Não, não sinto falta daquele dia em que o dono dos olhos verdes apagou todas as luzes de minha casa, me fez ouvir de olhos vendados "All I Want Is You" - U2 - pegou minhas mãos e me pediu para voltar aos braços dele. Devia ter uns 18 anos, nem sinto falta disso...
Não, não sinto falta daquele momento em que respirei fundo e empurrei aquele grande companheiro contra a coluna do ponto de ônibus e não dei outra chance a ele que não fosse de me beijar.
Não, não sinto falta daqueles goles de cerveja à mais que tomei, enquanto o colega ao lado só tomava suco de morango com leite e o garçon insistia em entregar os copos trocados.
Não sinto falta também daquele merengue que dancei pela primeira vez "bien apretao" com um estranho.
Não sinto falta daqueles olhos confusos que me seguiam pelos corredores e escadas que, de vez em quando, perguntavam o que eu gostava de fazer da vida.
Não sinto falta daquele sorriso tímido e olhos apertadinhos atrás dos óculos que insistia em me dizer o que devia fazer para ter uma vida mais saudável e equilibrada financeiramente.
Não sinto falta, nem sequer me recordo, daquela pele sensível e quente que me fazia esquecer do tempo quando o abraçava.
Não sinto falta das mensagens que recebia no meu celular dez minutos depois de ter me despedido daquele que me parecia confuso e interessante ao mesmo tempo.
Não sinto falta das marcas em minha pele depois de uma longa noite em claro com aquele estranho conhecido.
Não sinto falta daquele mocinho do interior que falava com o sotaque arrastado e insistia em me convencer de que o Woody Allen era um decadente.
Não sinto falta do caminhoneiro europeu que me ligava às 3 da manhã para dizer que estava nevando em algum lugar e gostaria de ter acordado ao meu lado, mesmo que ainda não me conhecesse pessoalmente.
Não sinto falta de quando diziam que era retrógrada e romântica demais e isso não combinava com os novos conceitos de amor na chamada pós-modernidade.
Agora eu posso dizer com toda certeza: não sinto falta alguma daquelas mãos que percorriam meu corpo juntamente com os olhos toda minha silhueta sob a luz de velas. Admirando-me como se fosse uma obra de arte ou um instrumento pronto para emitir sons de puro prazer.
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