Só se tem consciência da realidade que nos cerca, quando alguém invade tua casa armado e te obriga a encerrar a festa, a desligar a máquina de lavar porque provoca ruído demais, a não sair ou chegar muito tarde em casa...
Mais uma vez a Lei Paralela vence e, em troca da própria vida, sujeitamo-nos ao silêncio. Alguém comprou minha liberdade, antes mesmo de ter consciência de que ela poderia um dia estar à venda. Recolho o lixo que jogam no meu portão, vejo o tráfico de todo o tipo de entorpecentes passando pela minha janela, os filhos do "dono" insistem em jogar bola contra o carro estacionado em frente a minha própria casa. Minha voz foi comprada, não posso denunciar. Não há Lei do Silêncio que convença estas pessoas ao bom senso quando há algo de muito importante para ser comemorado. E até prefiro nem saber o que comemoram, quem sabe assim esquecem um pouco dos seus súditos.
Penso agora no valor do meu trabalho e dos sonhos que construi. Desejei tanto poder mudar alguma coisa na vida daqueles que ainda eram pequenos, mas o que mudei foi minha rotina, o volume da música preferida, o número de convidados para reuniões em minha casa. Para a segurança de todos, recebo somente os virtuais.
Meu portal de fuga, é esta janela aqui. Abro somente as que me transportam para mundos bem diferentes deste em que sou obrigada a conviver fisicamente. A "Canela na Janela" tem vozes, tem vontades, tem sonhos, convive com pessoas próximas ao seu mundo fictício.
Fora da janela, volto a ser muda, surda, cega e sem muita opção de ser eu mesma.
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