quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sobre Fotografias

Circulo meus olhos em minha coleção de fotografias tuas. Em nenhuma delas eu enxergo a razão pela qual deveria confiar em você os meus segredos. Não há ruga ou expressão impressas em tua face nas quais inspirariam qualquer sentimento de liberdade ou compaixão. Teu sorriso por ora libertino ou de criança prestes a ganhar um presente, em nada me convencem do que poderia oferecer a você. Tuas mãos ásperas e ágeis, não conseguiriam segurar por muito tempo os desafios que trago em meu coração.

Sabe o que mais me impressiona nisso tudo? É a capacidade de relevar, de cooperar e, estranhamente, ignorar isso tudo e, novamente insistir. Sou a mais pura representação da teimosia. Confesso que passo horas fitando estas mesmas fotografias na tentativa de buscar respostas em que só eu poderei responder. O tempo não perdoa ninguém. Objeto fotografado e fotógrafo estão unidos no tempo. Assim como os retratos, nossas almas também envelhecem e amarelam com o tempo. Mas eu só desejo as respostas. Empoeiradas ou não, elas deverão surgir.

Enquanto investigo em tuas rugas as respostas, quem sabe consigo cicatrizar minhas feridas?

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