sexta-feira, 29 de maio de 2009

Luz, Pouca Luz

Hoje quero que me prepare aquele jantar gostoso regado a vinho. Pode ser vinho seco se preferir. Pode até me embriagar antes mesmo de tomar o primeiro gole. Mas faço questão da pouca luz, da luz indireta de teu olhar.

Não faço a menor questão de que conte como foi teu dia, apenas ofereça-me tua luz, de tua pouca luz. Deixe também aquelas velas acesas próximas à tua cabeceira. Pois sabe que esse cheiro quente de citronela no ar me excita. Sabe aquela camisa branca? Vista-a. Farei questão de tirá-la, botão por botão, lentamente.

Se, por acaso, o teu desesperado desejo não for contido, deixo-o livre para fazer o que bem entender. Só quero a luz, a pouca luz de teu olhar. Lembra-se daquele lençol branco de linho? Traga-o. Vou me cobrir somente com ele. O vinho, tuas mãos e teu olhar serão o suficiente para me aquecer nesta noite tão fria.

Sim, hoje você poderá também pintar um quadro meu enquanto estiver dormindo. Mas sabe muito bem que antes que isso ocorra, precisarei de um banho. Traga a vela. Traga tua cadeira próxima à porta e me observe. Nem a água do chuveiro poderá ser mais quente que tua luz.

Acordarei mais tarde, só depois de você tiver caido em sono profundo. Vou embora antes mesmo que se dê conta. Entretanto, deixarei a tela que pintou, enxergará nela, mais que contornos ou sombras. Enxergará a paz que você me traz.

Um comentário:

  1. Maravilhoso Canela. Em nossa tela cabe tudo de nós, coisas boas e ruins, e quando pintadas em "auto-relevo" ilustra as marcas que deixamos e que ficaram em nós. Amo esse Blog. Parabéns!

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