terça-feira, 18 de agosto de 2009

Faxina

Há dias nublados como este em que favorecem uma certa reclusão e fazer uma faxina. Iniciei, claro, pelos entulhos que insisto guardar em inúmeras gavetas. Depois por peças de roupa que já não utilizo. Separei tudo e algo muito forte me impediu de jogar tudo fora.

Cada objeto inanimado carregado de sentimentos e memórias boas e outras nem tanto... Só eu poderia dar vida novamente a eles, mesmo que por alguns segundos em minha mente. Confesso que admiro aquelas cenas dramáticas de novela onde a mocinha resolve rasgar em mil pedaços as fotos daquele que a magoou. Há também a clássica caixa de devoluções, onde tudo o que pertence ao ex-parceiro de longa data é devolvida pessoalmente ou simplesmente encaminhada pelo correio (isso do Correio é verídico!).

Mas aqui não tem nenhuma foto, muito menos objeto que pertence a outro. São só recordações minhas! Não há como jogar fora algo de outras pessoas se nem isso elas tiveram o luxo de fazer: deixar marcas físicas em minha história. Foi aí que caí na real, a faxina de que tanto preciso deve vir de dentro pra fora (que piegas isso!). Levantar o tapete sem medo e varrer definitivamente aquele sorriso que me conquistou, aquele abraço carinhoso que veio sem eu esperar, aquele olhar de canalha que dizia exatamente o que precisava fazer, aquelas mãos ásperas que seguravam meus quadris, aquele beijo que já encaixou de primeira e, principalmente, aqueles olhos verdes que um dia voltarão pra me pedir perdão...

Só deixarei disponível aquela voz que sussurra "Canela, Canela..." aos meus ouvidos quando está prestes a gozar com o meu sabor, pois é de lembranças assim que nos fazem sentir inteiros novamente e seguir renovando nossas esperanças.

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