Estou muito longe das habilidades monumentais de um poeta, mas hoje sinto o abismo de dor que todos eles sentem. Uma dor estéril, venenosa e auto-destrutiva.
Queria agora tomar emprestada as tintas e pincéis de Lasar Segall para pintar a agonia cinzenta de um sonho que perde vida assim como aquela criança morta cuja mãe insiste em aquecê-la sob os traços desfigurados de Picasso.
Abandono o tempo e o contratempo da dança porque esse nó em minha garganta indica um movimento único: o de posição fetal. Um feto que não está protegido, não tem consolo ou abraço. Não há luz, não há som, não há alimento.
A Canela poeta, pintora e dançarina é estéril. Está morta.
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