Já faz parte do nosso calendário: paralisações, ofensas de todos os lados, discursos, promessas e um grito desesperado e amargo de cada profissional envolvido com a Educação Estadual que se transforma em nó. Afinal, gritar alto demais pode atrapalhar a vizinhança. Silenciar, num soluço dolorido, parece ser mais prudente.
O problema é quando acumulamos tantos soluços; quando não conseguimos direcionar nosso grito aos ouvidos certos; quando leis e estatísticas sobrepõem-se às almas. Temos direito a uma terceira opinião. Mas quem deseja ouvi-la? É como ser obrigado a participar de uma queda de braço, porém, os rivais já estão definidos e uma terceira mão ali não ajudará em nada para ambas as partes.
Concordar parcialmente com as mudanças estabelecidas nos últimos anos pela atual gestão parece “peleguice” aos olhos dos radicais e desejar um plano de carreira que corresponda ao esforço real de um profissional, garantindo assim, um reajuste em seu salário e melhores condições de trabalho parecem ser impossíveis aos cofres públicos – os mesmos que pagam salários astronômicos para os que nos dizem representar.
A condição do magistério não nos exime de sermos avaliados constantemente. Entretanto, o insucesso de nossos alunos não pode ter apenas o professor como responsável e o único a obter punição. Afinal, é apenas a Escola a responsável pela formação de um cidadão? Quando esse aluno passa dos portões para a rua, quem cuida deles?
Muito do que aprendem em sala de aula, pode não fazer o menor sentido fora dos muros institucionais, mas tudo o que vivem, não ficará para trás quando é hora de entrar na sala. Qual é o papel do professor ao mediar todas estas situações? Isso não é medido pelo SARESP.
Não subestimem os que possuem uma terceira opinião, não os julguem antes de conhecer suas reais dificuldades e necessidades. A GREVE instituída nesta semana só retira dos alunos o direito que possuem de aprender. Mas se houvesse uma forma de manifestar insatisfação pelas condições que nos dilaceram diariamente, qual seria?