quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um remédio para necessidades diferentes

Refúgio
Fuga
Silêncio
Prazer
Tua presença,
teu clamor,
tua sutileza,
tua futilidade.
Minha necessidade
minha covardia,
minha solução.
meu combustível.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Final (in)Feliz

"Se duas pessoas se amam,
não pode haver final feliz." - Ernest Hemingway

O que se está em jogo aqui nesta pequena frase não é a sua veracidade e sim, o fato de que posso me considerar satisfeita, pois eu realmente amei e fui amada em algum momento. Isso justificaria tantos finais infelizes.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ampulheta e Correnteza

Sentir o amor escorrendo com o tempo como areia de ampulheta é doloroso demais, principalmente quando se tem certeza de que não se pode virar mais o objeto para ver, novamente, a mesma cena se repetir.

Areia, assim como o amor, não tem muita serventia se estiver aprisionado e com tempo determinado para esvaziar-se. Iniciamos um relacionamento já pensando nisso: em como ele acabará. Geralmente com um dos lados cheios - sabe lá Deus, do quê - e o outro vazio, inerte... oco.

Não sei como, mas lembrei de uma frase de uma amiga que representava meu ponto de equilíbrio até poucos anos atrás. Hoje - casada e feliz - segue outras rotinas das quais não me encaixo, mas isso fica para outro momento. Entretanto, o que me fez lembrar desta querida amiga foi o fato de ela dizer que amava determinada pessoa, simplesmente porque ela "trazia a leveza de um riacho". Um sentimento cristalino, consistente no formato, mas totalmente permeável e rico. Uma correnteza leve que trazia a paz que ela tanto almejava.

Sei que para viver sentimentos assim, há muito que abrir mão. Se estou preparada para isso, não faço ideia! Mas hoje, desejava uma correnteza leve envolvendo meu corpo. Nada de pensar que meu tempo é curto e que devo usar de todos artifícios para que "seja eterno enquanto dure".

Já joguei minha ampulheta de vidro no chão, logo o vento espalhará de vez o seu conteúdo. Que venha a chuva e carregue de vez esta areia, para longe ou, definitivamente, para dentro de mim.

sábado, 26 de setembro de 2009

Eu Tenho Pressa!

Mais uma vez perdida em uma das ruas de São Paulo. Desta vez num cenário diferente: uma tarde maravilhosa de sábado e uma amiga de "navegadora". Digo isso porque geralmente me perco sozinha (mesmo já conhecendo o endereço) e a maior parte das vezes já está tarde da noite.

Tanto trânsito para um sábado! Tanta pressa! Onde mesmo todas estas pessoas desejam chegar? Eu só precisava resolver alguns assuntos e observar o movimento urbano para me inspirar a novas ideias. Dar um gás em projetos antigos e retornar mais "oxigenada" ao meu casulo. De tudo o que conversamos entre uma rua e outra - ou entre os faróis vermelhos que acidentalmente esquecia de parar, pois me distraio facilmente conversando e pilotando - ficou esta frase martelando minha cabeça "Eu tenho pressa!".

Não digo a pressa de que chegue logo ao local marcado, devolta à minha casa, que o final do mês venha mais rápido para pagar as contas e voltar a ficar zerada ou mesmo que o garçom nos sirva logo a cerveja. Tenho pressa para saber o que será de mim e das pessoas que amo num período curto de tempo. Uns três, cinco anos, talvez. Não mais que isso, pois nunca soube fazer planos a longo prazo. Aos 17, 18 anos a gente sabe o que vai ser dali 4, 5 anos: formado. E quando já se está formado? Empregado? Sem namorado? O risco de cair nas lamúrias e encontros entre trintonas para falar mal dos homens é grande, bem como render-se aos livros de auto-ajuda - dos guias de bolso vendidos em caixas de supermercado, aos mais promissores best-sellers.

O que me fez voltar pra casa encafifada é uma pergunta ainda pior que essa: para ser alguma coisa daqui 3 ou 5 anos, o que preciso começar a fazer agora? E o que quero mesmo? Posso enumerar 300 coisas das quais eu não desejo nem para mim, muito menos para quem está próximo ao meu convívio, mas e o que eu quero?

Podem chamar isso de dilema piegas, que é fútil ou qualquer outra coisa. Mas voltei de barriga cheia com a pizza maravilhosa que comi e a cabeça com o dobro do peso da massa e calorias, constituida somente por pontos de interrogação. Mas eu tenho pressa! E ainda não inventaram antiácido que possa diluir as dúvidas que me consomem. Não há "suco gástrico" dentro de nossas mentes que possa digerir tantos dilemas. Só preciso de escolhas pequenas, concretas e, principalmente, de resultados. Eu tenho pressa!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Saldo da Semana

Pé na bunda + TPM =

1 jantar no japonês (sozinha!)
2 barras de chocolate meio amargo
1 lata de leite condensado com Ovomaltine - Quem não fez isso, experimente!
4 maços de cigarro - Não façam isso!
8 filmes locados (7 dramas e 1 comédia romântica)
2 caixas de lenço - chorar faz bem... pra fábrica de lenços de papel!
23 horas no msn seguidos pedindo socorro
80 fotos deletadas no Orkut - Que gorda eu estou!
35 vezes tocou "Why does my heart feel so bad" - Moby, seguidas
9 posts melodramátidos no Blog
10 velas acesas
1 caixa de incenso
10 vezes eu perdi o celular dentro de minha própria casa
300 xingamentos
1000 perdões
NENHUMA vergonha na cara! No mês que vem começa tudo outra vez!

Mantra

Prometo que confessarei a você e a quem mais interessar do quanto é bom sentir teu sabor amargo, e, em silêncio permanecerei, apenas para contemplar teu olhar furtivo e pensamentos obsenos. Confesso também o quanto me faz sentir bem quando observo teu sono tranquilo.

Mesmo que não possa tocar em você agora, sei que minha presença é constante sempre que repousa tua cabeça em seu travesseiro. Neste momento, repito meus tímidos gestos, meus intensos pensamentos afim de que possamos ter uma noite inteira de sono e a consciência de que amanhã teremos mais uma chance para consertar nossos erros.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Meio Fio e Calçada

Caminha com os pés paralelos, porém, cada um deles está em um mundo diferente. Assim como uma criança que anda com o pé direito no asfalto e o esquerdo no meio fio. No asfalto tudo parece muito previsível, inevitável e tradicional. Por algum momento até tentou caminhar tranquilamente por esta estrada, como em uma caminhada saudável nas manhãs de domingo. Mas isto não o deixou satisfeito, este caminho estável, motivo de anseio de muitos conhecidos e de sua própria família não traria os desafios que sua consciência almejava.

Voltou a titubear, manquitolar e até achar graça do sobe e desce entre calçada e asfalto. Assim seguiu, até que numa pequena distração, pisou em falso em um bueiro. Destes, cujas tampas traiçoeiras que os órgãos responsáveis insistem em não substituir. Apesar do aspecto repugnante e pouco visto por aqueles que só desejam caminhar no asfalto, sentiu uma estranha identificação. Enxergar o belo naquilo que é negligenciado passou a incomodar muitos que estavam ao seu redor.

Saiu deste bueiro quando já tinha entendido que aquele não era um lugar para se viver permanentemente. Desejava mais uma vez a luz em sua pele, o sabor suave das frutas, o direito de gargalhar com programas de TV. A partir deste momento, seu caminhar nunca mais foi o mesmo. Assim como os heróis gregos que, por algum motivo, caminhavam entre céu e inferno buscando respostas – e nem sempre as conseguiam da maneira como esperavam.

Carregava consigo os prazeres mundanos que só o inferno poderia proporcionar, mas um estranho clamor pela paz e equilíbrio das emoções o deixava ainda mais ausente com aqueles que viviam próximo dele nos dois mundos.

Após longos períodos de caminhada, parava de tempos em tempos para ver se seria possível abrir mão de um dos mundos que conhecera. Desejava a estabilidade, a auto-confiança, o perdão pelas faltas e, conseqüentemente a paz. Mas não tinha dois pés direitos. Verificou melhor os desafios que superou, os prazeres que vivenciou, os desejos que ainda não tinha realizado no lado obscuro e também pensou: “Não tenho dois pés esquerdos”.

Quanto mais pensava sobre a decisão a ser tomada, mais tempo parado ficava. Sombras e luzes o perseguiam de forma a torturá-lo na melhor parte do dia: o repouso. Defenderia a solidão promíscua e libertadora ou o conveniente, saudável e o socialmente correto?

Na tentativa de tomar um fôlego, corria até a janela mais próxima e verificava como outras pessoas decidiram seguir seus caminhos. Achava bizarro e, às vezes, muito interessante a maneira como algumas pessoas encontraram soluções criativas para o seu caminhar. Mas ele desejava algo um pouco mais original.

Depois de anos tentando se encaixar tanto em um mundo quanto em outro, havia dentro dele uma grande quantidade de frustrações pessoais e decepções daqueles que o amaram muito, a mágoa ainda era latente. Sentia que nunca conseguiria suprir as necessidades afetivas alheias, pois depositava toda sua energia na indecisão. Não podia se permitir abrir um duvidoso coração a qualquer um era o que tinha de mais precioso, era o único órgão que o impulsionava para os dois sentidos sem discriminação.

Até que um dia, assim como ele, encontrou outra pessoa que também descobriu a graça de se caminhar com um pé aqui, outro acolá. Uma série de encontros e desencontros permitiu a identificação imediata. Para algumas dúvidas, o outro teria algum conselho a dar, mesmo que não fosse com palavras. Um olhar desfocado ao nada, respondia muito melhor que qualquer outro gesto. Por mais que desejasse que ninguém seguisse teus passos, devia admitir que este não fosse um caminho exclusivamente dele.

Passou então a compreender o significado de “complementaridade”. Aquilo que mais tinha dificuldade em manifestar, esta outra pessoa já era o contrário. O tempo passou, muito se pode aprender com as ausências e as presenças. Dos medos e paranóias. Mas o que mais incomoda a estes dois é o fato de não exporem sob nenhuma condição os possíveis sentimentos atrofiados em seus respectivos corações vazios.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Foram só palavras

Tentei, juro que tentei olhar em teus olhos e dizer que senti muito em ter sido tão agressiva contigo. Excesso de canela dá nisso: amargura. Misturei personagens diversos, uns enclausurados e outros excessivamente promíscuos. Não soube muito bem o que fazer com tamanha tristeza e atirei justo em teus pés. Arrependimento? Talvez esta palavra não se encaixasse agora. Faço uso das palavras escritas para compreender melhor tantas falas, tantas opiniões. Você mesmo disse que "nem toda arte nos faz sentir bem".

Lidar com tantos "eus" e, ao mesmo tempo, tentar entender de que maneira posso chegar mais próximo de você e dizer que estou por perto e pronta pra te ouvir. Mas me calo. Não sei lidar com teus bloqueios, muito menos considero-me a pessoa mais indicada para tamanha tarefa. Mas só queria arriscar, e mais uma vez falhei.

Há tanto tempo que não uso ternura em meus gestos que pareço uma pedra de gelo. Sinto frio constantemente e não há chá verde ou cachaça que me esquente agora. Tentei dançar para esquecer da dor, mas o que fiz entre um rodopio e outro foi sorrir e chorar. Sorria em agradecimento, por te-lo assim, desta forma tão incomum e significativa em minhas muitas vidas. Chorava porque, no fundo, devia ser roteirista de novela mexicana.

Sempre soube lidar com as boas vindas. Mas estou longe de aprender a lidar com as despedidas. Todos que partiram, foram sem aviso prévio. Saíram à "francesa". Não fui eu quem decidiu despejá-los. A vida se encarregou de fazer isso por mim. Agora estou sem saber o que fazer com o grande vazio que o uso dos adjetivos compostos provocaram em mim.

Flor do Deserto

"Las flores más bonitas son las del desierto,
pues pintam de colores tu soledad" - Ruben Blades
Entre espinhos e esta terra ressequida, ainda invento cores para sentimentos tão meus. Compartilho com aqueles que estão por perto, mas nem sempre conseguirão compreender o tamanho da dor ou da beleza que enxergo entre tantas rochas e intempéries.
Pode vir com tua espada lampejante, cortar da raíz toda a beleza que posso expor. Pode pisotear sem pena o pouco de vida que ainda sai desta terra. Pode observar, mesmo que à distância, os fragmentos agora soterrados. Mas bastará uma gota de teu suor, uma lágrima de arrependimento para que possa novamente voltar a brotar sem nenhum aviso prévio.
Esta é a lei da vida: nascer nos lugares mais distantes e remotos. Colorir e cobrir territórios quase inóspitos, mas o objetivo é único e universal. Alguns a chamam de esperança, outros chamam de renovação, para os pessimistas soa como teimosia, mas eu não encontro palavra melhor que AMOR.

domingo, 20 de setembro de 2009

Canela na Janela

Só se tem consciência da realidade que nos cerca, quando alguém invade tua casa armado e te obriga a encerrar a festa, a desligar a máquina de lavar porque provoca ruído demais, a não sair ou chegar muito tarde em casa...

Mais uma vez a Lei Paralela vence e, em troca da própria vida, sujeitamo-nos ao silêncio. Alguém comprou minha liberdade, antes mesmo de ter consciência de que ela poderia um dia estar à venda. Recolho o lixo que jogam no meu portão, vejo o tráfico de todo o tipo de entorpecentes passando pela minha janela, os filhos do "dono" insistem em jogar bola contra o carro estacionado em frente a minha própria casa. Minha voz foi comprada, não posso denunciar. Não há Lei do Silêncio que convença estas pessoas ao bom senso quando há algo de muito importante para ser comemorado. E até prefiro nem saber o que comemoram, quem sabe assim esquecem um pouco dos seus súditos.

Penso agora no valor do meu trabalho e dos sonhos que construi. Desejei tanto poder mudar alguma coisa na vida daqueles que ainda eram pequenos, mas o que mudei foi minha rotina, o volume da música preferida, o número de convidados para reuniões em minha casa. Para a segurança de todos, recebo somente os virtuais.

Meu portal de fuga, é esta janela aqui. Abro somente as que me transportam para mundos bem diferentes deste em que sou obrigada a conviver fisicamente. A "Canela na Janela" tem vozes, tem vontades, tem sonhos, convive com pessoas próximas ao seu mundo fictício.

Fora da janela, volto a ser muda, surda, cega e sem muita opção de ser eu mesma.

sábado, 19 de setembro de 2009

Múltiplas interpretações

Minha caligrafia é tão feia quanto a profundidade da frase que pediu pra escrever em sua parede juntamente com as dos teus outros amigos. Nada de francês, inglês, alemão ou espanhol. Meu português será tão enigmático quanto às demais frases que deverá traduzir.


Procurei misturar meu pensamento arredio e agressivo com tuas inconsoláveis súplicas. A interpretação que seguir, dependerá somente de teu estado de espírito:


"Da Puta Enlatada, o perdão também

é uma virtude."

Se um dia puder somar todas as leituras, todos os fragmentos de textos que envio insistentemente à você, quem sabe poderá entender o que realmente quero dizer.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Amor Vadio

Perto dos olhos,
dentro do coração,
mãos atadas por alguma razão.

Conviver com a presença e a distância ao mesmo tempo.
Ter muito a dizer,
Pouca coragem para ouvir.

Há muito tempo cansei de esperar,
Há muito tempo deixei de acreditar.

Esta felicidade estúpida e vadia,
Tapo teus buracos,
Enquanto minha alma, aos prantos,
Tenta se completar sozinha.

Do outro não espero nada.
De mim, muito menos.

Mãos Atadas - Zélia Duncan

Tenho as mãos atadas ao redor do meu pescoço
Eu queria mesmo era tocar seu corpo
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos e depois?
Depois toco meu corpo eu tenho frio
Sou um louco amargurado e até vazio
E me chamam atenção
Mas eu sou louco é de paixão e você?
Você que me retire desse poço
Eu sei ainda sou moço pra viver
E te ver assim tão crua
A verdade é toda nua
E ninguém vê

Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar
Sumir
Perder não sei, não sei, não sei querer mais
A qualquer hora é sempre agora chora
Quero cantar você
Vou fazer uma canção liberte o meu pensar
Aperte os cintos pra pousar
Agora é hora de dizer muito prazer sorte ou azar e amar
Simplesmente amar você

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Última Noite

Guardo na memória esta última e breve noite. Lençóis amarrotados, carícias intensas e recíprocas. Um "bom dia" nada original, mas bom o suficiente para que eu desejasse muitos outros iguaizinhos a este. Entretanto, alguém inventou a palavra "desencontro", assim caminhos novos são percorridos e o que só foi bom permanece.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Eu agradeço...

Serei eternamente grata à tua ignorância, às portas me que fechou quando pedi licença para entrar. Serei grata à todos aos "nãos" que recebi, quando na verdade, eu só queria entender como era o seu mundo. Gravarei teu nome em minha mente toda vez que encontrar um novo obstáculo, pois sei que o mais doloroso de todos foi enfrentar tua arrogância.

Aprendi, conduzida por teus braços, a dançar descalça coreografias sobre cacos de vidro. Lamentei as feridas, chorei dias e noites as dores em que me submeti. Mas hoje, eu agradeço as cicatrizes que me ofertou. Curei aos poucos com o amor e a compaixão.

Ainda tento entender como uma pessoa que me causou tanta dor possa ainda ter um espaço reservado em meu coração. Sei apenas que de tudo que conquistei até o momento, das coreografias que aprendi a dançar dolorosamente, das alegrias e realizações - fúteis ao seu olhar e preciosas demais para mim -, das lágrimas que meu travesseiro guardou pacientemente, soube espelhar um breve e sincero sorriso.

Sorriso este que me abre portas, mostra a verdade em meus sentimentos, que me desvenda aos poucos o mundo em que você tanto aprecia viver e eu insisto em tentar entender onde é que você se encaixa.

domingo, 13 de setembro de 2009

Sabe por que você gosta dele?

"Canela, você sabe por que gosta dele? Em nenhum momento ele fez alusão ao sexo, à punheta ou putaria. Teu carinho é casto e platônico."

Logo eu que acreditei nunca mais poder sentir isso novamente por alguém. Logo você, tão distante da minha realidade, bate sem querer nesta porta que guarda em vão um coração oco, cujos tesouros já saquearam, pouco a pouco, até que restasse um latejar de dor e cansaço.

Sinto-me viva em tua presença. Sinto-me de mãos atadas ao te abraçar. Sinto-me leve ao som de tua música. Sinto-me preenchida com teu olhar.

Sou a teimosa que se apaixona por palavras, atitudes e sorrisos. O seu em especial. Teu sorriso tímido, tuas palavras medidas, tuas atitudes louváveis e outras assumidamente descartáveis.

Você, tão conhecedor de ciências diversas, por acaso encontrou algum desfecho feliz para um amor assim como o meu?

Não Aguento!

Não aguento fingir orgasmo mais do que uma vez.
Não aguento segurar a ansiedade.
Não aguento ficar mais do que dez horas sem fumar.
Não aguento carregar títulos nas costas dos quais não me identifico.
Não aguento a indecisão, a imprecisão, a imprevisibilidade.
Não aguento os ciúmes que me corroem a alma.
Não aguento esperar pelo teu convite.
Não aguento viver procurando um fio de esperança.
Não aguento contagiar alegria, se em meu coração só vive a tristeza.
Não aguento mais esquentar a cama sozinha.
Não aguento contar histórias de outros sem deixar de contar algo meu durante a narrativa.
Não aguento ficar parada ao som dos tambores do negro.
Não aguento teu silêncio, tua distância, tua dissimulação.
Não aguento o peso de minha alma vazia.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Saber Viver - Cora Coralina

Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura... Enquanto durar

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Lágrima

Hoje lembrei das últimas lágrimas que rolaram de emoção enquanto fui amada. Naquele momento não sabia exatamente porque chorava. Agora tudo faz sentido: eu sabia que dificilmente poderia viver este momento com tamanha intensidade novamente.

Deixa eu perguntar?

Sei que sou desatenta a muitas coisas, tenho memória seletiva (para não dizer que esqueço muita coisa), sorrio aos quatro cantos por não saber muitas vezes quais palavras escolher para dizer, que meu excesso de sinceridade já me colocou em muitas situações constrangedoras, não só para mim, mas para outros ao meu redor, que também gosto de observar atitudes e interpretar frases mal ditas em momentos nada apropriados.

Mas o meu pior defeito é não saber fazer perguntas. Muitas respostas poderiam me ajudar muito a não me meter em confusão: "Você é casado?", "Sente atração por mim?", "Teria algum problema se uma mulher tomar a iniciativa para te convidar para sair um dia desses sem compromisso?", "Você poderia desligar teu celular enquanto divide a cama comigo?", "Posso ligar quando sentir vontade de falar com você novamente?", "Por que anotou meu telefone e e-mail se não entrará em contato comigo tão cedo?", "Se por acaso eu não for mais útil - no sentido sexual da coisa -, você poderia abrir o jogo?"

Olha que coisa doida! Acabo de perceber que eu sei fazer perguntas! Só preciso APRENDER a ter CORAGEM de abrir a boca, perguntar e estar preparada para as RESPOSTAS.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Crime Delicado

Das mutilações diversas que carregamos, sejam elas ocultas ou fisicamente aparentes ainda há como transformar a dor em arte. Atitudes vistas por olhos céticos podem ser interpretadas por um crime ou abuso à integridade. Estes mesmos olhos, cobertos de razão e ironia dificilmente enxergariam as mutilações que provocam através da possessão e suposta sobriedade intelectual.

Que mulher não desenvolveria extremo fascínio por aquele que enxerga o belo em suas dores, que ignora padrões estéticos comerciais e a faz musa simplesmente pelo fato estar nua e assumir suas "imperfeições"? Quantos Crimes Delicados são cometidos diariamente? Quantos destes denunciamos ou guardamos no calabouço de nossas memórias acompanhadas da culpa?

Direção: Beto Brant
Elenco: Felipe Ehrenberg, Marco Ricca, Lilian Taublib

Eu Pago e Troco (somente por uma noite)

Se eu faço por você tudo o que pediu a Deus, você é o desafio que comprei das mãos Dele. Não se trata de "caridade" - como você disse inúmeras vezes -, trata-se de desafiar tua mente fria e distante até que possa sucumbir ao amor que jurou jamais sentir por outrem.

Além de degustar de teu fel com todo prazer, há dentro de minha alma um desejo imenso de que troquemos, somente por uma noite, os papéis que assumimos: você se dedicará a tocar meu corpo, centímetro a centímetro como se fosse algo que dificilmente poderá fazer novamente. Buscará no fundo de meu olhar e em minha respiração ofegante todo o prazer poderá oferecer a uma mulher. Dos meus gemidos de prazer encontrará motivação para seguir em frente. Você sabe que isso não será tão difícil assim, só quero, por uma noite, que sejas capaz de me amar.

Se você é o desafio que comprei, creio pagar esta dívida com meu próprio sangue e lágrimas. Mas se por um dia conseguir atender a este meu pedido, morrerei feliz.

sábado, 5 de setembro de 2009

Meu e Seu Nome

Grite meu nome aos quatro cantos
Chame! E onde quer que eu esteja vou ao teu encontro
Sem cobrança ou "dia seguinte"
Talvez seja este meu trabalho: fazer-te gozar e dormir.
Faço-o com prazer, pois sabe que é com exclusividade.
Saio depois que te deixo entregue aos lençóis.
Buscarei agora alguém que tenha mais disposição
Alguém que também faça seu trabalho tão bem quanto o meu.
Que também me excite, que também me cale,
Que me canse e me faça dormir em paz.
O problema é que o único nome que me vem à mente,
Seja ele num sussurro doce ou grito desesperado, é o teu.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Duas vezes

Quem dera tivéssemos a chance de tentar fazer duas vezes tudo o que gostamos. Uma vez para arriscar, observar, surpreender,compreender e registrar e a segunda, aproveitar tudo o que o momento poderá proporcionar.

Surpreendo-me com atitudes simples, gestos pequenos de carinho são tão desejados que, ao presencia-los "o rascunho" torna-se apático, mas depois tudo o que gostaria de fazer é repetir a dose para que já conheça o caminho certo para usufruir do momento.

Enquanto nossa hora não chega, digo que apesar de ter gostado muito do presente e conhecer o conteúdo, não vejo a hora de desembrulhá-lo novamente!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Como (não) preencher o vazio

Há quem busque preencher o próprio vazio com a presença de outros seres. Apaixone-se por uma semana, viva com intensidade todos os sabores que só a sedução e o prazer podem lhe proporcionar por uma noite ou duas... Quando descobrir que este outro ser também é repleto de lacunas a solução é simples: conheça outra pessoa.

Exatamente isto: conheça outra pessoa! Não digo que deve saber sobre o passado dela, sobre tuas grandes referências ou o apelido de infância. Saiba quem é superficialmente e descubra lentamente o corpo dela afim de te preencher por alguns momentos.

Não interessa as dores que nega em si mesmo, exercite sua segurança conquistando novas pessoas. Viva o momento, apague o passado e acredite que o futuro está distante demais para se preocupar com ele neste momento.

Caso o "vazio" pise em tua alma com grandes pés gelados e ásperos, talvez as lágrimas possam rolar sem você compreender o que tem feito a si mesmo. Talvez possa sufocá-las em novas conquistas materiais, adiá-las com o prazer do vício do cigarro, engoli-las acompanhadas de wisky, ron até mesmo a velha e gelada cerveja, adormecendo assim os sentidos, forçando-lhe o sono e a amnésia temporária.

Um novo dia se segue, um novo sorriso te atrai e o negrume em tua alma deseja outra nova para sugar a vida que nela poderá existir até que conheça novamente outras lacunas e o ciclo volte a se repetir.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sonho bom

Demorou um pouco, mas hoje tive a alegria de poder encontrá-lo em meus sonhos. Incrível como teu abraço e o cheiro de tua pele são coisas tão fortes que provocam arrepios até quando isso não passa de delírio deste meu cérebro inconsciente.

Sei que há muito para fazer e preparar para o longo dia de trabalho que virá, mas minha vontade é de poder voltar a dormir e saber se poderei criar uma história onde possa sentir também o calor de teu beijo.