Iniciarei uma nova campanha em favor de mim mesma: cada vez que pensar em ouvir tua voz não recorrerei mais ao celular para mandar mensagens ou fazer chamadas que dificilmente serão atendidas. Em vez disso, procurarei um poema para ler. Aquela pilha de livros que aguarda pelo tempo que eu esperava tanto ter, me agradecerá por isto.
Sou consciente de que não é possível retirar tudo o que não me faz bem e jogar fora de uma só vez. Temos certeza de que esse vazio provocado pela ruptura seja ainda mais dolorido. Sabemos que é tempo de expandir-nos, de buscarmos novos caminhos e pensarmos que não é possível reviver ou nos prender às lembranças torpes de nossos dias mais felizes.
Tuas palavras serão substituídas por outras, de outras pessoas. Talvez ainda mais criativas e intensas que as tuas... Assim espero. Se não for assim, compro um livro de piadas, pois sei que você não tem o menor senso de humor.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Acordo literário
domingo, 27 de novembro de 2011
Quero Bossa Nova!
Tentei, juro que tentei aquele exercício piegas de meditação publicado em algum site de exoterismo. Lá dizia que devia "aquietar minha alma", "sentir minha respiração", "coordenar os músculos do abdômen e tórax". Em seguida, deveria ouvir os meus sentimentos.
BA-LE-LA!!!
Eu aqui esperando que cada um dos meus sentimentos viesse com seu banquinho e tocasse uma canção de forma organizada, mas não foi bem assim. Recebi uma avalanche! Um turbilhão de sentimentos tocando uma nota diferente, uma melodia, um instrumento mais desafinado que o outro. Todos pulsavam e desejavam executar o seu solo!
Fiquei ainda mais confusa que antes. Não conseguia ouvir nada, me perdi de mim... Já não sabia mais o que sentia. Era uma nota qualquer... O mais puro ruído amplificado!
Se me permitem a ironia, gostaria de registrar aqui o meu desejo de ter todo esse talento também para compor canções de verdade. Talvez se conseguisse por ordem nisso, alguém poderia entender. Se eu entendesse já seria um bom começo.
Esperava uma Bossa Nova em minha meditação e o que eclodiu foi uma big band desarranjada. Onde está o regente? Quem vem organizar essa bagunça? Se ainda pudesse trancar cada um deles num estúdio para gravar as vozes separadas e ouví-las separadamente, ajudaria muito.
Quero me trancar num quarto escuro, vou começar uma nova meditação, se eu sumir por mais de uma semana, por favor, alimentem minhas tartarugas...
BA-LE-LA!!!
Eu aqui esperando que cada um dos meus sentimentos viesse com seu banquinho e tocasse uma canção de forma organizada, mas não foi bem assim. Recebi uma avalanche! Um turbilhão de sentimentos tocando uma nota diferente, uma melodia, um instrumento mais desafinado que o outro. Todos pulsavam e desejavam executar o seu solo!
Fiquei ainda mais confusa que antes. Não conseguia ouvir nada, me perdi de mim... Já não sabia mais o que sentia. Era uma nota qualquer... O mais puro ruído amplificado!
Se me permitem a ironia, gostaria de registrar aqui o meu desejo de ter todo esse talento também para compor canções de verdade. Talvez se conseguisse por ordem nisso, alguém poderia entender. Se eu entendesse já seria um bom começo.
Esperava uma Bossa Nova em minha meditação e o que eclodiu foi uma big band desarranjada. Onde está o regente? Quem vem organizar essa bagunça? Se ainda pudesse trancar cada um deles num estúdio para gravar as vozes separadas e ouví-las separadamente, ajudaria muito.
Quero me trancar num quarto escuro, vou começar uma nova meditação, se eu sumir por mais de uma semana, por favor, alimentem minhas tartarugas...
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Donjuanismo
Nenhum coração é incólume.
Se as frestas que você enxerga no meu
despertaram-te o desejo pela conquista
E se o trabalho de escavar esta aparente rocha
lhe parece demasiadamente emocionante,
Antes me permitir a tal jogo,
responda-me à uma questão somente:
"O que fará quando o objetivo for alcançado?"
Se as frestas que você enxerga no meu
despertaram-te o desejo pela conquista
E se o trabalho de escavar esta aparente rocha
lhe parece demasiadamente emocionante,
Antes me permitir a tal jogo,
responda-me à uma questão somente:
"O que fará quando o objetivo for alcançado?"
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sábado, 8 de outubro de 2011
Você: espelho
Descobri que nunca soube falar de você. É só revisar a quantidade de textos que comecei a escrever e jamais consegui encerrar nenhum deles.
Sustento algumas teorias sobre isso; uma delas está baseada nesse medo indescritível de expor todos os nossos erros... Ainda não sei o que fazer com eles. Quer dizer, eu sei: quero começar outra vez e acertar o passo. Que seja somente minhas cartas e eu. Já será um bom recomeço.
Descobri que pessoas como você deixam marcas profundas nos corações que permitem sua entrada. Tentei fugir para me proteger, mas fiquei porque sou viciada nessa dor ilusória das paixões sem destino. O erro foi meu, não seu.
Descobri que no lugar dos culpados, deve existir o perdão. O tiro saiu pela culatra, não deveria passar de encantamento. Somos responsáveis pelas consequências dos nossos atos, sendo eles positivos ou não.
Descobri que nunca te contei sobre um monstro que vive embaixo da minha cama. Ele se chama Abandono. Nasceu quando era muito pequena e mantemos uma relação bem delicada. Preciso consultar semanalmente um especialista para que eu possa me aproximar deste bicho horroroso. Sei que esta relação é um tanto complexa, mas fico feliz em entender o que me causa tanto pavor. Para falar a verdade, sonho com o dia em que possamos nos entender e ele procurar outro lugar pra viver. Já tenho até um nome para o que deverá substituí-lo: Acolhimento.
Descobri que, se não fosse por você, jamais teria buscado ajuda para expulsar este monstro, não saberia o caminho do auto-perdão, não entenderia o por que de tantas mágoas e também de não conseguir falar de você, pois não passa de uma projeção do que sou...
Você é uma outra história que (ainda) desejo muito conhecer.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Consentimento
Você aí de costas!
Mais uma vez concordaste comigo.
Consente: sente junto.
Fico feliz por isto.
Sofremos sozinhos as dores que
nem juntos deixaríamos de sentir.
Concordamos!
Estamos sós e ninguém mais
precisa saber como são
os demônios que pintamos
dentro d'alma.
domingo, 11 de setembro de 2011
Drummond sofreu um acidente de percurso
Nesta semana uma coletânea de poemas de 23 livros de Carlos Drummond de Andrade caiu em minhas mãos após um acidente de percurso. O livro foi comprado para uma outra pessoa, mas quem desejava presenteá-lo mudou de ideia.
Comecei a leitura dos poemas pela parte que já estava marcada com clips de papel. Gosto disso: páginas marcadas, de saber o que o leitor anterior considerou ser mais importante para ele naquele momento. Seguindo esta ideia, resolvi marcar outros cinco poemas e os transcrevi aqui.
Escolha pela cor e vá direto à página que marquei virtualmente e boa sorte!
1) ROSA
2) AZUL
3) AMARELO
4) LARANJA
5) VERDE
Comecei a leitura dos poemas pela parte que já estava marcada com clips de papel. Gosto disso: páginas marcadas, de saber o que o leitor anterior considerou ser mais importante para ele naquele momento. Seguindo esta ideia, resolvi marcar outros cinco poemas e os transcrevi aqui.
Escolha pela cor e vá direto à página que marquei virtualmente e boa sorte!
1) ROSA
2) AZUL
3) AMARELO
4) LARANJA
5) VERDE
Verdade
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil da meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era divididas em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a verdade mais bela.
Nenhuma das duas era inteiramente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil da meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era divididas em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a verdade mais bela.
Nenhuma das duas era inteiramente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade
Aparição amorosa
Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nosso corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis, ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? A massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma ideia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.
Carlos Drummond de Andrade
como em outros tempos nosso corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis, ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? A massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma ideia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.
Carlos Drummond de Andrade
O minuto depois
Nudez, último véu da alma
que ainda assim prossegue absconsa.
A linguagem fértil do corpo
não a detecta nem decifra.
Mais além da pele, dos músculos,
dos nervos, do sangue, dos ossos,
recusa o íntimo contato,
o casamento floral, o abraço
divinizante da matéria
inebriada para sempre
pela sublime conjunção.
Ai de nós, mendigos famintos:
Pressentimos só as migalhas
desse banquete além das nuvens
contingentes de nossa carne.
E por isso a volúpia é triste
um minuto depois de êxtase.
Carlos Drummond de Andrade
que ainda assim prossegue absconsa.
A linguagem fértil do corpo
não a detecta nem decifra.
Mais além da pele, dos músculos,
dos nervos, do sangue, dos ossos,
recusa o íntimo contato,
o casamento floral, o abraço
divinizante da matéria
inebriada para sempre
pela sublime conjunção.
Ai de nós, mendigos famintos:
Pressentimos só as migalhas
desse banquete além das nuvens
contingentes de nossa carne.
E por isso a volúpia é triste
um minuto depois de êxtase.
Carlos Drummond de Andrade
As contradições do corpo
Meu corpo não é meu corpo,
é a ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.
Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.
Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu pranto,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.
O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.
Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.
Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.
Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que eu não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor deo meu Eu
convertido em cão servil
Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.
Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.
Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
e vai pelo rumo oposto.
Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.
Carlos Drummond de Andrade
é a ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.
Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.
Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu pranto,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.
O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.
Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.
Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.
Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que eu não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor deo meu Eu
convertido em cão servil
Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.
Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.
Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
e vai pelo rumo oposto.
Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 10 de setembro de 2011
Verbos
Sofrer é outro nome
do ato de viver.
Não há literatura
que dome a onça escura.
Amar, nome-programa
de muito procurar.
Mas quem afirma que eu
sei o reflexo meu?
Rir, astúcia do rosto
na ameaça de sentir.
Jamais se soube ao certo
o que oculta um deserto.
Esquecer, outro nome
do ofício de perder.
Uma inútil lanterna
jaz em cada caverna.
Verbos outros imperam
em momentos acerbos.
Mas que para nomeá-los,
imperfeitos gargalos?
Carlos Drummond de Andrade
do ato de viver.
Não há literatura
que dome a onça escura.
Amar, nome-programa
de muito procurar.
Mas quem afirma que eu
sei o reflexo meu?
Rir, astúcia do rosto
na ameaça de sentir.
Jamais se soube ao certo
o que oculta um deserto.
Esquecer, outro nome
do ofício de perder.
Uma inútil lanterna
jaz em cada caverna.
Verbos outros imperam
em momentos acerbos.
Mas que para nomeá-los,
imperfeitos gargalos?
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 28 de agosto de 2011
Pelo telefone
Se a dúvida algum dia foi algum benefício, eu não sei. Sei que eu soube aproveitar muito bem os benefícios das fantasias que criamos juntos e consegui, também, me punir por todas elas sozinha - talvez, em algumas ocasiões, muito mais do que deveria. Já se passaram meses e eu ainda fico pensando se você é realmente quem disse ser. Tudo isso não passa de um clichê ridículo, sabemos disso... Sinto tua falta e sou uma tremenda de uma egoísta por não conseguir me desfazer do teu número gravado em minha agenda no celular, pois é com você que eu desejo estar quando o dia está calmo ou quando preciso de refúgio.
O "E se..." ainda lateja incansavelmente em minha cabeça. Num dia escolho te odiar, noutro quero pensar que nada disso é verdade e dirijo toda a minha energia ao trabalho, mas a terceira opção é a que me agrada mais: sonhar e acreditar piamente nos trinta e poucos dias em que eu pude voltar a sorrir na companhia de alguém que realmente me amou.
Ouvir o teu sotaque nas palavras de outras pessoas me aproxima de algo totalmente inconsistente e irracional, no entanto, faz emergir constantemente àquela energia boa que nos mantinha conectados somente pelo telefone.
O "E se..." ainda lateja incansavelmente em minha cabeça. Num dia escolho te odiar, noutro quero pensar que nada disso é verdade e dirijo toda a minha energia ao trabalho, mas a terceira opção é a que me agrada mais: sonhar e acreditar piamente nos trinta e poucos dias em que eu pude voltar a sorrir na companhia de alguém que realmente me amou.
Ouvir o teu sotaque nas palavras de outras pessoas me aproxima de algo totalmente inconsistente e irracional, no entanto, faz emergir constantemente àquela energia boa que nos mantinha conectados somente pelo telefone.
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Hema-toma
Sonhar tem sido uma grande fonte de prazer ultimamente. Todavia, os minutos que antecedem aos devaneios incríveis de meu cérebro inconsciente sempre tiveram duas soluções: ora se encarregam de se transformar em texto - ainda que ninguém possa ter acesso a eles-, ou se somariam aos tantos outros minutos (de nenhuma sabedoria) gastos até aqui.
Num desses últimos minutos, antes que o sono pudesse me sabotar, decidi relembrar como nasceu e morreu uma ilusão estranhamente dúbia: enquanto ela abria novas perspectivas, também me rasgava dos pés a cabeça.
Certa vez, questionei-me sobre como poderia acabar uma ilusão tão auto-destrutiva e consoladora como aquela. Descobri! Quer dizer, relembrei...
Nossa ilusão morreu simultanemente, quando já não tínhamos segredo algum para esconder um do outro e tudo parecia previsível demais. Quando minha dor finalmente se materializou naqueles hematomas, vi que aquilo jamais poderia ser amor.
- "Sua vadia!"
...
- "Não sei se vou dormir agora..."
domingo, 7 de agosto de 2011
Pescaria
Isso não é um buraco. É um fosso! Ainda nem sei se o nome é saudade. Talvez seja só a vontade de sofrer, pois ainda que seja só dor, já seria alguma forma de sentimento. Não sentir nada é muito pior!
Sei que posso expulsar todos fantasmas, grilos ou crocodilos. No entanto, minha sombra permanecerá no meu encalço e boa parte das minhas ilusões se alimentarão de reflexos...
E esse buraco é só o que restou. Ainda não sei se me jogo de cabeça ou se arrumo uma vara de pescar. Sabe como é, né? Quem sabe ainda pode sair mais alguma coisa de lá?
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Um exercício de musicoterapia... (Árvore)
A árvore que se deixa usurpar,
mas (ainda) quer dar frutos:
Um exercício de musicoterapia... (Casa)
Um exercício de musicoterapia... (Livre)
O que faz um cavalo solitário num tabuleiro
incompleto de xadrez?
2. Snakes and Ladders – Basia Bulat
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Por enquanto, não
Já não escrevo mais porque sei que não existe ninguém aí do outro lado que se importa com o que sinto ou o que penso. Este ato efêmero de tecer pensamentos parece-me inútil depois que expulsei daqui de dentro todos os fantasmas que insistiam em me assombrar durante contínuas madrugadas... Acho que estou despertando de um longo pesadelo.
Talvez volte a escrever quando entender o que significa sonhar, ou quem sabe, quando puder tecer meu testamento. Espero construir, modificar, solidificar e, finalmente, deixar este "algo" à alguém. Só não sei ainda o que é.
Talvez volte a escrever quando entender o que significa sonhar, ou quem sabe, quando puder tecer meu testamento. Espero construir, modificar, solidificar e, finalmente, deixar este "algo" à alguém. Só não sei ainda o que é.
domingo, 15 de maio de 2011
Quando não defino, pego emprestado.
"Ternura" - - Plamen Temelkov
"Eu não te pergunto nada, apenas desejo tanto você que sorrio como se não
me importasse com sua existência."
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Tudo se transforma, inclusive eu
"Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma"
A realização de hoje é o desejo de ontem, e alimenta o que virá amanhã.
Deixo rastros do que fui.
Buscam em mim àquilo que já não sou mais.
Hoje sou um constante revezamento de exclamações e interrogações.
Se consigo repousar a mente, sou reticências.
Quando sonho, materializo-te.
domingo, 24 de abril de 2011
Algodão doce
Benditos os que substituem bocejos por algodão doce. Prefiro sentir a felicidade se dissolver por alguns segundos entre meus lábios a perder o compasso desta valsa chamada vida. Desconfiança é como chumbo nos pés: nem para a direita, nem esquerda. Dentes e punhos cerrados. Benefício? A dúvida.
Dói-me profundamente a ideia de que existam almas sem nome ou imagem própria; que abandonaram, por algum motivo, seus desejos para raptar os sonhos alheios. Ora, meu Deus! Que desperdício!
Encontro-me despida num baile de máscaras. Quando a música cessar e as luzes apagarem, não terei destino. Serei, novamente, pés calejados aguardando o próximo carnaval.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Ciumar
Do Aurélio:
Ciúme: s.m. Emulação, inveja; zelo de amor. / Pesar, despeito por ver alguém possuir um bem que se desejaria ter: o ciúme o atormenta. / Receio de que a pessoa amada se apegue a outrem.
De acordo com a psicóloga Ayala Pines, ciúme é "a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade."
De acordo com a psicóloga Ayala Pines, ciúme é "a reação complexa a uma ameaça perceptível a uma relação valiosa ou à sua qualidade."
Lira Romantiquinha
Carlos Drummond de Andrade
Por que me trancas
o rosto e o riso
e assim me arrancas
do paraíso?
Por que não queres,
deixando o alarme
(ai, Deus: mulheres!),
acarinhar-me?
Por que cultivas
as sem-perfume
e agressivas
flores do ciúme?
Acaso ignoras
que te amo tanto,
todas as horas,
já nem sei quanto?
Visto que em suma
é todo teu,
de mais nenhuma,
o peito meu?
Anjo sem fé
nas minhas juras,
porque é que é
que me angusturas?
Minh'alma chove
frio, tristinho.
Não te comove
este versinho?
terça-feira, 29 de março de 2011
Não desisto!
Para conseguir escrever deveria experimentar, por algumas horas, a sensação de estar mergulhada em paixão - inventada, talvez. No lugar do post, consegui uma verdadeira briga de foice! Tesão é uma coisa. Amor platônico é outra. Mas paixão, essa doença que provoca taquicardia e altera o funcionamento químico de seu corpo é algo inusitado. Vi que já tinha me esquecido de como isso se parece muito com o medo que tenho de altura.
Medo de altura, de alta velocidade ou dos esportes radicais pode ser comparado, tranquilamente, com o medo que tenho de sentir algo que tem o poder de roubar o oxigênio de minhas células. Há, além do medo de sentir, um certo pessimismo acompanhado das dores provocadas pela abstinência e de presenciar, conscientemente, algo que se expande, que contamina e é FINITO!
Pessoas que se dão o direito de apaixonar-se são corajosas. Enfrentam todos os sintomas e ainda tiram onda de suas conquistas, exibem seus "mortais" ou fotos do velocímetro nas redes sociais. Eu não!
Quer dizer, talvez...
Talvez não tenha cumprido minha meta neste post, porque paixão não se inventa, nem é objeto para se fingir sentir - com perdão aos mestres poetas fingidores profissionais! - fracassei é verdade. E não desisto!
sexta-feira, 18 de março de 2011
Ré - Kiko Dinucci
Quando já nem sei mais o que sinto,
busco uma saudade guardada na estante.
Para a minha surpresa, o que se guarda,
também se desgasta.
Re-vivi.
Re-organizei.
Re-senti.
E não doeu.
busco uma saudade guardada na estante.
Para a minha surpresa, o que se guarda,
também se desgasta.
Re-vivi.
Re-organizei.
Re-senti.
E não doeu.
domingo, 6 de março de 2011
Hora do embarque: 23h23
Pensei em tuitar as horas repetidas hoje, 23h23. Estes são os meus sessenta preciosos segundos: o minuto exato no qual um encontro pôde deixar de ser sonho e finalmente se materializar. Passaram-se as horas, meses, anos! Entendi que redigitar e tornar público, a quem pudesse ler, não faria o menor sentido. Nunca fez, na verdade.
Vinte e três horas e vinte e três minutos e as possibilidades são muitas. Este é o minuto exato de uma série de sincronicidades que se desencadearam - e ainda se desencadeiam - , mas eles só pertencerão a mim e não aos meus followers no Twitter.
Essa massa de gente próxima, distante, tátil ou volátil jamais entenderá o caminhos que uma alma escolhe percorrer dentro de irrisórios 60 segundos. Aliás, são tantos os 60 segundos dentro de um dia, por que nestes seriam mais especiais que os outros?
O que tem de especial nisto talvez não esteja pronta para compreender, muito menos verbalizar. O que sei é que escondi neste símbolo, o 23h23, um portal...
Ah! Quem dera se a humanidade pudesse abrir os labirintos da memória reservando apenas um minuto de seu dia para a contemplação de seus erros e retificação dos futuros atos. Um erro, uma despedida, um desprendimento, uma ideia, um auto-elogio... um por vez. Apenas um em 60 segundos.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Em terra de mimeógrafos, quem tem impressora laser é rei!
Há quem diga que professor fica tempo demais em férias, e eu digo que é o tempo necessário para nos distanciarmos de nosso "fazer artístico" e voltarmos amadurecidos, com novas ideias e possibilidades de trabalho para o próximo ano letivo. Até cheguei a comentar no Twitter sobre como usamos este tempo ocioso e, agora, é o momento de por em prática o que planejamos. Em tese...
Já na atribuição de aulas, a direção da escola nos alertou sobre as inúmeras invasões e furtos ao patrimônio escolar. Além de levarem os ventiladores das salas de aula, arrombaram os armários das salas dos professores à procura de outros objetos de valor. Valor? Isso é tão relativo, não? Tínhamos livros, tão preciosos ao nosso trabalho, mas não os levaram!
E o que parecia ser um reinício sombrio e ameaçador (que comunidade difícil esta com a qual lidamos, não?), as más notícias não cessaram: a sala de informática permaneceria desabilitada e, como as novas classes de Ensino Médio foram recentemente abertas, os órgãos responsáveis pela logística e distribuição dos materiais didáticos e kit's escolares não puderam contabiliza-las. Sendo assim, nenhum aluno ou professor daquela Unidade Escolar que pertencesse ao Ensino Médio poderia ser atendido a tempo até o inicio do ano letivo. Teríamos de nos virar com o que tínhamos em mãos. E o que sobrou? Boa vontade, nada mais.
A Coordenadora Pedagógica se dispôs a imprimir em sua casa todo o material didático aos professores, mas já imagino que, para dar conta disto, ela terá de administrar uma dupla jornada de trabalho: o da coordenação pedagógica e o da edição gráfica e xerox. Um esforço desumano!
E por falar em esforço, lembrei-me do mimeógrafo que facilitou (e ainda facilita muito!) o trabalho do professor. Sim, caro leitor, este objeto que poderia estar há muito tempo num Museu ainda tem espaço dentro do ambiente escolar e desafia àqueles que falam sobre o uso de iPad's em sala de aula.
Associada à imagem deste objeto (esta que anexei ao cabeçalho), numa busca rápida feita no Google, vejo a seguinte frase: "Ainda há pessoas que resistem às novas tecnologias".
PAREM TUDO!!!
Não vou pregar aqui o verso apaziguador e morno e vou dizer: fiquei put@ da vida!
Isso foi realmente uma afronta! Passei boa parte do meu tempo livre pesquisando e interagindo com todas as possibilidades didáticas que poderia utilizar em sala, linkar, hipertextualizar e provocar o (aparentemente) inabalável desinteresse dos meus futuros pupilos e me vêm com essa associação pejorativa e alienada?!
Enquanto muitos atiram pedras sobre a ineficiência do meu trabalho e o de muitos colegas de profissão, precisamos rever a questão estrutural da coisa:
1) Como podemos aplicar todo este conhecimento que adquirimos em favor de uma Educação que atenda às novas linguagens de forma críticae blá blá blá se possuo apenas um mimeógrafo sem álcool ou uma escola sujeita a arrombamentos e assaltos a todo o momento?
2) Escola é apenas mais uma célula dentro desta rede e, se tudo o que está em seu entorno não valoriza os efeitos positivos que ela possa ter sobre a comunidade, de que forma alcançaremos este "milagre da educação"?
Costumo brincar com meus colegas de profissão que, por mais que tentem propagandear as benfeitorias e "avanços" na educação através dosquestionáveis índices de proficiência, estamos fadados à uma sigla (que também representa a luta pelos direitos e quebra de preconceitos): GLS - giz, lousa e saliva.
Já na atribuição de aulas, a direção da escola nos alertou sobre as inúmeras invasões e furtos ao patrimônio escolar. Além de levarem os ventiladores das salas de aula, arrombaram os armários das salas dos professores à procura de outros objetos de valor. Valor? Isso é tão relativo, não? Tínhamos livros, tão preciosos ao nosso trabalho, mas não os levaram!
E o que parecia ser um reinício sombrio e ameaçador (que comunidade difícil esta com a qual lidamos, não?), as más notícias não cessaram: a sala de informática permaneceria desabilitada e, como as novas classes de Ensino Médio foram recentemente abertas, os órgãos responsáveis pela logística e distribuição dos materiais didáticos e kit's escolares não puderam contabiliza-las. Sendo assim, nenhum aluno ou professor daquela Unidade Escolar que pertencesse ao Ensino Médio poderia ser atendido a tempo até o inicio do ano letivo. Teríamos de nos virar com o que tínhamos em mãos. E o que sobrou? Boa vontade, nada mais.
A Coordenadora Pedagógica se dispôs a imprimir em sua casa todo o material didático aos professores, mas já imagino que, para dar conta disto, ela terá de administrar uma dupla jornada de trabalho: o da coordenação pedagógica e o da edição gráfica e xerox. Um esforço desumano!
E por falar em esforço, lembrei-me do mimeógrafo que facilitou (e ainda facilita muito!) o trabalho do professor. Sim, caro leitor, este objeto que poderia estar há muito tempo num Museu ainda tem espaço dentro do ambiente escolar e desafia àqueles que falam sobre o uso de iPad's em sala de aula.
Associada à imagem deste objeto (esta que anexei ao cabeçalho), numa busca rápida feita no Google, vejo a seguinte frase: "Ainda há pessoas que resistem às novas tecnologias".
PAREM TUDO!!!
Não vou pregar aqui o verso apaziguador e morno e vou dizer: fiquei put@ da vida!
Isso foi realmente uma afronta! Passei boa parte do meu tempo livre pesquisando e interagindo com todas as possibilidades didáticas que poderia utilizar em sala, linkar, hipertextualizar e provocar o (aparentemente) inabalável desinteresse dos meus futuros pupilos e me vêm com essa associação pejorativa e alienada?!
Enquanto muitos atiram pedras sobre a ineficiência do meu trabalho e o de muitos colegas de profissão, precisamos rever a questão estrutural da coisa:
1) Como podemos aplicar todo este conhecimento que adquirimos em favor de uma Educação que atenda às novas linguagens de forma crítica
2) Escola é apenas mais uma célula dentro desta rede e, se tudo o que está em seu entorno não valoriza os efeitos positivos que ela possa ter sobre a comunidade, de que forma alcançaremos este "milagre da educação"?
Costumo brincar com meus colegas de profissão que, por mais que tentem propagandear as benfeitorias e "avanços" na educação através dos
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Estação Memória
Foto: Fábio Stachi
Dê-me um tempo para recordar. O tempo necessário até que outra locomotiva passe por aqui e siga viagem comigo a bordo ou não. Chegar e partir... partir! Já não devo me incomodar com isto.
Minhas invenções são tão lúcidas que não merecem a oxidação, muito menos a rejeição de minhas células. Locomotivas passam por aqui trazendo todos os sabores do mundo, como posso criar anticorpos para tamanha diversidade?
Dei-me o trabalho de preservar a estação, por ora, abandonada. Sou, ao mesmo tempo, objeto e mantenedor deste museu vivo. Conheceste o método de extração do metal e sua forja? Quem sabe a proliferação das bactérias? Se compreender este processo, entenderá que não há forja ou vírus algum que se acomode à frieza do esquecimento.
Deixe-me lembrar do quanto foi intenso o trabalho, o suor e as lágrimas que ainda temperam esse latejar seco e aparentemente inóspito. Deixe-me recriar o amor e a dor motivada pelos delírios febris.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Posses e posses
Professor: Passa um aperto danado para cursar uma universidade, minimamente decente.
Deputado: Escreve um ditado para provar que é minimamente alfabetizado.
Professor: Tomado pelo desespero, faz cursos intensivos aos domingos e feriados para ser aprovado em concurso público.
Deputado: Seduzido pelas regalias, vende a alma ao diabo e a quem mais puder para ser eleito.
Professor: Após ser aprovado no concurso, leva um mapa para a escolha de vaga na escola que seja mais próxima à sua residência. Se der sorte, poderá pegar de duas a três conduções para chegar ao trabalho. Preenche diversos formulários para garantir 50% de desconto na passagem de ônibus.
Deputado: Após eleito, terá direito a passagens aéreas, casa, motorista e gabinete com todas as despesas pagas.
Professor: Faz, durante alguns meses, um novo curso preparatório oferecido pela Secretaria de Educação para se adequar-se "às novas práticas pedagógicas" e currículo escolar, se passar na prova ao final do curso poderá, finalmente, tomar posse.
Deputado: Participa,durante alguns meses, de acordos e lobby's partidários para garantir maior apoio dentro do Congresso, antes da posse.
Professor: Por ser iniciante, é um dos últimos a escolher suas aulas. Se der sorte, poderá completar sua jornada de trabalho em 2 ou 3 escolas diferentes. Mesmo assim está feliz, terá finalmente uma "estabilidade de emprego" e salário base de R$ 773,41 + auxílio alimentação de R$ 4,00.
Deputado: Chega em Brasilia para a posse de jatinho fretado é recebido com pompa e muitos flashs. Seu salário base acaba de ser reajustado em 61,8%, o que corresponde a R$ 26.700,00. Está feliz, até o final do ano, poderá fazer novas negociações no Congresso e aprovar um novo reajuste (e não será para o professor).
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Peregrinação
Nasci e cresci influenciada pela fé. Embora não soubesse muito bem o que isto significava, embora não tivesse resposta às tantas indagações que carregava comigo, havia fé.
Por se tratar de uma palavra com apenas duas letras e carregada de conceitos abstratos, eu a perdi por aí. Embora soubesse das dificuldades, embora compreendesse muito bem o que sua ausência significaria.
É chegado o momento de reconhecer minhas fraquezas, retirar-me e resgatar o que foi desperdiçado. Estive de olhos fechados e não sei dizer ao certo por onde andei. Já não permito mais jogar ao lado do ceticismo. Quero retomar o caminho!
Por se tratar de uma palavra com apenas duas letras e carregada de conceitos abstratos, eu a perdi por aí. Embora soubesse das dificuldades, embora compreendesse muito bem o que sua ausência significaria.
É chegado o momento de reconhecer minhas fraquezas, retirar-me e resgatar o que foi desperdiçado. Estive de olhos fechados e não sei dizer ao certo por onde andei. Já não permito mais jogar ao lado do ceticismo. Quero retomar o caminho!
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Antes de passar
Foto: Fábio Stachi
- Confesso que tenho me preocupado ultimamente com você. Sabemos de nossa situação e você, principalmente, da minha. Não tenho nada a oferecer, não sou neste momento a pessoa mais indicada para te satisfazer, muito menos te acompanhar. Sinto dizer isso, sinto em não corresponder. E você é preciosa demais em minha vida para fazer-te sofrer. Fique atenta, proteja-se... não sofra por mim.
A garota abriu um largo sorriso. Suspirou, olhou algum tempo para aquele jardim de inverno, desejou saltitar sobre algumas pedras colocadas cuidadosamente como em um caminho sinuoso. Pediu para que o moço encanado sentasse confortavelmente no sofá, estendesse seus braços, tirasse os sapatos e fechasse os olhos. Ele o fez, mesmo achando aquilo tudo muito patético. A garota se aproximou do teu rosto, deu-lhe um beijo na testa, correu a ponta de seu dedo indicador em toda a face dele. Sentiu vontade de chorar, talvez esta fosse a última vez que pudesse tateá-la. Voltou seu olhar para as mãos repousadas sobre os joelhos e, finalmente, descreveu sem medo o que sentia naquele exato momento:
- Não tenha medo do que eu venha sentir ou sofrer. Tudo o que fiz até agora foram somente escolhas. Escolhi sentir e ler, com minhas mãos, a tua pele e pude enxergar tudo o que um dia esqueci de ser: sensível, terna, amável... sonhadora! Não chamo isso de amor ou qualquer coisa do gênero. Carrego comigo a sensação do reencontro. Estar aqui, diante dos teus olhos é um simultâneo reencontro - comigo e contigo. É um caminhar descalço sobre a grama ainda úmida pelo orvalho. É sentar-se na beira de um lago cristalino e me embreagar de paz. É poder tirar o sapato apertado depois de uma festa e deixar os pés em água morna por alguns minutos. Tocar teu corpo, ouvir o som de tua voz, rir de tuas piadas bobas... Finalmente compreendi! Estou digerindo, vivendo e me permitindo ser feliz enquanto estou aqui. Quando passar daquela porta, não sei.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
sábado, 8 de janeiro de 2011
Embora distante...
Foto: Emme
Pareço-me perdida? É apenas um disfarce.
Ainda sonho com o dia em que não precisarei
mais esconder de mim mesma todos os sonhos que,
mais esconder de mim mesma todos os sonhos que,
indiretamente, fazem-me caminhar.
Passos curtos, lentos, descalços, mas sempre na mesma direção.
Distância é algo muito relativo quando se tem, dentro de si, o mundo inteiro.
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Goiabada com queijo
Iniciei e interrompi a escrita deste texto muitas vezes, não conseguia expor ou sequer entender o que acontecia aqui dentro. Era a sensação da palavra engasgada, mas que deveria passar por um tempo curando. Isso mesmo, curando!
Receita de desamor deve ser igual ao de goiabada: mete-se num grande tacho todos os sentimentos cuidadosamente selecionados, os pedaços do que sobrou do seu coração, uma grande porção de açúcar e muitos litros devida água.
Paciência e atenção são necessárias durante todo o tempo de preparo. Os segredos são a temperatura branda movimento contínuo - mexa sempre de forma que os ingredientes se dissolvam, se misturem e certifique-se de que não queime ou se formem crostas. Depois disso, vem a parte "mágica" da coisa: despejar o conteúdo denso num recipiente de formato e tamanho que desejar para esfriar. Eu escolhi, desta vez, dividir a receita em duas partes; a parte maior será reservada e a outra será dividida, mais uma vez, em pequenas porções (de modo que eu possa embrulhar em papel de bala e carregar comigo na bolsa).
Doses diárias de doçura, desafio e amor pela vida e, se por ventura, alguém desejar uma porção maior deste doce que preparei com tamanho carinho, façamos um acordo! Esta pessoa terá de trazer uma boa porção de queijo para acompanhar a goiabada.
Receita de desamor deve ser igual ao de goiabada: mete-se num grande tacho todos os sentimentos cuidadosamente selecionados, os pedaços do que sobrou do seu coração, uma grande porção de açúcar e muitos litros de
Paciência e atenção são necessárias durante todo o tempo de preparo. Os segredos são a temperatura branda movimento contínuo - mexa sempre de forma que os ingredientes se dissolvam, se misturem e certifique-se de que não queime ou se formem crostas. Depois disso, vem a parte "mágica" da coisa: despejar o conteúdo denso num recipiente de formato e tamanho que desejar para esfriar. Eu escolhi, desta vez, dividir a receita em duas partes; a parte maior será reservada e a outra será dividida, mais uma vez, em pequenas porções (de modo que eu possa embrulhar em papel de bala e carregar comigo na bolsa).
Doses diárias de doçura, desafio e amor pela vida e, se por ventura, alguém desejar uma porção maior deste doce que preparei com tamanho carinho, façamos um acordo! Esta pessoa terá de trazer uma boa porção de queijo para acompanhar a goiabada.
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