Neste último sábado, encontrei-me com um amigo músico que não via há muito tempo. Este encontro foi singular porque estávamos em posições bem inversas às de quando nos conhecemos há três ou quatro anos: ele compartilhando comigo a felicidade de se tornar professor de música em uma escola de Educação Infantil Bilingue e eu, negociando a viabilidade de um show com um dono de bar na Vila Madalena.
Imaginem só! Aquele "homão" sorrindo ao falar de suas experiências com os pequenos e o quanto se sentia privilegiado em poder descobrir, através dos olhos delas, um outro modo de enxergar a vida.
- "Canela, é muito engraçado isso! Você convive com as crianças e elas te ensinam um outro modo de nos relacionar com o mundo. Estou feliz!" - disse ele.
Enquanto o dono do estabelecimento foi atender um de seus funcionários, minha mente transitou entre as rodas de conversa e trabalho pela manhã, entre as atividades individuais, nas orientações para resolver um conflito na hora do parque e até (acreditem!) nas discussões entre os professores sobre qual desafio oferecer às crianças para que despertassem o interesse pela escrita ou mesmo ouvissem, minimamente, às orientações dos adultos.
Antes de sair do local (irritada porque não conseguia criar um diálogo consistente e fechar negócio com o empresário) dei um abraço no congueiro. Um dos gestos mais significativos que pude reaprender na Educação Infantil, na tentativa de agradecê-lo por me lembrar de um tempo em que as regras de um jogo ou "combinados" eram bem claros e deveriam ser respeitados até o final.
Todos passaram pela infância, mas poucos tiveram o privilégio de VIVÊ-LA mais do que uma vez!
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
domingo, 29 de agosto de 2010
Embrulho
Embrulhe-se comigo com ou sem palavras
Ajude-me a absorver cada gota salgada que brota de meus olhos
Assim, sem motivo:
Venha, embrulhe, envolva e absorva
Esta dor sem motivo
Este calor sem abrigo
Este pecado sem castigo
Esta solidão... esta solidão!
Embrulhe, leve-a daqui
Quero tanta coisa
E o que está ao alcance
É o que eu não quero.
Embrulhe meus dizeres
Entregue teu olhar
Devolva o que me roubou
Espante o nosso medo
Dá-me abrigo
Ajude-me a absorver cada gota salgada que brota de meus olhos
Assim, sem motivo:
Venha, embrulhe, envolva e absorva
Esta dor sem motivo
Este calor sem abrigo
Este pecado sem castigo
Esta solidão... esta solidão!
Embrulhe, leve-a daqui
Quero tanta coisa
E o que está ao alcance
É o que eu não quero.
Embrulhe meus dizeres
Entregue teu olhar
Devolva o que me roubou
Espante o nosso medo
Dá-me abrigo
sábado, 14 de agosto de 2010
Sabores
Certa vez, perguntaram-me o que realmente queria.
Respondi que desejava sabor. Mais sabor!
Fujo o quanto posso do vício amargo.
A desconfiança, às vezes, nos obriga a sermos azedos.
Cansei-me do sal do aperitivo.
Pimenta só nos faz sentir o sabor distorcido das coisas.
Açúcar em demasia traz péssimas consequências.
Talvez, o agridoce estimule um pouco mais a imaginação.
Respondi que desejava sabor. Mais sabor!
Fujo o quanto posso do vício amargo.
A desconfiança, às vezes, nos obriga a sermos azedos.
Cansei-me do sal do aperitivo.
Pimenta só nos faz sentir o sabor distorcido das coisas.
Açúcar em demasia traz péssimas consequências.
Talvez, o agridoce estimule um pouco mais a imaginação.
Ah, sim... O que realmente desejo?
Suavidade e intensidade. Nada mais.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Dedicatória
Dedico aquele poema do Vinícius aos que passaram
E aos que passarão
Aos amores que permanecem
E aos que me esquecerão
Que é de retalhos...
finos tecidos descartados,
com doces linhas permeados
Tristeza aqui não!
Colcha única esse meu coração.
(via twitter @CanelaDS + @Galldino #twitradio)
sábado, 7 de agosto de 2010
Tomei coragem e mandei as cartas!
Num impulso, retomei os trechos de cartas que estavam publicadas aqui e outras em rascunhos em meu e-mail.
Foi a mesma sessão de sempre: lê, relê, treme de nervoso ao imaginar o destinatário lendo aquela quantidade de frases sem nexo... respira fundo e... "Enviar".
Passaram-se alguns dias. Sinto que formatar tantas memórias foi um ótimo exercício. Sinto que ao clicar em "Enviar", mandei meus pensamentos para um buraco negro, pois não houve nenhuma reação. N.A.D.A!!!
Dizem que devemos correr riscos. Já superei minha cota.
Foi a mesma sessão de sempre: lê, relê, treme de nervoso ao imaginar o destinatário lendo aquela quantidade de frases sem nexo... respira fundo e... "Enviar".
Passaram-se alguns dias. Sinto que formatar tantas memórias foi um ótimo exercício. Sinto que ao clicar em "Enviar", mandei meus pensamentos para um buraco negro, pois não houve nenhuma reação. N.A.D.A!!!
Dizem que devemos correr riscos. Já superei minha cota.
domingo, 1 de agosto de 2010
Escrevo cartas para quem não vai ler - Parte II
Já conheceu alguém com uma letra estampada na testa? Eu já! Aliás, quem nunca viu é porque ainda não olhou bem para o espelho. Sempre usamos estas letras de escudo ou, usam-nas como rótulos. Já que não posso livrar-me dela, somarei outras letras. Apenas uma não dará conta de revelar o que eu ainda nem sei o que existe embaixo dessa carne.
***
O som... a mistura, estranheza e curiosidade.
- "Quem será?"
- "Este 'quem' é múltiplo!"
- Será que, em uma destas parcelas, há a paciência? Afinal, para contar histórias, preciso de tempo para internaliza-las.
- Que história? Está louca? Volte e recolha-se. Não está pronta...
***
O som... a mistura, estranheza e curiosidade.
- "Quem será?"
- "Este 'quem' é múltiplo!"
- Será que, em uma destas parcelas, há a paciência? Afinal, para contar histórias, preciso de tempo para internaliza-las.
- Que história? Está louca? Volte e recolha-se. Não está pronta...
Marcadores:
Amor,
confissões,
Sarcasmo,
Saudade,
Viagem total
Assinar:
Postagens (Atom)