Acalmem-se, deixe-me explicar!
Não conhecia o significado de efêmero porque o prazer que se obtêm com a média de setecentos alunos/ano não corresponde às horas perdidas corrigindo avaliações.
Quando aluna, pensava que entregar uma avaliação em branco era o ápice da transgressão - jamais arriscaria tal façanha! Hoje, agradeço estes infelizes. Não serei agredida com informações sem nexo, frases mal formuladas, ortografia e caligrafia inexistentes. Afirmo que há provas em que preferiria receber em braile!
As controvérsias surgem quando, ao bater o sinal para o intervalo, alguns alunos dizem: "Mas já? Tava tão legal!"; "Nossa, professora! Eu nunca tinha pensado nisso!". Ok, confesso. Isso acontece uma vez por semestre, mas dá um gostinho mágico àquele que tenta segurar na garganta seus incontáveis pimpolhos.
Já me revoltei com um vendedor de "microfones da Madona" com um falante preso na cintura - segundo ele, era um produto exclusivo para professores, nas cores preto, branco e rosa.
Esbravejei sem titubear: "Quem disse que, para conquistar o respeito dos alunos, eu deveria aumentar o volume de minha voz?". O resultado? Estou com dois nódulos nas cordas vocais, não canto mais nem debaixo do chuveiro e sei que guardei o cartão daquele vendedor em algum lugar.
Sobre o pioneirismo? O significado desta palavra me vem ao paladar todos os dias. Não há nenhum artista assumido em minha família. Seguimos todos a mesma corrente operária, executamos serviços, vendemos nossas horas e não pensamos muito sobre isso para não enlouquecer.
Sinto que, neste ponto, eu consegui romper com as tradições.
Enlouqueci!
Chutei o balde!
Larguei tudo e saí correndo!
Corri e estou tão longe do que me trouxe aqui... É estranho voltar para casa. Já não me reconheço diante dos outros, muito menos em frente ao espelho. Falo sozinha e, às vezes, isso é engraçado. Até ouso expor algumas coisas que penso em palavras. Se alguém quiser ler, ótimo.
Pioneira serei, quando responder alguns dos meus enígmas nauseantes. Até as enumerei para ficar mais didático:
1° De que forma pendurarei meu avental sujo de pó de giz?
2° Será que estou velha demais para usar sapatilhas de dança pela primeira vez?
3° Há alguém nesse mundo que viva disso, somente?
4° Assumir, publicamente, minhas (des)organizadas hipóteses fará de mim uma pessoa menos confiável, insegura ou fraca?
Quando finalmente resolver estas (e outras) questões, desejo ter a certeza de que nenhuma decisão profissional tomada aos 18 anos será totalmente irreversível.
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