sábado, 8 de outubro de 2011

Você: espelho

Descobri que nunca soube falar de você. É só revisar a quantidade de textos que comecei a escrever e jamais consegui encerrar nenhum deles.

Sustento algumas teorias sobre isso; uma delas está baseada nesse medo indescritível de expor todos os nossos erros... Ainda não sei o que fazer com eles. Quer dizer, eu sei: quero começar outra vez e acertar o passo. Que seja somente minhas cartas e eu. Já será um bom recomeço.

Descobri que pessoas como você deixam marcas profundas nos corações que permitem sua entrada. Tentei fugir para me proteger, mas fiquei porque sou viciada nessa dor ilusória das paixões sem destino. O erro foi meu, não seu.

Descobri que no lugar dos culpados, deve existir o perdão. O tiro saiu pela culatra, não deveria passar de encantamento. Somos responsáveis pelas consequências dos nossos atos, sendo eles positivos ou não. 

Descobri que nunca te contei sobre um monstro que vive embaixo da minha cama. Ele se chama Abandono. Nasceu quando era muito pequena e mantemos uma relação bem delicada. Preciso consultar semanalmente um especialista para que eu possa me aproximar deste bicho horroroso. Sei que esta relação é um tanto complexa, mas fico feliz em entender o que me causa tanto pavor. Para falar a verdade, sonho com o dia em que possamos nos entender e ele procurar outro lugar pra viver. Já tenho até um nome para o que deverá substituí-lo: Acolhimento.

Descobri que, se não fosse por você, jamais teria buscado ajuda para expulsar este monstro, não saberia o caminho do auto-perdão, não entenderia o por que de tantas mágoas e também de não conseguir falar de você, pois não passa de uma projeção do que sou...

Você é uma outra história que (ainda) desejo muito conhecer.

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