terça-feira, 9 de novembro de 2010

A cena

É a cena mais patética de todas. Coisa mais ridícula de se fazer e pior, assumir publicamente que a fez.  Algum analista poderia chutar, imediatamente, algum transtorno de alguma coisa ou o distúrbio de não sei o quê. Sua mãe já mandou aquela velha benzedeira - a mesma que lhe causava náuseas ao esfregar aqueles galhos de arruda e manjericão na sua testa quando era criança - ver se, por acaso, a coitada sofre de algum mal-agouro, quebrante, macumba ou encosto. Nada feito! Confessar teus pecados regados de luxúria e ambição à um padre não lhe renderiam lugar algum no Paraíso. Não há arrependimento. A cena, é de uma melancolia tão viciante que nem em sonho atreve-se a invertê-la. A cena é patética, porém, foi desta forma que guardou o que é mais precioso em seu coração.

Um comentário:

  1. Canela... Seus textos são intensos e me fazem pensar. Ver suas histórias pelos meus olhos me empurram para um exercício que há tempos não faço e nem queria fazer... Tentar ver as coisas pela ótica do outro... Sem saber da vida e da história da interlocutora.
    Melancolia viciante onde não há arrependimento...
    Sua página me impele ao concreto do vídeo e ao viajante texto ao lado: ...e as quem permitiu que eu fizesse parte de sua história também...
    Quem de perto não é Canela, picante e doce...

    Sutil viagem.

    Douglas

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