sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O que você sente, afinal?

- Confesso que tenho me preocupado ultimamente com você. Sabemos de nossa situação e você, principalmente, da minha. Não tenho nada a oferecer, não sou neste momento a pessoa mais indicada para te satisfazer, muito menos te acompanhar. Sinto dizer isso, sinto em não corresponder. E você é preciosa demais em minha vida para fazer-te sofrer. Fique atenta, proteja-se... não sofra por mim.
A garota abriu um largo sorriso. Suspirou, olhou algum tempo para aquele jardim de inverno, desejou saltitar sobre algumas pedras colocadas cuidadosamente como em um caminho sinuoso. Pediu para que o moço encanado sentasse confortavelmente no sofá, estendesse seus braços, tirasse os sapatos e fechasse os olhos. Ele o fez, mesmo achando aquilo tudo muito patético. A garota se aproximou do teu rosto, deu-lhe um beijo na testa, correu a ponta de seu dedo indicador em toda a face dele. Sentiu vontade de chorar, talvez esta fosse a última vez que pudesse tateá-la. Voltou seu olhar para as mãos repousadas sobre os joelhos e, finalmente, descreveu sem medo o que sentia naquele exato momento:

- Não tenha medo do que eu venha sentir ou sofrer. Tudo o que fiz até agora foram escolhas, somente. Escolhi sentir e ler com minhas mãos a tua pele tudo o que um dia esqueci de ser: sensível, terna, calorosa, amável... sonhadora! Não chamo isso de amor ou qualquer coisa do gênero. Carrego comigo a sensação do reencontro. Estar aqui, diante dos teus olhos é um simultâneo reencontro - comigo e contigo. É um caminhar descalço sobre a grama ainda úmida pelo orvalho. É sentar-se na beira de um lago cristalino e sentir uma paz que adormece os sentidos. É poder tirar o sapato apertado depois de uma festa e deixar os pés em água morna por alguns minutos. Tocar teu corpo, ouvir o som de tua voz, rir de tuas piadas bobas... Leio, compreendo, guardo para mim. Estou digerindo, aprendendo, vivendo e me permitindo ser feliz enquanto estou aqui. Quando passar daquela porta, não sei.

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