sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Acusações do Teto

Vejo este teto chorando tuas goteiras intensamente e sinto que estou olhando para um espelho. Sou toda entregue às lágrimas e não sei quando elas irão secar.

Deito-me de bruços, não quero mais o espelho por perto. Mas ele insiste em questionar:

- Não vê que não pode alimentar-se apenas de poesia? Não vê que que parte de tua tristeza é apenas a ausência de uma pequena dose de orgia? Não vê o quanto é capaz de seduzir e não usa isso ao seu favor?

Dou-lhe um soco no travesseiro, tapo os ouvidos, fecho os olhos. Minutos depois sinto o cafuné, o beijo atrevido na nuca, a respiração ofegante... Estou entregue.

Viste? Nem o teto, muito menos o espelho entendem! Preciso apenas de cuidados especiais.

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