Quando não se entende como encaramos o fim, ou seja, como fazemos para começar outra coisa que seja depois do fim, nosso desejo imediato é repensar o começo. Foram tantos finais! Tantas histórias que de começo, nada tiveram. De fato, só existiram em minha cabeça. Todas elas começaram como eu desejava e terminaram sem que percebesse. Ainda guardo um pedaço, um cheiro, um som... até o calor do sol sobre a pele... Isso ainda me faz recordar, mas não me faz viver.
Certo dia me deram um exemplo. O do surfista que amarra suas pranchas ao tornozelo, enfrenta as ondas, toma belos caldos, perde sua prancha, mas aquela fita amarrada ao tornozelo permanece. Assim ocorre sucessivamente até que seus pés se encontrem lotados de fitas sem utilidade, impossibilitando-o de fazer qualquer manobra mais ágil. Os restos das pranchas sobrepostas e apertadas aos tornozelos impedem o laçar de outras novas. O surfista resolve então se aposentar. Senta-se em frente ao mar, emociona-se com as ondas, com a agilidade que outros ex-companheiros ao se divertem e dominarem a força da gravidade, das águas... Mas os restos das pranchas presas aos seus pés o impedem de caminhar, de voltar ao mar. Ele tem medo de retirar o que objetivamente não serve mais. Tem medo de abrir mão das lembranças, das ondas, da adrenalina que foi arriscar-se. Suas pranchas, apenas o que sobrou de suas pranchas, são testemunhas de suas vitórias e fracassos. O que está preso em seus pés são os únicos que podem depor toda a verdade. Tirar isso dele, seria abrir espaço para o devaneio, para a fantasia. Quanta bobagem! Na verdade, do que esse surfista tem mesmo medo é de encarar a própria pele sob tantos farrapos. Há feridas! E elas não foram causadas pelos acidentes, pelo rompimento, pela perda das pranchas ou pelo próprio mar. Feridas só persistem porque foram falsamente curadas. Foram encobertas!
Perguntei a quem me deu este exemplo do surfista (eu jamais pensaria numa coisa assim!), como poderia começar a cortar esses laços, estes apêndices que não fazem outra além de provocar dor e paralisia. Não obtive uma resposta concreta. Meu desejo sincero neste momento é o de olhar nos olhos de cada um que se foi e pedir perdão. Perdão por ter falhado, por não ser o que esperavam que eu fosse. Mas ainda acho que isso não é o suficiente. Sei que é necessário também perdoar. Há tantos nós que ainda me sufocam, me paralisam. Não sei por onde começar. Também não sei se estou pronta para me ver despida de sofrimento.
Se pensar no exemplo do surfista, parece que já me esqueci da sensação de brincar no mar, de me sentir envolta, embalada e acariciada por ele. Há um peso e eu não sei como esvaziá-lo.
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domingo, 22 de janeiro de 2012
domingo, 25 de dezembro de 2011
Acordo literário
Iniciarei uma nova campanha em favor de mim mesma: cada vez que pensar em ouvir tua voz não recorrerei mais ao celular para mandar mensagens ou fazer chamadas que dificilmente serão atendidas. Em vez disso, procurarei um poema para ler. Aquela pilha de livros que aguarda pelo tempo que eu esperava tanto ter, me agradecerá por isto.
Sou consciente de que não é possível retirar tudo o que não me faz bem e jogar fora de uma só vez. Temos certeza de que esse vazio provocado pela ruptura seja ainda mais dolorido. Sabemos que é tempo de expandir-nos, de buscarmos novos caminhos e pensarmos que não é possível reviver ou nos prender às lembranças torpes de nossos dias mais felizes.
Tuas palavras serão substituídas por outras, de outras pessoas. Talvez ainda mais criativas e intensas que as tuas... Assim espero. Se não for assim, compro um livro de piadas, pois sei que você não tem o menor senso de humor.
Sou consciente de que não é possível retirar tudo o que não me faz bem e jogar fora de uma só vez. Temos certeza de que esse vazio provocado pela ruptura seja ainda mais dolorido. Sabemos que é tempo de expandir-nos, de buscarmos novos caminhos e pensarmos que não é possível reviver ou nos prender às lembranças torpes de nossos dias mais felizes.
Tuas palavras serão substituídas por outras, de outras pessoas. Talvez ainda mais criativas e intensas que as tuas... Assim espero. Se não for assim, compro um livro de piadas, pois sei que você não tem o menor senso de humor.
domingo, 27 de novembro de 2011
Quero Bossa Nova!
Tentei, juro que tentei aquele exercício piegas de meditação publicado em algum site de exoterismo. Lá dizia que devia "aquietar minha alma", "sentir minha respiração", "coordenar os músculos do abdômen e tórax". Em seguida, deveria ouvir os meus sentimentos.
BA-LE-LA!!!
Eu aqui esperando que cada um dos meus sentimentos viesse com seu banquinho e tocasse uma canção de forma organizada, mas não foi bem assim. Recebi uma avalanche! Um turbilhão de sentimentos tocando uma nota diferente, uma melodia, um instrumento mais desafinado que o outro. Todos pulsavam e desejavam executar o seu solo!
Fiquei ainda mais confusa que antes. Não conseguia ouvir nada, me perdi de mim... Já não sabia mais o que sentia. Era uma nota qualquer... O mais puro ruído amplificado!
Se me permitem a ironia, gostaria de registrar aqui o meu desejo de ter todo esse talento também para compor canções de verdade. Talvez se conseguisse por ordem nisso, alguém poderia entender. Se eu entendesse já seria um bom começo.
Esperava uma Bossa Nova em minha meditação e o que eclodiu foi uma big band desarranjada. Onde está o regente? Quem vem organizar essa bagunça? Se ainda pudesse trancar cada um deles num estúdio para gravar as vozes separadas e ouví-las separadamente, ajudaria muito.
Quero me trancar num quarto escuro, vou começar uma nova meditação, se eu sumir por mais de uma semana, por favor, alimentem minhas tartarugas...
BA-LE-LA!!!
Eu aqui esperando que cada um dos meus sentimentos viesse com seu banquinho e tocasse uma canção de forma organizada, mas não foi bem assim. Recebi uma avalanche! Um turbilhão de sentimentos tocando uma nota diferente, uma melodia, um instrumento mais desafinado que o outro. Todos pulsavam e desejavam executar o seu solo!
Fiquei ainda mais confusa que antes. Não conseguia ouvir nada, me perdi de mim... Já não sabia mais o que sentia. Era uma nota qualquer... O mais puro ruído amplificado!
Se me permitem a ironia, gostaria de registrar aqui o meu desejo de ter todo esse talento também para compor canções de verdade. Talvez se conseguisse por ordem nisso, alguém poderia entender. Se eu entendesse já seria um bom começo.
Esperava uma Bossa Nova em minha meditação e o que eclodiu foi uma big band desarranjada. Onde está o regente? Quem vem organizar essa bagunça? Se ainda pudesse trancar cada um deles num estúdio para gravar as vozes separadas e ouví-las separadamente, ajudaria muito.
Quero me trancar num quarto escuro, vou começar uma nova meditação, se eu sumir por mais de uma semana, por favor, alimentem minhas tartarugas...
domingo, 11 de setembro de 2011
Aparição amorosa
Doce fantasma, por que me visitas
como em outros tempos nosso corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis, ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? A massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma ideia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.
Carlos Drummond de Andrade
como em outros tempos nosso corpos se visitavam?
Tua transparência roça-me a pele, convida
a refazermos carícias impraticáveis, ninguém nunca
um beijo recebeu de rosto consumido.
Mas insistes, doçura. Ouço-te a voz,
mesma voz, mesmo timbre,
mesmas leves sílabas,
e aquele mesmo longo arquejo
em que te esvaías de prazer,
e nosso final descanso de camurça.
Então, convicto,
ouço teu nome, única parte de ti que não se dissolve
e continua existindo, puro som.
Aperto... o quê? A massa de ar em que te converteste
e beijo, beijo intensamente o nada.
Amado ser destruído, por que voltas
e és tão real assim tão ilusório?
Já nem distingo mais se és sombra
ou sombra sempre foste, e nossa história
invenção de livro soletrado
sob pestanas sonolentas.
Terei um dia conhecido
teu vero corpo como hoje o sei
de enlaçar o vapor como se enlaça
uma ideia platônica no espaço?
O desejo perdura em ti que já não és,
querida ausente, a perseguir-me, suave?
Nunca pensei que os mortos
o mesmo ardor tivessem de outros dias
e no-lo transmitissem com chupadas
de fogo aceso e gelo matizados.
Tua visita ardente me consola.
Tua visita ardente me desola.
Tua visita, apenas uma esmola.
Carlos Drummond de Andrade
As contradições do corpo
Meu corpo não é meu corpo,
é a ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.
Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.
Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu pranto,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.
O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.
Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.
Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.
Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que eu não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor deo meu Eu
convertido em cão servil
Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.
Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.
Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
e vai pelo rumo oposto.
Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.
Carlos Drummond de Andrade
é a ilusão de outro ser.
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.
Meu corpo, não meu agente,
meu envelope selado,
meu revólver de assustar,
tornou-meu carcereiro,
me sabe mais que me sei.
Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha de minha mente.
Inocula-me seu pranto,
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos.
O seu ardil mais diabólico
está em fazer-se doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão.
Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do meu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se.
Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou que deseje,
e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.
Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que eu não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor deo meu Eu
convertido em cão servil
Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo.
É ele, por mim, rapace,
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.
Se tento dele afastar-me,
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
de sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto.
Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência,
mas ele sequer me escuta
e vai pelo rumo oposto.
Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor,
não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
saio a bailar com meu corpo.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, 7 de agosto de 2011
Pescaria
Isso não é um buraco. É um fosso! Ainda nem sei se o nome é saudade. Talvez seja só a vontade de sofrer, pois ainda que seja só dor, já seria alguma forma de sentimento. Não sentir nada é muito pior!
Sei que posso expulsar todos fantasmas, grilos ou crocodilos. No entanto, minha sombra permanecerá no meu encalço e boa parte das minhas ilusões se alimentarão de reflexos...
E esse buraco é só o que restou. Ainda não sei se me jogo de cabeça ou se arrumo uma vara de pescar. Sabe como é, né? Quem sabe ainda pode sair mais alguma coisa de lá?
domingo, 15 de maio de 2011
Quando não defino, pego emprestado.
"Ternura" - - Plamen Temelkov
"Eu não te pergunto nada, apenas desejo tanto você que sorrio como se não
me importasse com sua existência."
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Uma cor entre o vermelho e o verde
Iniciei a escrita deste post em meados de agosto. Naquela ocasião, senti algo que ainda não sabia definir, algo que havia guardado na gaveta de frustrações há muito tempo: esperança!
Em agosto já tinha bem claro quais seriam os principais candidatos dos quais receberiam minha parcela de poder; e confesso, não foi uma tarefa tão simples quanto nas outras duas últimas eleições das quais minha idade permitiu participar diretamente.
Filha de um metalúrgico e uma empregada doméstica, cresci embalada pelas críticas e brutais chacotas que faziam ao meu pai por defender, publicamente, seu voto. Minha mãe preferia sempre o silêncio e, para não se sentir agredida indiretamente, fazia de tudo para colocar "panos quentes" sobre o assunto. Doía-me não ser "grande" o suficiente para entrar na conversa dos adultos e defender também aquilo que eu já achava certo.
A primeira eleição presidenciável da qual pude participar foi em 2002 (olha só como eu sou jovem, minha gente!), aos 20 anos e prestes a encerrar do curso de História. Assisti de perto muitas discussões, dentro e fora da universidade, onde todos os motivos pelos quais um certo "da Silva" deveria assumir o bastão e coordenar o país.
Convicta de que aquele seria o momento de fazer virar o jogo, minha postura como educadora e "formadora de opinião" passou a tomar forma, ainda que timidamente. Saía nas ruas vestida de vermelho; como não tinha carro, a solução foi colar adesivos nas pastas onde guardava as anotações e livros da faculdade: meus maiores bens! Ao retornar para casa, discutia abertamente sobre o assunto entre estudantes de cursos diferentes do meu. Deixava-os defenderem seu posicionamento antes de contra-argumentar; esta sempre foi uma boa estratégia, pois era a partir dos argumentos que eu tinha entendia - mais ou menos - o quanto a política era relevante para a vida daquela pessoa. Entretanto, o amargo sempre me vinha à boca: as chacotas contra os metalúrgicos, nordestinos e analfabetos...
Não sei descrever o quanto isso tira o apetite e faz acordar um sentimento que me desafia toda vez que ele se mistura ao sangue. As memórias da infância paralizavam meus sentidos e sabe-se lá Deus, o esforço que fazia para não piorar o suposto "diálogo" proferindo xingamentos. Política não era para ser discutida dessa forma, eu sabia disso. Para não cerrar os punhos, preferia sentar-me sobre as mãos... uma influência clara da mistura de temperamento dos meus pais.
No Reveillon de 2002 para 2003, vesti-me de vermelho. Além dos desejos que esta cor reserva para si, lá estava eu, diante da TV, assistindo ao lado de toda a família um dos momentos mais importantes para a história do Brasil e, especialmente, à familia "da Silva". O que pudemos vivenciar nos 4 anos seguintes foram previstos até que surgiram denúncias fétidas.
Em 2006, afastada plenamente das discussões que envolviam política, reelegi meu presidente com o único desejo de que nos próximos 4 anos não tivesse encarar um tucano em seu lugar. Desejava uma terceira via, um conjunto de atitudes que pudessem modelar um discurso do qual eu pudesse me encaixar. Onde o resultado do sangue inquieto de meu pai e a prudência de minha mãe pudessem se traduzir. Contudo, esse desejo só se materializou em 2010, com Marina Silva - mais uma Silva!
O partido do qual ela se aliou nunca me convenceu com seu "ecodiscurso". A grosso modo, vejo muitos tucanos-camaleões-verdes. Até posso estar enganada... contudo, o tempo fez mostrar algumas penas azuis e amarelas saírem do armário.
Precisei contar tudo isso (dois meses depois de iniciar a escrita deste post) para explicar porque a esperança voltou a fazer latejar este sangue que andava um tanto aguado: pela primeira vez, desde 2002, assisti um discurso emocionado de Lula em Osasco durante um comício. Ao lado dele, um personagem vestido de palhaço, cuja voz conhecia muito bem, pois eram nas noites mais sombrias - nas quais nem meus pais ousavam compreender o abismo onde havia enterrado meus sonhos -, que aquele palhaço cantava versos de ninar à uma recém adulta que achou que poderia mudar algo sozinha.
Entre 2006 e 2009 vi tudo o que construí como profissional da educação pública esvair-se. Não havia saída. Somente um grupo de palhaços que davam suas faces para o beijo e para o tapa poderiam ter, quem sabe, uma ideia do que é ser professor neste país. Eles são também formadores de opinião: são artistas!
As manifestações de alegria nas redes sociais desta trupe, logo após o comício, foram ressuscitando aquele meu pulsar acelerado da infância até 2002. Ao contrário do que muitos fazem, eles não se abateram com as críticas vindas de seu público e persistiram manifestando, abertamente, suas opiniões.
Percebi, através desse gesto, que grandes mudanças não ocorrem rapidamente e que nossos ideais podem ser potencializados se forem somados à outras esferas de nossa sociedade: educação e cultura devem caminhar juntas!
E por não concordar plenamente com o conjunto de ideias de um partido e tentar, mais uma vez, desencaixotar a esperança que havia se desgastado (assumidamente entre o verde e o vermelho), me permiti acompanhar, registrar e comemorar a vitória de Dilma Roussef ao lado de Gustavo Anitelli, Fernando Anitelli e Galldino de Santana. Três grandes homens pintados de sonhos e ousadia que, através da arte, fizeram acordar uma mulher orgulhosa de seus tropeços, paciente para tomar novas decisões e não desanimar perante seus ideais, pois eles não dependem necessariamente de uma cor para vestir.
Em agosto já tinha bem claro quais seriam os principais candidatos dos quais receberiam minha parcela de poder; e confesso, não foi uma tarefa tão simples quanto nas outras duas últimas eleições das quais minha idade permitiu participar diretamente.
Filha de um metalúrgico e uma empregada doméstica, cresci embalada pelas críticas e brutais chacotas que faziam ao meu pai por defender, publicamente, seu voto. Minha mãe preferia sempre o silêncio e, para não se sentir agredida indiretamente, fazia de tudo para colocar "panos quentes" sobre o assunto. Doía-me não ser "grande" o suficiente para entrar na conversa dos adultos e defender também aquilo que eu já achava certo.A primeira eleição presidenciável da qual pude participar foi em 2002 (olha só como eu sou jovem, minha gente!), aos 20 anos e prestes a encerrar do curso de História. Assisti de perto muitas discussões, dentro e fora da universidade, onde todos os motivos pelos quais um certo "da Silva" deveria assumir o bastão e coordenar o país.
Convicta de que aquele seria o momento de fazer virar o jogo, minha postura como educadora e "formadora de opinião" passou a tomar forma, ainda que timidamente. Saía nas ruas vestida de vermelho; como não tinha carro, a solução foi colar adesivos nas pastas onde guardava as anotações e livros da faculdade: meus maiores bens! Ao retornar para casa, discutia abertamente sobre o assunto entre estudantes de cursos diferentes do meu. Deixava-os defenderem seu posicionamento antes de contra-argumentar; esta sempre foi uma boa estratégia, pois era a partir dos argumentos que eu tinha entendia - mais ou menos - o quanto a política era relevante para a vida daquela pessoa. Entretanto, o amargo sempre me vinha à boca: as chacotas contra os metalúrgicos, nordestinos e analfabetos...
Não sei descrever o quanto isso tira o apetite e faz acordar um sentimento que me desafia toda vez que ele se mistura ao sangue. As memórias da infância paralizavam meus sentidos e sabe-se lá Deus, o esforço que fazia para não piorar o suposto "diálogo" proferindo xingamentos. Política não era para ser discutida dessa forma, eu sabia disso. Para não cerrar os punhos, preferia sentar-me sobre as mãos... uma influência clara da mistura de temperamento dos meus pais.
No Reveillon de 2002 para 2003, vesti-me de vermelho. Além dos desejos que esta cor reserva para si, lá estava eu, diante da TV, assistindo ao lado de toda a família um dos momentos mais importantes para a história do Brasil e, especialmente, à familia "da Silva". O que pudemos vivenciar nos 4 anos seguintes foram previstos até que surgiram denúncias fétidas.Em 2006, afastada plenamente das discussões que envolviam política, reelegi meu presidente com o único desejo de que nos próximos 4 anos não tivesse encarar um tucano em seu lugar. Desejava uma terceira via, um conjunto de atitudes que pudessem modelar um discurso do qual eu pudesse me encaixar. Onde o resultado do sangue inquieto de meu pai e a prudência de minha mãe pudessem se traduzir. Contudo, esse desejo só se materializou em 2010, com Marina Silva - mais uma Silva!
O partido do qual ela se aliou nunca me convenceu com seu "ecodiscurso". A grosso modo, vejo muitos tucanos-camaleões-verdes. Até posso estar enganada... contudo, o tempo fez mostrar algumas penas azuis e amarelas saírem do armário.
Precisei contar tudo isso (dois meses depois de iniciar a escrita deste post) para explicar porque a esperança voltou a fazer latejar este sangue que andava um tanto aguado: pela primeira vez, desde 2002, assisti um discurso emocionado de Lula em Osasco durante um comício. Ao lado dele, um personagem vestido de palhaço, cuja voz conhecia muito bem, pois eram nas noites mais sombrias - nas quais nem meus pais ousavam compreender o abismo onde havia enterrado meus sonhos -, que aquele palhaço cantava versos de ninar à uma recém adulta que achou que poderia mudar algo sozinha.As manifestações de alegria nas redes sociais desta trupe, logo após o comício, foram ressuscitando aquele meu pulsar acelerado da infância até 2002. Ao contrário do que muitos fazem, eles não se abateram com as críticas vindas de seu público e persistiram manifestando, abertamente, suas opiniões.
Percebi, através desse gesto, que grandes mudanças não ocorrem rapidamente e que nossos ideais podem ser potencializados se forem somados à outras esferas de nossa sociedade: educação e cultura devem caminhar juntas!
E por não concordar plenamente com o conjunto de ideias de um partido e tentar, mais uma vez, desencaixotar a esperança que havia se desgastado (assumidamente entre o verde e o vermelho), me permiti acompanhar, registrar e comemorar a vitória de Dilma Roussef ao lado de Gustavo Anitelli, Fernando Anitelli e Galldino de Santana. Três grandes homens pintados de sonhos e ousadia que, através da arte, fizeram acordar uma mulher orgulhosa de seus tropeços, paciente para tomar novas decisões e não desanimar perante seus ideais, pois eles não dependem necessariamente de uma cor para vestir.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Encerrando o ciclo
Encerra-se o ciclo. Meus reversos ainda reverberam e as "cartas que escrevo para quem não vai ler" ainda latejam. Já não é mais um latejar de dor, é um latejar breve, íntimo e pacificador:
" É impossível agir com racionalidade quando o medo do desconhecido impera. Mais impossível ainda é agir com lógica dentro de um universo que nunca se ousou pisar; comecemos pelos universos que não se revelam num olhar, no reflexo do espelho.
Reclusão, interação, dor, incompreensão... Não há como materializar os sonhos quando nem os pés estão em terra firme.
Parece-me que implorar a paciência e a compreensão alheias são o mesmo que despedir-se de alguém muito querido. Os alheios vão!"
Ficar, esbravejar, chorar... culpar.
O sol se põe.
A noite é traiçoeira e, por vezes, boa conselheira:
'Seque tuas lágrimas, não lamente, descanse
Não peça paciência à outrem.
Você a tem consigo?'
O Sol retorna no horizonte
Siga as pegadas breves
Daquele que partiu
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Retrato
Nem sempre o que digo é o que realmente penso
Nem tudo o que penso pode ser, necessariamente, dito.
Verdades convencionadas:
Todas elas cabem num retrato!
Fotografias buscam a verdade do instante
O instante dos outros...
Poucos se atreveram a me retratar
Inconstância não tem enquadramento
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Escrevo cartas para quem não vai ler - Parte I
Publicarei aqui uma série de textos soltos, que, por alguma razão, não chegaram ainda ao seu destinatário. Antes que eu morra engasgada, segue:
Um som diferente conseguiu penetrar aquela figura que, por hora, decidiu abandonar alguns arquétipos. Sem opção naquele momento, o ostracismo poderia ser o único ambiente que pudesse acolhê-la.
Já que estava à margem, por que não recriar seu próprio mundo? Por que não publicar uma das suas últimas doces memórias nas paredes escuras, das quais ninguém saberá quem escreveu, muito menos quem poderá ler?
Mas o som, aquele indescritível som, era sim um convite para buscar novos ares, novas histórias para contar. Da inconformada negação, germinou um perfume, um movimento... sabor!
Ora imaginem! Se caminhar durante o dia já era um grande risco, quem dirá trocá-lo pela noite? "Lembre-se, ninguém está disposto. Ninguém quer ser exposto. Recolha-se, não será bem vinda aqui".
Um som diferente conseguiu penetrar aquela figura que, por hora, decidiu abandonar alguns arquétipos. Sem opção naquele momento, o ostracismo poderia ser o único ambiente que pudesse acolhê-la.
Já que estava à margem, por que não recriar seu próprio mundo? Por que não publicar uma das suas últimas doces memórias nas paredes escuras, das quais ninguém saberá quem escreveu, muito menos quem poderá ler?
Mas o som, aquele indescritível som, era sim um convite para buscar novos ares, novas histórias para contar. Da inconformada negação, germinou um perfume, um movimento... sabor!
Ora imaginem! Se caminhar durante o dia já era um grande risco, quem dirá trocá-lo pela noite? "Lembre-se, ninguém está disposto. Ninguém quer ser exposto. Recolha-se, não será bem vinda aqui".
Marcadores:
Amor,
confissões,
Conflito,
desabafo
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Sabe o que é estranho?
Retornando para a minha casa outro dia, pensei sobre algumas situações que poderiam não ser estranhas e, por teimosia, surpreendo-me com elas.
O amor não é eterno. Ele nasce, cresce, amarga e morre. Se você não morrer com ele, parabéns!
Fagulhas de carinho alimentam, por décadas, o calor de um coração demente.
Estar satisfeito com algo parece burrice!
Conhecer pessoas, não significa que elas desejam conhecer você!
Todos os dias precisam dos mesmos minutos. Jamais deixarei de passar pelas 23h23 ilesa.
Podemos mudar de opinião, sim. Basta mudar de país e excluir seu perfil no Twitter.
Marcadores:
Agressividade de Bolso,
Amor,
Conflito,
Sarcasmo
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Verbo substantivo. Substantivo, verbo
Nunca o ato de conjugar os verbos me chamou a atenção.
Pretérito (sempre) imperfeito
Presente (?) e
Futuro do pretérito.
Acredite...a vida é cíclica!
Buscaremos sempre um "futuro mais que perfeito"
E o perfeito estará sempre ofuscado pela poeira mórbida do passado.
Conjuguei vários infinitivos obedecendo uma lista de pronomes.
Um ato mecânico e vil...
Apavoro-me em conjugá-los no futuro.
Perdi a prática!
- Dêem-me licença, senhores acadêmicos!
Exijo uma reforma em nossa língua:
Transformo, a partir de agora, três substantivos em verbo:
Sucesso, sorte e vontade
(Talvez estes tenham algum sentido quando conjugá-los no futuro)
E suplico aos entendidos do palavrear que
Apenas UM verbo se transforme em substantivo:
sábado, 17 de julho de 2010
Amor e lama no jardim da infância
E foi assim, de mãos dadas no parquinho da escola, que senti pela primeira vez o que vim chamar de cumplicidade depois de adulta. Era a única criança da escola que poderia encontrar fora dela. Claudemir, o único loiro de olhos verdes da escola. Sentava-se ao meu lado. Ele era meu amigo!
Infelizmente não me lembro do que é que brincávamos, muito menos se os encontros ocorriam com frequência. Sei que as lembranças não tem tempo exato, elas só permanecem! A companhia de uma criança da mesma idade que eu, fazia-me sentir diferente das outras.
Sei que fui muito bundona, não gostava (e não gosto) de me meter em encrenca e temia perder a amizade dos outros. Fazia tudo o que a professora pedia. Repetia, inúmeras vezes, as letras que me ensinara. Sentia-me bem assim.
***
Sempre tivemos problemas com o despertador aqui em casa, e foi num dia como esse: chuvoso, frio... quase remelento que escorreguei descendo uma das vielas próximas à escola. Sujei todo o conga branco. Nem o uniforme verde musgo salvou-me da trajédia (grega) e de quebra, tomei uns puxões de orelha de minha mãe.
Ela nunca foi muito boa nisso também: sofre daqui e desconta em algo que nada resolverá.
Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.
Agora me diga? O que um puxão de orelha em uma criança suja de lama e atrasada para a escola , resolveriam? Só sei que foi naquele dia que experimentei a dor de um choro guardado. E se passei por semelhante experiência antes disso, não doeu tanto, afinal, não me lembro mais.
Atrasada, suja de lama, orelhas fervendo e um nó de arame farpado preso na garganta. Queria chorar... respirei e segui para a última cadeira, no fundo da sala. Não era o "meu lugar", mas o outro... aquele ao lado do meu amigo, tinha sido ocupado por outra menina.
Enquanto a professora foi buscar algo para ajudar-me a limpar a roupa, meu pesadelo ganhou um segundo capítulo:
- "ATRASADA! ATRASADA! ATRASADA!!!" - berraram meus coleguinhas, como numa torcida em um estádio de futebol.
O nó de arame farpado se transformou num ouriço inflado. Não aguentei a dor e chorei.
Tenho raiva desse dia até hoje! Tenho raiva de mim e vou dizer o por quê:
Quando a professora retornou à sala, vendo-me aos prantos perguntou o que havia acontecido e a sonsa aqui - com medo de não ter alguém para brincar na hora do recreio -, respondeu:
- Nada. Acho que a mesa está me apertando um pouco na barriga, só isso.
sábado, 26 de junho de 2010
Revendo escolhas - II
Acalmem-se, deixe-me explicar!
Não conhecia o significado de efêmero porque o prazer que se obtêm com a média de setecentos alunos/ano não corresponde às horas perdidas corrigindo avaliações.
Quando aluna, pensava que entregar uma avaliação em branco era o ápice da transgressão - jamais arriscaria tal façanha! Hoje, agradeço estes infelizes. Não serei agredida com informações sem nexo, frases mal formuladas, ortografia e caligrafia inexistentes. Afirmo que há provas em que preferiria receber em braile!
As controvérsias surgem quando, ao bater o sinal para o intervalo, alguns alunos dizem: "Mas já? Tava tão legal!"; "Nossa, professora! Eu nunca tinha pensado nisso!". Ok, confesso. Isso acontece uma vez por semestre, mas dá um gostinho mágico àquele que tenta segurar na garganta seus incontáveis pimpolhos.
Já me revoltei com um vendedor de "microfones da Madona" com um falante preso na cintura - segundo ele, era um produto exclusivo para professores, nas cores preto, branco e rosa.
Esbravejei sem titubear: "Quem disse que, para conquistar o respeito dos alunos, eu deveria aumentar o volume de minha voz?". O resultado? Estou com dois nódulos nas cordas vocais, não canto mais nem debaixo do chuveiro e sei que guardei o cartão daquele vendedor em algum lugar.
Sobre o pioneirismo? O significado desta palavra me vem ao paladar todos os dias. Não há nenhum artista assumido em minha família. Seguimos todos a mesma corrente operária, executamos serviços, vendemos nossas horas e não pensamos muito sobre isso para não enlouquecer.
Sinto que, neste ponto, eu consegui romper com as tradições.
Enlouqueci!
Chutei o balde!
Larguei tudo e saí correndo!
Corri e estou tão longe do que me trouxe aqui... É estranho voltar para casa. Já não me reconheço diante dos outros, muito menos em frente ao espelho. Falo sozinha e, às vezes, isso é engraçado. Até ouso expor algumas coisas que penso em palavras. Se alguém quiser ler, ótimo.
Pioneira serei, quando responder alguns dos meus enígmas nauseantes. Até as enumerei para ficar mais didático:
1° De que forma pendurarei meu avental sujo de pó de giz?
2° Será que estou velha demais para usar sapatilhas de dança pela primeira vez?
3° Há alguém nesse mundo que viva disso, somente?
4° Assumir, publicamente, minhas (des)organizadas hipóteses fará de mim uma pessoa menos confiável, insegura ou fraca?
Quando finalmente resolver estas (e outras) questões, desejo ter a certeza de que nenhuma decisão profissional tomada aos 18 anos será totalmente irreversível.
Não conhecia o significado de efêmero porque o prazer que se obtêm com a média de setecentos alunos/ano não corresponde às horas perdidas corrigindo avaliações.
Quando aluna, pensava que entregar uma avaliação em branco era o ápice da transgressão - jamais arriscaria tal façanha! Hoje, agradeço estes infelizes. Não serei agredida com informações sem nexo, frases mal formuladas, ortografia e caligrafia inexistentes. Afirmo que há provas em que preferiria receber em braile!
As controvérsias surgem quando, ao bater o sinal para o intervalo, alguns alunos dizem: "Mas já? Tava tão legal!"; "Nossa, professora! Eu nunca tinha pensado nisso!". Ok, confesso. Isso acontece uma vez por semestre, mas dá um gostinho mágico àquele que tenta segurar na garganta seus incontáveis pimpolhos.
Já me revoltei com um vendedor de "microfones da Madona" com um falante preso na cintura - segundo ele, era um produto exclusivo para professores, nas cores preto, branco e rosa.
Esbravejei sem titubear: "Quem disse que, para conquistar o respeito dos alunos, eu deveria aumentar o volume de minha voz?". O resultado? Estou com dois nódulos nas cordas vocais, não canto mais nem debaixo do chuveiro e sei que guardei o cartão daquele vendedor em algum lugar.
Sobre o pioneirismo? O significado desta palavra me vem ao paladar todos os dias. Não há nenhum artista assumido em minha família. Seguimos todos a mesma corrente operária, executamos serviços, vendemos nossas horas e não pensamos muito sobre isso para não enlouquecer.
Sinto que, neste ponto, eu consegui romper com as tradições.
Enlouqueci!
Chutei o balde!
Larguei tudo e saí correndo!
Corri e estou tão longe do que me trouxe aqui... É estranho voltar para casa. Já não me reconheço diante dos outros, muito menos em frente ao espelho. Falo sozinha e, às vezes, isso é engraçado. Até ouso expor algumas coisas que penso em palavras. Se alguém quiser ler, ótimo.
Pioneira serei, quando responder alguns dos meus enígmas nauseantes. Até as enumerei para ficar mais didático:
1° De que forma pendurarei meu avental sujo de pó de giz?
2° Será que estou velha demais para usar sapatilhas de dança pela primeira vez?
3° Há alguém nesse mundo que viva disso, somente?
4° Assumir, publicamente, minhas (des)organizadas hipóteses fará de mim uma pessoa menos confiável, insegura ou fraca?
Quando finalmente resolver estas (e outras) questões, desejo ter a certeza de que nenhuma decisão profissional tomada aos 18 anos será totalmente irreversível.
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