Vejo este teto chorando tuas goteiras intensamente e sinto que estou olhando para um espelho. Sou toda entregue às lágrimas e não sei quando elas irão secar.
Deito-me de bruços, não quero mais o espelho por perto. Mas ele insiste em questionar:
- Não vê que não pode alimentar-se apenas de poesia? Não vê que que parte de tua tristeza é apenas a ausência de uma pequena dose de orgia? Não vê o quanto é capaz de seduzir e não usa isso ao seu favor?
Dou-lhe um soco no travesseiro, tapo os ouvidos, fecho os olhos. Minutos depois sinto o cafuné, o beijo atrevido na nuca, a respiração ofegante... Estou entregue.
Viste? Nem o teto, muito menos o espelho entendem! Preciso apenas de cuidados especiais.
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