Tentei, juro que tentei olhar em teus olhos e dizer que senti muito em ter sido tão agressiva contigo. Excesso de canela dá nisso: amargura. Misturei personagens diversos, uns enclausurados e outros excessivamente promíscuos. Não soube muito bem o que fazer com tamanha tristeza e atirei justo em teus pés. Arrependimento? Talvez esta palavra não se encaixasse agora. Faço uso das palavras escritas para compreender melhor tantas falas, tantas opiniões. Você mesmo disse que "nem toda arte nos faz sentir bem".
Lidar com tantos "eus" e, ao mesmo tempo, tentar entender de que maneira posso chegar mais próximo de você e dizer que estou por perto e pronta pra te ouvir. Mas me calo. Não sei lidar com teus bloqueios, muito menos considero-me a pessoa mais indicada para tamanha tarefa. Mas só queria arriscar, e mais uma vez falhei.
Há tanto tempo que não uso ternura em meus gestos que pareço uma pedra de gelo. Sinto frio constantemente e não há chá verde ou cachaça que me esquente agora. Tentei dançar para esquecer da dor, mas o que fiz entre um rodopio e outro foi sorrir e chorar. Sorria em agradecimento, por te-lo assim, desta forma tão incomum e significativa em minhas muitas vidas. Chorava porque, no fundo, devia ser roteirista de novela mexicana.
Sempre soube lidar com as boas vindas. Mas estou longe de aprender a lidar com as despedidas. Todos que partiram, foram sem aviso prévio. Saíram à "francesa". Não fui eu quem decidiu despejá-los. A vida se encarregou de fazer isso por mim. Agora estou sem saber o que fazer com o grande vazio que o uso dos adjetivos compostos provocaram em mim.
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