sexta-feira, 30 de julho de 2010

Escrevo cartas para quem não vai ler - Parte I

Publicarei aqui uma série de textos soltos, que, por alguma razão, não chegaram ainda ao seu destinatário. Antes que eu morra engasgada, segue:

Um som diferente conseguiu penetrar aquela figura que, por hora, decidiu abandonar alguns arquétipos. Sem opção naquele momento, o ostracismo poderia ser o único ambiente que pudesse acolhê-la.

Já que estava à margem, por que não recriar seu próprio mundo? Por que não publicar uma das suas últimas doces memórias nas paredes escuras, das quais ninguém saberá quem escreveu, muito menos quem poderá ler?

Mas o som, aquele indescritível som, era sim um convite para buscar novos ares, novas histórias para contar. Da inconformada negação, germinou um perfume, um movimento... sabor!

Ora imaginem! Se caminhar durante o dia já era um grande risco, quem dirá trocá-lo pela noite? "Lembre-se, ninguém está disposto. Ninguém quer ser exposto. Recolha-se, não será bem vinda aqui".

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sabe o que é estranho?

Retornando para a minha casa outro dia, pensei sobre algumas situações que poderiam não ser estranhas e, por teimosia, surpreendo-me com elas.

O amor não é eterno. Ele nasce, cresce, amarga e morre. Se você não morrer com ele, parabéns!

Fagulhas de carinho alimentam, por décadas, o calor de um coração demente.

Estar satisfeito com algo parece burrice!

Conhecer pessoas, não significa que elas desejam conhecer você!

Todos os dias precisam dos mesmos minutos. Jamais deixarei de passar pelas 23h23 ilesa. 

Podemos mudar de opinião, sim. Basta  mudar de país e excluir seu perfil no Twitter.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Brigando com o sono

Dava socos no travesseiro como se ele fosse o culpado por esta cabeça cheia de pensamentos desconexos. Ouvi passos na cozinha, e depois, percebi que era a torneira necessitando um reparo. Volto para a cama, desta vez, rocei minha face sobre o travesseiro: "Quem sabe um pouco de carinho permitirá a chegada e a fluidez do sono?"

Mal pude sentir o peso benevolente das pálpebras e o alarme do carro soou. Levantei-me novamente e, com o auxílio da luz do celular, alcancei a chave e o alarme. "Meu surto de atividade cerebral beirando as 5 da manhã teria alguma influência sobre os sensores do automóvel? Não sei."

De olhos fechados, conseguia enxergar a movimentação por aqui. Haviam muitos desconhecidos; alguns eu trouxe, sem querer, dos caminhos que outro percorreu por mim. Eles me seguiram!

Quanta ousadia! Como pode vir dividir os cobertores comigo? Não sei quem era, não vi a face, senti apenas o cheiro. Não era estranho, deixei por alguns instantes que repousasse uma de duas pernas sobre as minhas.

Ahh! Não me chamem de louca! Dormi sim de "conchinha" com alguém que tinha peso, tinha cheiro, mas não revelou sua face.

Não era pesadelo, não era sonho. Vi três crianças sorridentes próximas aos meus pés segurando uma grande moldura. Era um espelho. Eu não me refletia nele, as imagens refletidas alí eram das mesmas crianças que o seguravam.

Enquanto sacudia os cobertores e expulsava o estranho sob as cobertas, uma delas confessou ser meu filho, eu sorri para ele e fiquei aliviada. O meu filho existe, em algum momento ou plano, mas existe!

***
Agora sim, o desejado sono fluiu e me transferiu para outros locais.

A arquibancada, esperando não sei o que, ao lado de minha mãe e avó.

O carro desgovernado. O controle dos freios.Pessoas que gostaria de dar carona caminhando pela calçada. Não sei dizer se elas aceitaram minha oferta.

Meu irmão estacionou o carro em local proibido. Embaixo daquela tempestade, haviam poucos lugares onde pudesse me esconder. Quase caímos naquele estacionamento alagado. Havia lodo por toda parte. Imaginem? Além das roupas molhadas, teria de conviver com a sujeira verde nas roupas? Quero sair daqui!

Não havia mais porta. Já não estava no supermercado. Se desejasse sair de um espaço para o outro, deveria passar sempre por aquelas janelas estreitas. Um esforço inacreditável... Precisei de ajuda algumas vezes para desentalar. Os quadris sempre ficavam presos.

Um sorriso, a alegria por ter passado por mais um obstáculo.

***

Dez da manhã o celular tocou. Era o barbudo desejando um endereço ou nome, não sei... Só sei que acordei cansada e dores fortes nos braços.

Dormir esta noite foi uma briga!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Verbo substantivo. Substantivo, verbo

Nunca o ato de conjugar os verbos me chamou a atenção.
Pretérito (sempre) imperfeito
Presente (?) e
Futuro do pretérito.

Acredite...a  vida é cíclica!
Buscaremos sempre um "futuro mais que perfeito"
E o perfeito estará sempre ofuscado pela poeira mórbida do passado.

Conjuguei vários infinitivos obedecendo uma lista de pronomes.
Um ato mecânico e vil...
Apavoro-me em conjugá-los no futuro.
Perdi a prática!

- Dêem-me licença, senhores acadêmicos!
Exijo uma reforma em nossa língua:
Transformo, a partir de agora, três substantivos em verbo:
Sucesso, sorte e vontade
(Talvez estes tenham algum sentido quando conjugá-los no futuro)
E suplico aos entendidos do palavrear que 
Apenas UM verbo se transforme em substantivo:

terça-feira, 20 de julho de 2010

Dia do Amigo

Adormeci exausta noite passada. Estava procurando algumas fotos que fiz em algumas baladas no início do ano e algumas pessoas andam cobrando em todas as redes sociais das quais participo. Confesso, esse tipo de cobrança me aborrece. Enfim... como num sopro ou um "auto-pedala-Robinho" decidi verificar todas as pastas que não possuíam nome definido para procurar as ditas cujas.

Para a minha surpresa, o que deveria ser uma tarefa chata, deu muito prazer. Quantos amigos e momentos maravilhosos pude retratar! Agora que estou aprendendo o básico do básico no photoshop, estou testando algumas ferramentas lá para fazer algumas montagens engraçadas. Aguardem!

Acordei perto das 8 da manhã com um maldito fusca (ou seria uma kombi?) tentando dar partida e subir a ladeira da minha rua. Confesso que emiti alguns xingamentos malemolentes e voltei a dormir. Afinal, minhas férias estão acabando.

Tomada a coragem para sair da cama, ligo o computador e vejo entre os TT's  "#diadoamigo". Que coincidência! Adormeci diante de tantas faces queridas e hoje é o dia deles. De TODOS eles!

Hoje é o dia dos amigos com quem fiz meu primeiro piquenique no Parque do Ibirapuera.

Hoje é o dia dos amigos que me apresentaram o primeiro namorado e deram um jeito de driblar meus pais nos primeiros encontros.

Hoje é o dia dos amigos que me levaram a uma rádio para ser locutora por um dia.

Hoje é o dia dos amigos com quem tomei o primeiro porre de tequila.

Hoje é o dia dos amigos que me deram colo, abraço, sorriso e respeitosos silêncios.

Hoje é o dia dos amigos que nos ajudaram a enxergar a vida com outras cores, sabores e sons.

Hoje é o dia de todos os que participaram direta ou indiretamente do que eu sou e do que virei a ser.

Desejo também ter contribuído de alguma forma ao caminho de alguns. Afinal, acho que é essa a razão desse tipo de relacionamento.

sábado, 17 de julho de 2010

Amor e lama no jardim da infância

E foi assim, de mãos dadas no parquinho da escola, que senti pela primeira vez o que vim chamar de cumplicidade depois de adulta. Era a única criança da escola que poderia encontrar fora dela. Claudemir, o único loiro de olhos verdes da escola. Sentava-se ao meu lado. Ele era meu amigo!

Infelizmente não me lembro do que é que brincávamos, muito menos se os encontros ocorriam com frequência. Sei que as lembranças não tem tempo exato, elas só permanecem!  A companhia de uma criança da mesma idade que eu, fazia-me sentir diferente das outras.

Sei que fui muito bundona, não gostava (e não gosto) de me meter em encrenca e temia perder a amizade dos outros. Fazia tudo o que a professora pedia. Repetia, inúmeras vezes, as letras que me ensinara. Sentia-me bem assim.

***
Sempre tivemos problemas com o despertador aqui em casa, e foi num dia como esse: chuvoso, frio... quase remelento que escorreguei descendo uma das vielas próximas à escola. Sujei todo o conga branco. Nem o uniforme verde musgo salvou-me da trajédia (grega) e de quebra, tomei uns puxões de orelha de minha mãe.

Ela nunca foi muito boa nisso também: sofre daqui e desconta em algo que nada resolverá.

Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.

Atrasada, suja de lama, orelhas fervendo e um nó de arame farpado preso na garganta. Queria chorar... respirei e segui para a última cadeira, no fundo da sala. Não era o "meu lugar", mas o outro... aquele ao lado do meu amigo, tinha sido ocupado por outra menina.

Enquanto a professora foi buscar algo para ajudar-me a limpar a roupa, meu pesadelo ganhou um segundo capítulo:

- "ATRASADA! ATRASADA! ATRASADA!!!" - berraram meus coleguinhas, como numa torcida  em um estádio de futebol.

O nó de arame farpado se transformou num ouriço inflado. Não aguentei a dor e chorei.

Tenho raiva desse dia até hoje! Tenho raiva de mim e vou dizer o por quê:

Quando a professora retornou à sala, vendo-me aos prantos perguntou o que havia acontecido e a sonsa aqui - com medo de não ter alguém para brincar na hora do recreio -, respondeu:

- Nada. Acho que a mesa está me apertando um pouco na barriga, só isso.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amor de Anjo mais velho

Talvez, ser inexperiente, nos faça confundir os sentimentos. Talvez, este amor tão grande que sinto não se encaixe na categoria "platônica".

Sinto e sei que ele é real e recíproco, contudo, falta-me apenas amadurecimento para entender como o classificaria. E é esse amor assim, desclassificado, que carrego no peito,  que incentiva-me a sonhar e continuar caminhando mesmo com medo.

Nunca foi necessária tua presença física; teu amor e proteção caminham sempre comigo. É como na letra d'O Teatro Mágico, o amor que nos envolveu é o de "Anjo mais velho".

domingo, 11 de julho de 2010

Caçando palavras

Chega-se a poucas conclusões quando os pensamentos se embaralham sobre o travesseiro. Cercar algumas frases e mandá-las para uma arapuca parece insanidade.

Imerso no caos, o pensante deve tomar coragem e abandonar os cobertores. Deseja, finalmente, registrar sua demasiada inquietação. Esforço inútil! A tela do computador espanta a melhor das frases, a melhor das declarações de amor e ódio. Creia: listas de supermercado também se dissolvem!

E agora o pensante, sem pensamento algum, voltará à sua cama antes que ela esfrie.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vultos

Há vultos que não se desprenderão jamais de suas imagens.  Vejo diferentes vultos sobre um novo objeto a ser, teoricamente, descoberto. Vejo também receitas clássicas daquilo que nos atrai, novamente, à inércia. Do histórico que possuo, deveria estar ansiosa, apreensiva, sequiosa...

Não foi isso que ocorreu.

Estaria padecendo de algum distúrbio visual? Teria descoberto uma solução para o ceticismo? Só vejo a mistura do que atrai, inspira, reduz e fere...

Devolvo o presente à prateleira dos desejos ou enfeito minha estante de auto-flagelo?