Sentir o amor escorrendo com o tempo como areia de ampulheta é doloroso demais, principalmente quando se tem certeza de que não se pode virar mais o objeto para ver, novamente, a mesma cena se repetir.
Areia, assim como o amor, não tem muita serventia se estiver aprisionado e com tempo determinado para esvaziar-se. Iniciamos um relacionamento já pensando nisso: em como ele acabará. Geralmente com um dos lados cheios - sabe lá Deus, do quê - e o outro vazio, inerte... oco.
Não sei como, mas lembrei de uma frase de uma amiga que representava meu ponto de equilíbrio até poucos anos atrás. Hoje - casada e feliz - segue outras rotinas das quais não me encaixo, mas isso fica para outro momento. Entretanto, o que me fez lembrar desta querida amiga foi o fato de ela dizer que amava determinada pessoa, simplesmente porque ela "trazia a leveza de um riacho". Um sentimento cristalino, consistente no formato, mas totalmente permeável e rico. Uma correnteza leve que trazia a paz que ela tanto almejava.
Sei que para viver sentimentos assim, há muito que abrir mão. Se estou preparada para isso, não faço ideia! Mas hoje, desejava uma correnteza leve envolvendo meu corpo. Nada de pensar que meu tempo é curto e que devo usar de todos artifícios para que "seja eterno enquanto dure".
Já joguei minha ampulheta de vidro no chão, logo o vento espalhará de vez o seu conteúdo. Que venha a chuva e carregue de vez esta areia, para longe ou, definitivamente, para dentro de mim.
Que bonito isso. =)
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