ou já vem assim de "fábrica"?

sábado, 22 de agosto de 2009

Eu quase fui feliz

Sem mágoa ou questionamento lá estava eu caminhando feliz ao teu lado. As mesmas brincadeiras e os insistentes beliscões na cintura para vê-lo pular de cócegas. Imagina só! Um grandalhão de 1,95m, mais de 120kg dando pulos desajeitados no meio da rua!

Mas era assim que gostávamos de passar o tempo: brincando, sorrindo e planejando o futuro. Não sei dizer exatamente que caminho percorreu para chegar até aqui, muito menos para onde caminhávamos, sei somente que estava em paz.

No fundo sabia que deveria aproveitar este momento, era apenas um sonho. E eu quase fui feliz...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mentira doce...

Não, não sinto falta daquele dia em que o dono dos olhos verdes apagou todas as luzes de minha casa, me fez ouvir de olhos vendados "All I Want Is You" - U2 - pegou minhas mãos e me pediu para voltar aos braços dele. Devia ter uns 18 anos, nem sinto falta disso...

Não, não sinto falta daquele momento em que respirei fundo e empurrei aquele grande companheiro contra a coluna do ponto de ônibus e não dei outra chance a ele que não fosse de me beijar.

Não, não sinto falta daqueles goles de cerveja à mais que tomei, enquanto o colega ao lado só tomava suco de morango com leite e o garçon insistia em entregar os copos trocados.

Não sinto falta também daquele merengue que dancei pela primeira vez "bien apretao" com um estranho.

Não sinto falta daqueles olhos confusos que me seguiam pelos corredores e escadas que, de vez em quando, perguntavam o que eu gostava de fazer da vida.

Não sinto falta daquele sorriso tímido e olhos apertadinhos atrás dos óculos que insistia em me dizer o que devia fazer para ter uma vida mais saudável e equilibrada financeiramente.

Não sinto falta, nem sequer me recordo, daquela pele sensível e quente que me fazia esquecer do tempo quando o abraçava.

Não sinto falta das mensagens que recebia no meu celular dez minutos depois de ter me despedido daquele que me parecia confuso e interessante ao mesmo tempo.

Não sinto falta das marcas em minha pele depois de uma longa noite em claro com aquele estranho conhecido.

Não sinto falta daquele mocinho do interior que falava com o sotaque arrastado e insistia em me convencer de que o Woody Allen era um decadente.

Não sinto falta do caminhoneiro europeu que me ligava às 3 da manhã para dizer que estava nevando em algum lugar e gostaria de ter acordado ao meu lado, mesmo que ainda não me conhecesse pessoalmente.

Não sinto falta de quando diziam que era retrógrada e romântica demais e isso não combinava com os novos conceitos de amor na chamada pós-modernidade.

Agora eu posso dizer com toda certeza: não sinto falta alguma daquelas mãos que percorriam meu corpo juntamente com os olhos toda minha silhueta sob a luz de velas. Admirando-me como se fosse uma obra de arte ou um instrumento pronto para emitir sons de puro prazer.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Faxina

Há dias nublados como este em que favorecem uma certa reclusão e fazer uma faxina. Iniciei, claro, pelos entulhos que insisto guardar em inúmeras gavetas. Depois por peças de roupa que já não utilizo. Separei tudo e algo muito forte me impediu de jogar tudo fora.

Cada objeto inanimado carregado de sentimentos e memórias boas e outras nem tanto... Só eu poderia dar vida novamente a eles, mesmo que por alguns segundos em minha mente. Confesso que admiro aquelas cenas dramáticas de novela onde a mocinha resolve rasgar em mil pedaços as fotos daquele que a magoou. Há também a clássica caixa de devoluções, onde tudo o que pertence ao ex-parceiro de longa data é devolvida pessoalmente ou simplesmente encaminhada pelo correio (isso do Correio é verídico!).

Mas aqui não tem nenhuma foto, muito menos objeto que pertence a outro. São só recordações minhas! Não há como jogar fora algo de outras pessoas se nem isso elas tiveram o luxo de fazer: deixar marcas físicas em minha história. Foi aí que caí na real, a faxina de que tanto preciso deve vir de dentro pra fora (que piegas isso!). Levantar o tapete sem medo e varrer definitivamente aquele sorriso que me conquistou, aquele abraço carinhoso que veio sem eu esperar, aquele olhar de canalha que dizia exatamente o que precisava fazer, aquelas mãos ásperas que seguravam meus quadris, aquele beijo que já encaixou de primeira e, principalmente, aqueles olhos verdes que um dia voltarão pra me pedir perdão...

Só deixarei disponível aquela voz que sussurra "Canela, Canela..." aos meus ouvidos quando está prestes a gozar com o meu sabor, pois é de lembranças assim que nos fazem sentir inteiros novamente e seguir renovando nossas esperanças.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Frase de cabeceira dos "Cafas":

"Mulher dá mais trabalho após transamos com ela
do que para ser conquistada"
(Algum Cafa Anônimo)
Agora permanece o dilema latejando: Confirmo a tese ou faço de tudo para contrariar?

Jogos infantis

É como brincadeira de crianças, um prazer do qual havia esquecido qual o efeito surtira em meu corpo em outras ocasiões. Buscar teu olhar no meio de tanta gente e ao mesmo tempo esconder o meu. Estar com outras pessoas falando sobre tudo, mas o que desejei mesmo era dizer o quão sedutor pareceu esta pequena brincadeira.

Não queria ser "pega" com a força de teu olhar e sorriso tão estonteante. Perdida fiquei dentre tantas vozes. Impossível fingir naturalidade em um ambiente ainda desconhecido, com vivências tão ímpares. É como estar com os olhos vendados e sair tateando o ar para entender o que ocorre.

Há também o jogo de mímica, onde cada gesto seu pode ser lido e interpretado. O problema aqui é compartilhar dessa nossa brincadeira com outras pessoas. Pessoas estas que resolvem brincar de detetive e lançam questões teoricamente inocentes ou afirmações protecionistas apenas para confirmar suas hipóteses e dar sequência à investigação.

E eu, agindo como criança, digo "sim" com os olhos e tento dissimular como um adulto o "não".

domingo, 16 de agosto de 2009

Não deixe para amanhã...

Depois de dois dias tão intensos com a presença de amigos de longa data, lembranças doces, engraçadas e outras nem tanto queria nesta madrugada ter escrito tudo isso aqui. Apesar de o corpo implorar pelo bom e merecido sono, minha mente estava repleta de poesia, de comparações, de música e ritmos diversos e complementares. Havia também desejos a serem expostos, pragas para rogar, convites a se fazer, lembranças, pesadelos inexplicáveis... Todos estes elementos de mãos dadas e dançando uma ciranda em minha cabeça, procurando de alguma forma contagiar as mãos para que pudessem se desfiar em palavras, tecer novas frases e costurar-se em um ou diversos outros textos. Mas não o fiz. Deixei para a manhã seguinte.

Acontece que os travesseiros e almofadas das quais minha cabeça se deitou nesta noite absorveram a inspiração. Tudo o que estava pronto para ser descrito foi absorvido e sabe lá quando é que vou conseguir pescar estes pensamentos novamente de lá de dentro. Seria uma pena tudo isso se não tivesse dormido tão bem e acordado hoje com uma leveza no corpo e na alma como em poucas manhãs pude experimentar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ordem para o dia!

Pense,
decida,
programe,
adie,
faça,
pague,
verifique,
procure,
encontre,
disfarce,
dissimule,
anule,
escorregue,
levante,
copie,
leia,
corrija...
can......... se
DURMA!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Teu Segredo

No ponto certo: timidez e atrevimento muito bem medidas. Ternura e autoritarismo se revezam de forma que não consiga deixar de me envolver.Tens um segredo aí, permita-me conhecê-lo?

Como pode ter estes gestos e atitudes de criança curiosa e ao mesmo tempo, mostrar-se tão seguro do que deseja pra si e de mim? Voltei aqui por isto, sabia?

Achei esta mistura envolvente, Canela que sou, gostaria de acrescentar esta especiaria ao teu sabor. Mesmo não sabendo ao certo como é, e o que é o seu segredo, posso adiantar que você o utiliza muito bem.

Se esta mistura nos deixa saciados, isto será por pouco tempo. Logo estarei aí novamente, não mais para descobrir teu segredo, e sim, fazer parte dele.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Eu te avisei!

Não se apaixone por mim, mesmo sabendo que eu encontro a paz em teu olhar. Que tenha visto seu sorriso tímido transformar-se em lábios sempre prontos a me dar prazer, não se apaixone por mim.

Fico feliz com suas perguntas fora de hora, mesmo as que me deixam incomodado, pensativo ou surpreso, estou certo de que você não deve se apaixonar por mim.

Até mesmo naqueles dias em que sei que somente nos teus braços encontraria o perdão por todas as minhas faltas, orgulho ou egocentrismo. Não quero que se apaixone por mim.

Sei que virá ao meu encontro em qualquer hora do dia (e da noite) se, por acaso, desejar tua companhia por poucos minutos. Peço com toda minha alma: não se apaixone por mim.

É verdade que me impressiono com sua determinação e disponibilidade em ajudar aos outros sem grandes pretensões. Admiro demais isso em você, mas volto a pedir que não se apaixone por mim.

Por te achar uma pessoa aberta ao diálogo, disposta a encontrar soluções concretas aos problemas corriqueiros, seria perfeito isso se não desejasse teu amor por mim.

Dificilmente encontrará uma pessoa que possa te inspirar e transformar a dor em palavras. Outra qualidade que dificilmente encontraria em outra mulher, mesmo assim eu suplico: NÃO SE APAIXONE POR MIM!

domingo, 9 de agosto de 2009

Aprender e desejar...

Hoje me dei conta do quanto aprendi sem você. Aprendi que amar uma pessoa não significa, necessariamente, estar com ela o restante de meus dias. Aprendi que devo te amar incondicionalmente. Aprendi que mesmo casado, seguindo teu caminho, terei de respeitar suas decisões. Aprendi a preencher o grande vazio que deixaste em mim com a ajuda de diversas pessoas. Aprendi a viver o presente, sem cobrar o futuro. Aprendi que questionar não significa encontrar respostas. Aprendi a valorizar o tempo, a espera, a tristeza, a perda. Aprendi a perder, sem deixar para trás um grande dom que recebi de sonhar.

Desejo que ame, esteja, respeite, viva, cobre, questione, encontre, valorize, perca e sempre... SONHE!

sábado, 8 de agosto de 2009

La Vida és un Ratico - Juanes

Que cambie todo pero no el amor,
es la mision mas grande que tenemos tu y yo
en esta vida, que aprender, entender y saber
Porque estos tiempos son dificiles y es mas escaza a la verdad

Que cambie todo pero no el amor,
nuestra familia es más importante, ya lo sé
y la debemos proteger y volver a tejer

Porque estos tiempos son dificiles y es más escaza a la verdad
Porque estos tiempos son dificiles y estamos sentados tan lejos el uno del otro
Porque estos tiempos son dificiles y estamos atados de manos y corazón

No dejemos que se nos acabe que todavia hay muchas cosas por hacer
No dejemos que se nos acabe que la vida es un ratico, un ratico nada más
No dejemos que se nos acabe que vienen tiempos buenos y los malos ya se van, se van, se van...
Quedate tu....!!!

Por um fio...

O que será que pensa uma pessoa que vê tua vida alí, por um fio? Quando jovens, pensamos que temos "todo o tempo do mundo", mas e depois dos 70, 80 anos?


Cada dia não é só mais um, será então, menos um... E quando percebemos que durante toda nossa tragetória, desenvolvemos muitas qualidades, orgulhamo-nos de muitas conquistas, mas tudo o que lembramos é de quantas feridas estão abertas, outras cicatrizadas... mas a dor é a que fica. Quando jovens, a dor fica somente na memória, com o passar dos anos estas dores se materializam em câncer, hipertensão, diabetes, etc.


Visitando aquela ala hospitalar com tantos idosos totalmente vulneráveis e dependentes não só de um fio, mas de vários fios, senti-me também vulnerável. Uma vulnerabilidade estranha e contida atrás de sorriso, piadas repetidas e a dura constatação de que não estou preparada para perder meu grande e único fio que me liga ao passado.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Poda

Dizem que as primaveras devem sofrer para florescerem em abundância. Confesso que mesmo sem saber disso, eu deixei de regar algumas vezes, porém sempre estive disposta a buscar, mesmo em épocas que não haviam flores alí, inspirações e consolo para lembranças que não poderiam jamais ser revividas.

Indicaram uma pessoa para fazer a poda de alguns galhos já que estavam invadindo algumas janelas daquela construção fria e mórbida. Para o meu infortúnio e mais repleto desespero, cortaram-na em sua base.

Já não encontro consolo, não encontro sombra, não possuo flores para me despertar sorrisos maliciosos, muito menos "esquecerei" de regá-la. Do fino tronco que sobrou - ainda com raízes naquela terra seca-, dilacerado e sem vida virou o espelho o que sou agora: ferida aberta e exposta, sujeita a ressecar ou esperar melancolicamente uma nova florada.

Baunilha

Não é amargo, muito menos ácido.
Conquistou-me com certa ternura no olhar,
E com sutileza foste preenchendo meu paladar.

Assim como baunilha, que, em poucas doses
Faz toda a diferença naquilo que não podemos negar:
A sobremesa!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Visita Inesperada

Odeio sentir isso, mas sei que a Morte passou por aqui hoje. Não entendi muito bem o que ela me dizia, mas sei que estive nos braços dela. Uma forte vibração quente imobilizou-me, depois o ar começou a esfriar e meu corpo parecia não obedecer às ordens que dava para reagir.

Imobilizada fiquei por alguns instantes, até que este ar começou a mover os lençóis em que estava envolta. Quanto mais tentasse entender o estava acontecendo, mais distante ficara espírito e corpo. Juntei toda força dentro de mim e gritei: "Não me leve! Agora não!".

Um ar seco e frio tomou conta do meu quarto, lágrimas escorreram de meus olhos de súbito. Sabia que não era minha hora, mas ela passou por aqui para deixar seu aviso. Não devo continuar ignorando a presença dela.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Xirê

Na dança dos Orixás, sigo minha rotina:
Segunda-feira: "Laroiê, Eleguá" Danço o passo daquele que abre os caminhos para novas estradas, do brincalhão e sorrateiro Exú. Agradeço antes de tudo e sei que estará sempre disposto a ajudar nos momentos de grande decisão.
Terça-Feira: "Ogum Iê!"/"Arô Boboi, Oxumaré!" Se há algum infortúnio ou perseguição, sei que Ogum me protegerá. Abrirá meus caminhos, livrando-me dos inimigos visíveis, invisíveis e os de minha própria alma. Oxumaré trará alegrias e transformará meus pensamentos. Riqueza de espírito nunca me faltará.
Quarta-Feira: "Kaô Kabeciê Xangô"/ "Eparrei Oiá!" Das questões que me custem a ousadia e a ponderação ao mesmo tempo, sei que posso contar com estes dois Orixás. A sabedoria e justiça conferidas por Xangô e Iansã sempre me impulsionará a novos desafios, soprandAlinhar ao centroo aos meus ouvidos as palavras certas e o momento certo de agir.
Quinta-Feira: "Kokê arô, Oxossi!" Para que haja saúde e fartura, conto com o arco e flecha de Oxóssi. Alimento nunca me faltará à mesa. Agilidade e criatividade também estão presentes neste meu Xirê.
Sexta-Feira: "Exeu Epa BaBá" Obatalá, sem teu sopro de vida não teria movimento algum nesta terra. Serenidade e sabedoria para tomar as decisões corretas.
Sábado: "Odoiá Iemanjá"/"Orai ieu ieu, Oxum!" Meu Xirê não seria completo, sem a beleza das Iabás. Mesmo não possuindo filhos, que eu seja terna e haja com compaixão. Que estas qualidades tão admiradas, sejam em mim refletidas, pois ainda desejo intensamente viver o amor.
Domingo: "Bejé ó ró! La ô, Ibeji mi" De que me adiantaria tantas qualidades e bençãos se não encarasse os desafios do dia a dia com tamanha alegria? Ibeji, traga-me o espírito irrequieto e curioso que toda criança possui, só assim superarei tantos obstáculos. Há tanto por conhecer e viver, somente os olhos de uma criança poderiam dar a graça de reconhecer em coisas já velhas, mensagens novas.

*Imagem extraída do livro: Mitologia dos Orixás para Crianças de Reginaldo Prandi

E quando...

E quando dá vontade de bater em uma determinda porta sem qualquer aviso?
E quando o desejo de ter uma companhia é maior que o bom senso?
E quando sente vontade de chorar e o único disponível para secar tuas lágrimas é o travesseiro?
E quando não há notícia daquela pessoa, muito menos coragem para dar o primeiro passo?
E quando não respondem aos teus e-mails ou "saem da conversa" sem dizer adeus?
E quando lêem o que escreve com dor e angústia, a que tipo de conclusão chegam?
E quando a solidão toma conta de sua rotina e mal se consegue respirar?
E quando você revira teus contados buscando alguém para fugir da rotina, mas não encontra?
E quando navega na internet, mas não se sabe exatamente o que buscar?
E quando a ansiedade é mais forte e cigarro ou chocolate algum é capaz de tranquilizá-lo(a)?
E quando o tesão bate à sua porta e recordação alguma o ajuda a deixá-lo entrar?
E quando sente vontade de fantasiar histórias de amor, mas não encontra o segundo protagonista?
E quando programa ou companhia alguma é capaz de preencher o seu vazio?
E quando você ri de você mesmo, mas o desejo é voltar para o travesseiro e continuar chorando?
E quando você pensa que tudo isso é só problema seu e não consegue dar conta disso sozinho?


O que você faz???

domingo, 2 de agosto de 2009

Apenas um desabafo piegas...

Homem que usa mulher, é pegador;
Mulher que usa conscientemente um homem, é vulgar.

Por que raios você foge de mim se ajo contigo da mesma maneira que me ensinaste?
Tem medo de ser descartável, meu bem? Seja então bem vindo ao doce (amargo) mundo de Canela!

A palavra fidelidade com você por perto, existirá apenas em um dicionário velho.

sábado, 1 de agosto de 2009

Love rescue me - Tradução

Amor me salve
Venha adiante e fale comigo
Me levanta
E não me deixa cair.
Nenhum homem é meu inimigo.
Minhas próprias mãos me aprisionam
Amor, salve-me
Muitos estranhos tenho conhecido
Na estrada para meu remorso
Muitos perdidos buscam encontrar eles mesmos em mim
Eles me pedem para revelar
Os muitos pensamentos que eles esconderiam.
Amor, salve-me
E o sol no céu
Faz uma sombra de você e eu
Esticando como o sol afunda no mar
Estou aqui sem um nome
No palácio de minha vergonha
Eu disse,
Amor, salve-me
No espelho frio de um vidro
Vejo meu reflexo passar
Eu vejo as sombras negras do que eu costumava ser.
Eu vejo o roxo dos olhos dela.
O escarlate de minhas mentiras.
Amor, salve-me
Sim, entretanto eu caminho
No vale de minha sombra
Ainda, não temerei mal algum
Eu amaldiçoei as coisas que haviam
Eles não mais me confortam.
Amor, salve-me
Sha la la la etc.
Eu disse,
Amor, salve-me.
Sim, estou aqui sem um nome
No palácio de minha vergonha
Eu disse,
Amor, salve-me
Eu conquistei meu passado
O futuro está aqui, afinal
Eu permaneço na entrada para um novo mundo que eu posso ver
As ruínas à minha direita
Logo perderão de vista, a mim.
Amor, salve-me.

Raro (re)encontro

Ah! Que surpresa! Que bom que chegaste em tempo. Estava apagando a última vela de tantas outras que espalhei por aqui, gostou? Deixei tudo preparado para te receber, sem mágoas, sem ressentimentos... de alma lavada.

Tentei fazer com que este ambiente demonstrasse o quão limpo e tranquilo está o meu coração agora. Não precisa pedir desculpas pelo atraso, não vamos mais perder tempo com palavras que não nos levarão a lugar algum. Sei que com você o que mais importa é a ação. E hoje estou disposta a aprender isso.

Limpei tudo o que estava guardado em meu peito, quero começar tudo do zero. Leve, aberta para o que possa fazer aqui neste lugar o que bem entender.

Desejo novas recordações tuas, novos gestos que expliquem esta nossa habilidade (muito rara) de entender o outro só com os sentidos, mais nada. Fique aqui ao meu lado quanto tempo desejar, pois são raras as oportunidades em que um pode trazer paz ao outro e levar consigo a esperança de que tudo pode ter um recomeço.