Desde que seu nome foi pronunciado pela primeira vez, sabia que se tratava de um anjo bom a me guiar. Relutei e acreditei ser impossível aproximar-me de tua luz e sabedoria. O tempo passou. Permaneci entre os que tinham mente mediana, aspirações e sentimentos ainda muito comuns. Desejava queimar minha retina diante de tua luz ao mesmo tempo que meu gélido coração permanecia estático e temeroso, como um inseto fingindo ser outra coisa para não ser capturado.
Dei mais alguns passos, volta e meia abria uma fresta para enxergar o que havia do outro lado daquela ponte, volta e meia tua luz ainda distante, porém direta, me chamava. A cada ataque sofrido, perdia alguma arma que utilizava para a minha defesa. Quando já não me restava nada, quando já não havia ninguém por perto tive de escolher: morreria defendendo-me ou buscando aquela luz estranhamente conhecida.
Desafiada pelos mais obscuros anseios e, principalmente pelas gargalhadas dos que me desarmaram sem o menor esforço segui confiante de que a morte era minha única certeza, mas não custaria nada se eu tentasse só mais uma vez... por uma vez mais, sentir o sabor da vida.
Naquele espaço, cujo chão estava coberto por pétalas de rosas vermelhas, senti um estranho calafrio. Já havia passado por aquele lugar em outro momento. Não sei quando. Sei que quando se deseja muito estar perto da luz, não se tem noção do tempo.
Quando chegaste, tive outra certeza: mesmo amedrontada e indefesa, aquele não era o momento de morrer. Aquela luz não me cegou, só me deu novas direções. Mostrou-me caminhos dos quais aquela estreita ponte teimava em esconder. Sem saber ao certo o que me aguardava, sabia que estava dando o primeiro passo. Um passo certeiro.
Nunca mais atravessei aquela ponte com medo. Passo por ela e sempre retorno modificada. Nunca mais senti-me como um inseto. Nunca mais olhei para os predadores com medo e sim com compaixão. Eles deverão guardar sua fome para um outro momento ou contentar-se com os demais que nem sequer vislumbraram outras moradas que não fossem a várzea.
...sempre deixamos a ideia fixa na mente daquilo que queremos ouvir do outro, e quando isso não acontece conforme queríamos,por diversas vezes, pronto... logo a sensação de "pra que eu existo"???...sensação esta que parece que tudo desabou, que tudo esta dando errado...Pra que temos que ser assim??? A vida é pra ser vivida cada minuto com se fosse o ultimo, a nossa linha esta traçada e o futuro a Deus pertence! Quem somos pra saber o que é melhor pra nossas vidas???...
ResponderExcluirAna Paula