Assisti, no início desta semana, a uma reportagem em um programa "Teen" na TV Cultura que discutia os cuidados que um jovem deveria ter ao escolher sua carreira. Reduzi o volume do som autofalante no computador e aumentei o da TV instintivamente. Até dei risada de mim mesma: "Estou beirando os trinta! Isso não deveria me interessar mais, né?".
Ignorando minha sessão de auto-sarcasmo, prestei atenção à toda matéria e o que me chamou a atenção foi o depoimento de uma garota de 18 anos dizendo que aquele momento era muito importante para ela, pois tratava-se de uma decisão que determinaria todo o seu futuro. A coitada não me disse nenhuma novidade até aí, mas confesso ter usado novamente de sarcasmo ao falar com o aparelho: "Se liga, doida! Daqui dez anos pensará em outra coisa para fazer. Relaxa, sempre há um jeito de mudar de rumo".
Será mesmo? Até perdi o sono depois disso. Corri para a cozinha, abri a geladeira (por que sempre procuramos resposta dentro de um objeto que serve para resfriar alimentos, hein?), nada para beliscar e um restinho de Coca-Cola sem gás.
Nem o refrigerante insosso pôde responder. Todavia, a (mal)dita reportagem serviu de alavanca para abrir um baú de memórias: quando foi mesmo que optei pelo magistério?
Duas profissões sempre fizeram parte do meu imaginário infantil. Uma delas é ainda um enigma. Acompanhava religiosamente os programas do Chacrinha, sonhava em voar naquela espaçonave de última geração com a Xuxa e desfilava pelo quintal cantarolando "Manequim" do grupo Dominó.
Engana-se aquele que pensa que eu fico envergonhada ao contar isso. Não adianta negar o passado, pois sei que algum dia meus tios vão retirar a poeira de seus arquivos VHS e provar o quanto era "aplicada" nas festas de família.
Recordo-me de duas promessas: "Se teu pai conseguir logo um emprego, você entra no balé" e "Procure um curso de teatro que não seja muito longe ou caro e vamos ver o que podemos fazer". Adultos deveriam entender o que isto realmente significa para quem tem menos de 10 anos de idade!
Não os culpo. Eu quem deveria ser mais decidida, contudo, optei pela reprodução dos modelos que conhecia bem. Aos 12 já recebia uns trocados para cuidar das filhas de minha vizinha: lousa na parede, folhas de um caderno e o bom e velho "ditado". A mãe jurava que as meninas estavam melhores na escola e eu, convencida de que era muito boa professora. Mas o que realmente importava era "aquela" caneta colorida com cheirinho de chiclete fazendo parte do meu acervo no estojo escolar! Estava rica!
Decidir pela minha profissão foi, portanto, muito fácil: opte pelo que poderá dar retorno o quanto antes, caminhe com suas próprias pernas e, se sobrar tempo, dance!
Vejam só, quanta ironia! De que retorno estava falando?
Aos 18 anos eu não sabia o significado de "efêmero", "controverso" e "pioneirismo".
Normal fia.... quando vc tiver 50 ainda vai se achar perdida mesmo com sucesso... a vida eh assim :)
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