domingo, 20 de dezembro de 2009

Soliblá blá blá

Já parou para pensar na imensidão de letras de músicas que falam sobre o vazio da solidão? Uma cambada de gente só gritando para o nada. Este tema é comercialmente mais aceito pelo público?
Tentei mudar um pouco o foco e aproveitar o início das férias para começar a ler aquela pilha de livros que fui acumulando durante o ano para deflagrá-los. Terminei o primeiro agora e o tema central não passou disto: um diálogo entre dois solitários perdidões neste mundão de meu Deus, autor e eu. Tive até vontade de fazer a minha versão deste livro. Solidão vende? Solidão se compra? Eu quero vender a minha! Esse vazio maldito que dilacera. Um autoflagelo viciante. Não conheço nenhum ex-solitário. Uma vez dentro deste campo magnético, volta e meia está revestido dele novamente.

Desconfio daquele que está sempre rodeado de pessoas, causas humanitárias ou políticas. No fundo eles se escondem de si mesmos. Anulam o fato de que não há diálogo, não há troca. Há um blá, blá, blá que só faz sentido a quem o profere (e olhe lá!). Alguém por acaso se desloca ou abre tuas portas para um portador de vazios crônicos pronto para despejar a um ouvido amigo? Não. Só terapeutas.

Como se isso me confortasse! Não tenho resposta alguma durante as sessões! Nas poucas em que frequentei saí mais seca de ideias e rosto deformado pelas lágrimas. Cena ridícula: mal enxergar a maçaneta com os olhos embotados pelas lágrimas, virar as costas para o grandalhão vestido de branco e gélido. Com certeza deve estar rindo por dentro. Comprei uma hora do tempo dele para não me dar resposta alguma. Blá, blá, blá...

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