Céu nublado, chuva que insiste em cair, trabalho acumulado sobre a mesa, ideias confusas e impetuosas. Era hora de parar. Sem titubear, liga para aquele que não deve ter adjetivos ou codinome. É a única pessoa naquele momento em que a acolheria à sua maneira, faria dela por alguns instantes o seu objeto, mas a deixaria saciada.
Sua fome não era de orgasmo, não era de beijo na boca. Sua fome era de palavrões sussurrados ao pé do ouvido, de puxões nos cabelos e tapas em sua face que estampavam o puro prazer vadio. Mas assim como uma boa cerveja em boteco vem acompanhada de um trago no cigarro, depois de vê-lo sem forças depois de gozar, desejava somente um abraço.
Esperou por alguns minutos, ele não o fez. Adormeceu. Cansada e de lábios dormentes, decidiu voltar ao seu trabalho, aos seus afazeres. Como pagamento, levou sua camisa. Vestiu-se do cheiro de suor nela impresso. Este mesmo que buscava no abraço que não recebeu.
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