sábado, 10 de setembro de 2011

Verbos

Sofrer é outro nome
do ato de viver.
Não há literatura
que dome a onça escura.


Amar, nome-programa
de muito procurar.
Mas quem afirma que eu 
sei o reflexo meu?


Rir, astúcia do rosto
na ameaça de sentir.
Jamais se soube ao certo
o que oculta um deserto.


Esquecer, outro nome
do ofício de perder.
Uma inútil lanterna
jaz em cada caverna.


Verbos outros imperam 
em momentos acerbos.
Mas que para nomeá-los,
imperfeitos gargalos?


Carlos Drummond de Andrade

Nenhum comentário:

Postar um comentário