sexta-feira, 31 de julho de 2009

Convite [Broxada Poética]

Convidaste-me,
Eu hesitei.
Chamaste-me,
Eu pensei.
Impuseste-me,
Eu cedi.

Hesitei, quando percebi que estava embriagado,
Pensei, na distância que teria de percorrer àquela hora da noite,
Cedi, quando vi que meu corpo não resistia à sua instantânea volúpia.

Tua embriaguês não nos ajudou,
A distância percorrida não valeu a pena,
Meu corpo não sentiu o calor intenso que me prometia há tanto tempo.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Aquele Abraço

Sete dias seguidos e contados. Poderiam ser até mais, não me importaria. Não sei ainda como explicar como meu espírito se tranquiliza com tua presença.Teu olhar tranquilo faz com que eu perca meu ritmo.

Nada, nenhum problema ou desamor é capaz de interromper esta vibração tão positiva quando te encontro.Naquela noite você soube exatamente do que eu precisava. Não tivemos mais do que dois ou três minutos de conversa, mas o seu abraço durou tempo suficiente para que jamais esqueça do quanto é bom ser querido por alguém.

Ficaria alí envolta em teus braços por muito mais tempo. Aproveitaria para reconhecer o perfume em seu colarinho. Sentiria também teus dedos entrelaçados em meu cabelo e, talvez deixasse impregnado meu perfume em sua pele.

Infelizmente não sei dizer se este abraço seria um acalento paterno, um charme adquirido com o tempo ou se o fez porque desejava alguns segundos mais próximo de mim. Só digo que aquele abraço me fez tão bem, que durará uma eternidade em minha memória

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Funil

Bateu em minha porta com meio-sorriso e seu olhar sorrateiro percorreu todo meu corpo sem pudor. Deve ter estranhado como estava vestida, fui pega de surpresa: cabelos presos num coque, moleton velho e meias grossas calçando uma confortável Havaiana.

Por mais que desejasse esta visita há muito tempo, sabia que não cumpriria com o protocolo. Mal tinha desfeito minha cara de surpresa, tampouco oferecer uma cadeira para se sentar. Teus olhos transformaram-se em duas brasas ardentes, tuas mãos pesadas tocaram minha nuca e antes que pudesse reagir, teus lábios pressionaram contra os meus. Não consegui pensar em nada, ou melhor, pensei sim "foi exatamente desta forma que me roubaste o primeiro beijo. Teria eu a sorte de cair novamente em seus braços depois de tanto tempo?"

Entendi o que queria de mim. Não tive chance em dizer não. De certa forma fui covarde, pois me acostumei com o tempo a dar-te prazer e você não saber mais o significado de retribuição do prazer.

Minha gratificação reflete-se em sua expressão rude, em sua voz ditando as ordens, em tuas mãos conduzindo meus lábios em seu corpo. De tudo que pude sentir até o momento, percebo o quanto esta relação foi se limitando. Não tenho mais o direito de sentir o calor de teu corpo, muito menos tua respiração ofegante. Sinto em não poder gozar desde momento com a mesma intensidade que você.

E agora que saiu daqui saciado, pergunto-me até quando buscará em meus lábios razão para manter meu endereço em sua caixa de e-mails, meu número em sua agenda, meu nome em sua história...

Pergunto-me também até que quando suportarei transformar o teu prazer, teu olhar ofuscado pós-ejaculação em algo que ainda possa me trazer satisfação. ]

Não trago mais esperança de que um dia poderá compreender que já tive um corpo, já tive sentimentos e frustrações, que já tive desejos que superaram minhas limitações físicas e morais. Impuseste tantas regras... agora tudo isso vira um questionamento ainda maior: se já não possuo alma, se meu corpo não te excita, qual será o próximo passo para me matar de vez?

terça-feira, 28 de julho de 2009

Identidades

Teria eu o perfil adequado para você? Quanto mais te conheço, mais sinto que poderei te decepcionar em algum momento.

Posso fazer o tipo doce, meiga, tímida e centrada. Mas tenho identidades secretas. Um perfil moldado de acordo com a ocasião. De santa à puta em alguns segundos, é só saber provocar na hora certa.

Moral? Talvez não seja o melhor momento para definir, mudo a cada instante. Sou doce, mas se usar em demasia, poderá enjoar ou mesmo encontrar no fundo desse pote o mais intenso amargo. Sim. Infelizmente eu ainda carrego o amargo dentro de mim.

De cada decepção que sofri, uma boa dose desse fétido líquido foi injetado em mim. Procuro ainda alguma alternativa para me livrar disso, mas ainda não encontrei.

Não confunda! Posso parecer objetiva e centrada, mas vejo isso como teimosia, nada mais. Teimo em viver em paz comigo mesma. Teimo em tentar encontrar em alguém ou alguma coisa que me traga equilíbrio. Teimo também em me machucar a ver alguém que amo sofrendo.

Quem você encontra aqui dentro destas identidades poderá te decepcionar menos?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Toma lá, dá cá!

Um dia me disseram que deveria mandar as pessoas catarem coquinhos quando me pertubassem. Acontece que já mandei tantas, que ando sem opção ultimamente. Estou vendo que eu mesma irei catar os coquinhos sozinha.

sábado, 18 de julho de 2009

Por que eu?

Cada vez que recebo uma ligação ou mensagem sua convidando-me para algum evento, festa, show ou mesmo uma conversa informal, pergunto-me, por que eu? Uma pessoa tão intensa e imersa em cultura, dotada de carisma e tantas outras qualidades, por que dedicar algum tempo de sua agenda tão lotada comigo?

Não sei se é um teste, se pretende descobrir algo em mim que talvez ainda não tenha tomado consciência. Mas por que eu?

Apesar desta dura casca que mantenho, por dentro sou frágil, tímida, tenho vergonha do que ainda não vivi ou aprendi. Confesso que gostaria de alimentar nossos diálogos com experiências, histórias e conhecimentos para compartilhar com você. Todavia, o que consigo fazer é compartilhar o vazio, o oco e os ecos das diversas vozes que mantenho dentro de mim.

Teu olhar terno e paciente produz em mim sensações das quais não experimentava há muito tempo. Outro dia, pensei que estaríamos num estado de “flerte”. Acreditei por poucas horas, que você poderia desejar mais que ouvidos para tuas experiências. Lembrei que ao fazer o primeiro contato contigo, já havia deixado bem claro que o meu intuito era apenas acadêmico, precisava me defender de alguma forma. Mas teu olhar carinhoso penetrou em minha alma através das pequenas frestas que havia em minha larga crosta.

Revendo algumas anotações que fiz em um antigo diário, li o perfil do meu “futuro companheiro”, uma espécie de lista de predicados que uma pessoa deveria ter para me conquistar: companheiro, bem humorado, capaz de incentivar-me a crescer e desenvolver habilidades das quais não sabia que existisse em mim, que tivesse bom gosto, mas que não atraísse a atenção pela forma e sim pelo sentido que daria a minha vida.

Li tudo isso e chorei. Escrevo agora sobre você e continuo chorando. Teria eu feito alguma coisa para merecer tanto? Mesmo que não haja mais que amizade. Que de teu tempo, possa beber mais que vinho, possa beber também conhecimento e motivação para permanecer em minha caminhada, guiada é claro, por pessoas de alma tão intensa e sensata como a tua. Realmente não sei o que você poderia ganhar ou trocar comigo.

Não faço a menor idéia do que tenho para te oferecer, mas serei eternamente grata e não medirei esforços para estar contigo mais vezes, mesmo que seja para compartilhar meu vazio observador e contemplativo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vergessen

Esqueça se ele pode fazer-te descobrir teus melhorres ângulos.

Esqueça se ele pode desvincular-te da realidade, mesmo que seja por poucos minutos.

Esqueça se no momento em que menos esperava, foi nos braços dele em que encontrou consolo.

Esqueça que parte da loucura que ele possui também estão em ti.

Esqueça das novas cores que conheceste através dele, pois já estão opacas e sem vida.

Esqueça das melhores fantasias em que desenvolveste ao pensar nele, pois agora, não há mais como realizá-las.

Já disse: Esqueça! Fotografar, alienar, consolar, enlouquecer, colorir ou fantasiar nunca fará de ti uma pessoa feliz.

sábado, 4 de julho de 2009

Nós

Tudo o que desejava nesta noite era poder voltar para o meu travesseiro com memórias de superação e de auto-estima. Talvez isso faria com que a satisfação fosse tanta ao ponto de me fazer perder o sono e até a vontade de escrever. Retornando para casa, o único pensamento que tive foi "Falta de suor, produz lágrimas". Desta vez não suei as lágrimas acumuladas e não pude injetar endorfina em minha corrente sanguínea.

Não utilizei minhas glândulas sudoríparas como desejava e voltei com alguns nódulos em minha garganta. Chorei sem entender bem o por quê. Mas depois de algumas horas com minha cabeça no travesseiro, entendi que tenho muitos "porquês" vivem como sombras.

Tenho nó de saudade, nó de não ter o amor de quem gostaria, nó de não poder entender porque pessoas sem nada a me acrescentar ainda me machucam tanto. Nó de não dizer o que penso de imediato. Nó, nó, nó... infinitos nós.

E agora travesseiro que estamos à sós, cuide bem de nós.