domingo, 21 de março de 2010
Domingo
quinta-feira, 18 de março de 2010
Feto exposto
Estou muito longe das habilidades monumentais de um poeta, mas hoje sinto o abismo de dor que todos eles sentem. Uma dor estéril, venenosa e auto-destrutiva.
Queria agora tomar emprestada as tintas e pincéis de Lasar Segall para pintar a agonia cinzenta de um sonho que perde vida assim como aquela criança morta cuja mãe insiste em aquecê-la sob os traços desfigurados de Picasso.
Abandono o tempo e o contratempo da dança porque esse nó em minha garganta indica um movimento único: o de posição fetal. Um feto que não está protegido, não tem consolo ou abraço. Não há luz, não há som, não há alimento.
A Canela poeta, pintora e dançarina é estéril. Está morta.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Vivo cada minuto, morro ao final do dia
As horas passam, muitas coisas se emperram ora por inabilidade minha de dominar meu tempo, ora por ser ansiosa demais e desejar retorno direto e concreto.
O Sol se põe e a escuridão perturba muito mais meu coração do que a própria noite. Vivo cada minuto e parte de mim se esvai em lágrimas ao final do dia.
Desejo a morte desta escuridão atordoante. Quero morrer como os amores que a passos silenciosos afastaram-se de mim.*
Não consigo aceitar o distanciamento daqueles com quem ainda tenho tanto para aprender, viver... amar.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Uma terceira opinião
Já faz parte do nosso calendário: paralisações, ofensas de todos os lados, discursos, promessas e um grito desesperado e amargo de cada profissional envolvido com a Educação Estadual que se transforma
O problema é quando acumulamos tantos soluços; quando não conseguimos direcionar nosso grito aos ouvidos certos; quando leis e estatísticas sobrepõem-se às almas. Temos direito a uma terceira opinião. Mas quem deseja ouvi-la? É como ser obrigado a participar de uma queda de braço, porém, os rivais já estão definidos e uma terceira mão ali não ajudará em nada para ambas as partes.
Concordar parcialmente com as mudanças estabelecidas nos últimos anos pela atual gestão parece “peleguice” aos olhos dos radicais e desejar um plano de carreira que corresponda ao esforço real de um profissional, garantindo assim, um reajuste em seu salário e melhores condições de trabalho parecem ser impossíveis aos cofres públicos – os mesmos que pagam salários astronômicos para os que nos dizem representar.
A condição do magistério não nos exime de sermos avaliados constantemente. Entretanto, o insucesso de nossos alunos não pode ter apenas o professor como responsável e o único a obter punição. Afinal, é apenas a Escola a responsável pela formação de um cidadão? Quando esse aluno passa dos portões para a rua, quem cuida deles?
Muito do que aprendem em sala de aula, pode não fazer o menor sentido fora dos muros institucionais, mas tudo o que vivem, não ficará para trás quando é hora de entrar na sala. Qual é o papel do professor ao mediar todas estas situações? Isso não é medido pelo SARESP.
Não subestimem os que possuem uma terceira opinião, não os julguem antes de conhecer suas reais dificuldades e necessidades. A GREVE instituída nesta semana só retira dos alunos o direito que possuem de aprender. Mas se houvesse uma forma de manifestar insatisfação pelas condições que nos dilaceram diariamente, qual seria?