Dizem que as primaveras devem sofrer para florescerem em abundância. Confesso que mesmo sem saber disso, eu deixei de regar algumas vezes, porém sempre estive disposta a buscar, mesmo em épocas que não haviam flores alí, inspirações e consolo para lembranças que não poderiam jamais ser revividas.
Indicaram uma pessoa para fazer a poda de alguns galhos já que estavam invadindo algumas janelas daquela construção fria e mórbida. Para o meu infortúnio e mais repleto desespero, cortaram-na em sua base.
Já não encontro consolo, não encontro sombra, não possuo flores para me despertar sorrisos maliciosos, muito menos "esquecerei" de regá-la. Do fino tronco que sobrou - ainda com raízes naquela terra seca-, dilacerado e sem vida virou o espelho o que sou agora: ferida aberta e exposta, sujeita a ressecar ou esperar melancolicamente uma nova florada.
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