Outro dia, quando despejei sobre minha mesa a minha coleção de pedras que me atiraram com o tempo e outros cálculos afetivos que consegui extrair do coração, senti que nunca mais poderia amar alguém. Que nunca mais poderia me permitir ser amada, pois olhar para todas aquelas pedras de minha coleção ainda doía demais. Ainda possuía cicatrizes mal curadas e prontas para sangrar novamente. Não sei como, mas lembrei-me de uma cena muito curiosa em um dos livros do Harry Potter - agora não sei dizer em qual livro - onde o mago Dumbledore mostrava ao aprendiz de bruxo um objeto estranhamente encantador a "penseira". Alí, segundo o mago, ele depositava com a ajuda de sua varinha todos os pensamentos que o atormentavam e que não conseguiria resolver naquele momento, lembranças muito boas e que gostaria de guardar para vivenciá-las com a mesma emoção da primeira vez, e também, alguns acontecimentos dos quais só o tempo poderia ajudá-lo a compreender.
De certa forma, diante de tantas lembranças e cicatrizes latejando por todo o corpo, resolvi, assim como o bruxo da ficção, deixar minhas pedras de molho com água de cheiro. Daquelas preparadas pelas baianas para lavar as escadarias do Senhor do Bonfim.
Essa água preparada pelas negras e a "penseira" fictícia dos livros, responde todos os dias que só o perdão pode fazer diluir as dores do coração e a cicatrizar as feridas em minha pele. Em vez de escudos para me proteger, devo me perfumar com esta água de cheiro. E sobre os assuntos que ainda não sou capaz de compreender, deixo-os na penseira. Outro dia enxergarei minhas falhas e saberei corrigí-las da melhor forma possível.
domingo, 31 de maio de 2009
Pode vir!
Sim, pode vir! Farei um chá verde pra você, mas já vou avisando que colocarei algumas pitadas de canela. Que sabor daria, hein? Vamos experimentar juntos.
Teu amargo saudável, com o meu quente e estimulante. Já sei, meia xícara pra você, uma e meia pra mim. Sou insaciável, não tem jeito. Melhor descontar em nosso chá do que em chocolate, não é mesmo?
Odeio ser o sexo frágil, mas você poderia, por favor, trocar a lâmpada do meu quarto? Confesso que vai ser de sacanagem, mas quero ver um pouco de sua barriguinha enquanto levanta os braços.
Olha... após o chá, lembrei que há cerveja em minha geladeira. Na prateleira debaixo. Sim. Hoje eu não estou conseguindo me conter. Abaixe e pegue uma latinha pra mim também.
Já sabe que não tenho sofá em minha casa, né? Logo, terá de repousar em minha cama, não faça cerimônia, retirarei teus sapatos lentamente. Está um pouco frio hoje, mas não precisa vir agasalhado não, tenho um edredon muito bom aqui, divide ele comigo esta noite? Pode vir!
Teu amargo saudável, com o meu quente e estimulante. Já sei, meia xícara pra você, uma e meia pra mim. Sou insaciável, não tem jeito. Melhor descontar em nosso chá do que em chocolate, não é mesmo?
Odeio ser o sexo frágil, mas você poderia, por favor, trocar a lâmpada do meu quarto? Confesso que vai ser de sacanagem, mas quero ver um pouco de sua barriguinha enquanto levanta os braços.
Olha... após o chá, lembrei que há cerveja em minha geladeira. Na prateleira debaixo. Sim. Hoje eu não estou conseguindo me conter. Abaixe e pegue uma latinha pra mim também.
Já sabe que não tenho sofá em minha casa, né? Logo, terá de repousar em minha cama, não faça cerimônia, retirarei teus sapatos lentamente. Está um pouco frio hoje, mas não precisa vir agasalhado não, tenho um edredon muito bom aqui, divide ele comigo esta noite? Pode vir!
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Luz, Pouca Luz
Hoje quero que me prepare aquele jantar gostoso regado a vinho. Pode ser vinho seco se preferir. Pode até me embriagar antes mesmo de tomar o primeiro gole. Mas faço questão da pouca luz, da luz indireta de teu olhar.
Não faço a menor questão de que conte como foi teu dia, apenas ofereça-me tua luz, de tua pouca luz. Deixe também aquelas velas acesas próximas à tua cabeceira. Pois sabe que esse cheiro quente de citronela no ar me excita. Sabe aquela camisa branca? Vista-a. Farei questão de tirá-la, botão por botão, lentamente.
Se, por acaso, o teu desesperado desejo não for contido, deixo-o livre para fazer o que bem entender. Só quero a luz, a pouca luz de teu olhar. Lembra-se daquele lençol branco de linho? Traga-o. Vou me cobrir somente com ele. O vinho, tuas mãos e teu olhar serão o suficiente para me aquecer nesta noite tão fria.
Sim, hoje você poderá também pintar um quadro meu enquanto estiver dormindo. Mas sabe muito bem que antes que isso ocorra, precisarei de um banho. Traga a vela. Traga tua cadeira próxima à porta e me observe. Nem a água do chuveiro poderá ser mais quente que tua luz.
Acordarei mais tarde, só depois de você tiver caido em sono profundo. Vou embora antes mesmo que se dê conta. Entretanto, deixarei a tela que pintou, enxergará nela, mais que contornos ou sombras. Enxergará a paz que você me traz.
Não faço a menor questão de que conte como foi teu dia, apenas ofereça-me tua luz, de tua pouca luz. Deixe também aquelas velas acesas próximas à tua cabeceira. Pois sabe que esse cheiro quente de citronela no ar me excita. Sabe aquela camisa branca? Vista-a. Farei questão de tirá-la, botão por botão, lentamente.
Se, por acaso, o teu desesperado desejo não for contido, deixo-o livre para fazer o que bem entender. Só quero a luz, a pouca luz de teu olhar. Lembra-se daquele lençol branco de linho? Traga-o. Vou me cobrir somente com ele. O vinho, tuas mãos e teu olhar serão o suficiente para me aquecer nesta noite tão fria.
Sim, hoje você poderá também pintar um quadro meu enquanto estiver dormindo. Mas sabe muito bem que antes que isso ocorra, precisarei de um banho. Traga a vela. Traga tua cadeira próxima à porta e me observe. Nem a água do chuveiro poderá ser mais quente que tua luz.
Acordarei mais tarde, só depois de você tiver caido em sono profundo. Vou embora antes mesmo que se dê conta. Entretanto, deixarei a tela que pintou, enxergará nela, mais que contornos ou sombras. Enxergará a paz que você me traz.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Dance!
Para as dores da alma,
Dance!
Para as queixas diárias,
Dance!
Para livrar-se de preocupações,
Dance!
Para se sentir linda sem olhar para o espelho,
Dance!
Para perder a timidez,
Dance!
Para se sentir em comunhão com o Universo,
Dance!
Meu corpo assume movimentos dos quais não racionalizo.
Minha alma silenciada, ganha voz de tenor.
Meus pés perdem seu peso e podem flutuar.
Meus lábios rendem-se a grandes sorrisos.
Dançando estou em casa,
Dançando estou com Deus.
Dance!
Para as queixas diárias,
Dance!
Para livrar-se de preocupações,
Dance!
Para se sentir linda sem olhar para o espelho,
Dance!
Para perder a timidez,
Dance!
Para se sentir em comunhão com o Universo,
Dance!
Meu corpo assume movimentos dos quais não racionalizo.
Minha alma silenciada, ganha voz de tenor.
Meus pés perdem seu peso e podem flutuar.
Meus lábios rendem-se a grandes sorrisos.
Dançando estou em casa,
Dançando estou com Deus.
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