O que tenho a dizer aqui é ridículo, tão ridículo que não mereceria ser exposto. Contudo, tão ridículo é que, dentro de mim também não deve permanecer. Deve sair.
Se você já passou pela puberdade, se já teve aquela espinha enorme e asqueirosa em seu rosto deve saber o tamanho do incômodo que persiste roubar minhas poucas horas criativas. Posso beirar os trinta, mas há sentimentos aqui mais intensos do que os de uma debutante.
Às vezes penso que há algo de muito errado comigo: a esta altura da vida, nenhum sentimento devia ter tanto peso como para quem os vive pela primeira vez. Estes pontos inflamados em minha face não deveriam mais existir; não deveria existir também o sorriso amarelo, a face ruborizada diante de um elogio ou os punhos cerrados no conflito.
Substituí o refrigerante pela cerveja, não cultivo mais as longas madeixas onduladas, ninguém mais determina o horário em que devo retornar para casa ou dormir, nem preciso esconder as bitucas de cigarro, mas as espinhas ainda mancham minha pele.
Continuo sendo estampada, por causas ainda não identificadas, pela ineficácia da suposta maturidade.
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