É como uma lesma passeando sem direção. Deixa aquele rastro gosmento e me causa náuseas! A vontade é de caminhar livremente, observar e também causar algum tipo de admiração por onde passar. Assim como fazem as borboletas. Quem dera!
Quem dera ter a certeza de que ao me refugiar em casulo, houvesse a certeza de que criarei asas. De que poderei transitar, impactar e reproduzir este milagre. Sepultar o rastro.
Muito estranho este fenômeno. Enquanto me adaptava à nova condição - a de lagarta saciada e pendurada de cabeça para baixo - pintei um quadro: cada pincelada tomou forma com estas mãos. Era um rastro colorido cheirando a tinta fresca. Causava-me orgulho. Criei algo que pudesse me dar conforto nos dias de reclusão, um mapa que me desse direção.
Eis que o casulo se rompeu. Em vez de borboleta, virei lesma. E a minha tela um borrão asqueiroso.
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