segunda-feira, 15 de março de 2010

Vivo cada minuto, morro ao final do dia

É sempre assim. Um sopro de vida e alegria quando consigo ter uma noite tranquila de sono, acordo em paz e com muitas coisas para fazer e realizar durante o dia.

As horas passam, muitas coisas se emperram ora por inabilidade minha de dominar meu tempo, ora por ser ansiosa demais e desejar retorno direto e concreto.

O Sol se põe e a escuridão perturba muito mais meu coração do que a própria noite. Vivo cada minuto e parte de mim se esvai em lágrimas ao final do dia.

Desejo a morte desta escuridão atordoante. Quero morrer como os amores que a passos silenciosos afastaram-se de mim.*

Não consigo aceitar o distanciamento daqueles com quem ainda tenho tanto para aprender, viver... amar.
*Neguinho

quarta-feira, 10 de março de 2010

Uma terceira opinião

Já faz parte do nosso calendário: paralisações, ofensas de todos os lados, discursos, promessas e um grito desesperado e amargo de cada profissional envolvido com a Educação Estadual que se transforma em nó. Afinal, gritar alto demais pode atrapalhar a vizinhança. Silenciar, num soluço dolorido, parece ser mais prudente.

O problema é quando acumulamos tantos soluços; quando não conseguimos direcionar nosso grito aos ouvidos certos; quando leis e estatísticas sobrepõem-se às almas. Temos direito a uma terceira opinião. Mas quem deseja ouvi-la? É como ser obrigado a participar de uma queda de braço, porém, os rivais já estão definidos e uma terceira mão ali não ajudará em nada para ambas as partes.

Concordar parcialmente com as mudanças estabelecidas nos últimos anos pela atual gestão parece “peleguice” aos olhos dos radicais e desejar um plano de carreira que corresponda ao esforço real de um profissional, garantindo assim, um reajuste em seu salário e melhores condições de trabalho parecem ser impossíveis aos cofres públicos – os mesmos que pagam salários astronômicos para os que nos dizem representar.

A condição do magistério não nos exime de sermos avaliados constantemente. Entretanto, o insucesso de nossos alunos não pode ter apenas o professor como responsável e o único a obter punição. Afinal, é apenas a Escola a responsável pela formação de um cidadão? Quando esse aluno passa dos portões para a rua, quem cuida deles?

Muito do que aprendem em sala de aula, pode não fazer o menor sentido fora dos muros institucionais, mas tudo o que vivem, não ficará para trás quando é hora de entrar na sala. Qual é o papel do professor ao mediar todas estas situações? Isso não é medido pelo SARESP.

Não subestimem os que possuem uma terceira opinião, não os julguem antes de conhecer suas reais dificuldades e necessidades. A GREVE instituída nesta semana só retira dos alunos o direito que possuem de aprender. Mas se houvesse uma forma de manifestar insatisfação pelas condições que nos dilaceram diariamente, qual seria?

terça-feira, 9 de março de 2010

Feliz dia de quem?

Recebi diversos singelos "Parabéns" pelo dia Internacional da Mulher. Inclui-se aí um monte de versos e exaltação da feminilidade. Mas uma destas, chamou a atenção. Um artigo publicado por Guilherme Fiuza (jornalista, autor de Meu nome não é Johnny) que listou o significado atual desta data.

Nem havia me lembrado do tal 8 de março até achar estranha a quantidade de flores disponíveis hoje no supermercado e de pessoas na fila do caixa "expresso" com as ditas cujas nas mãos. Homens orgulhosos por carregar dois ou três botões de rosa vermelha achando que poderiam fazer uma média com a "patroa".

Não nos iludamos, certo? Não aceito os cumprimentos de quem chamou a namorada, amante, ficante ou esposa de "Dona Encrenca"! Também não represento o modelo de feminilidade, beleza e, muito menos fortaleza. Tenho um medo paralizante de novos desafios, corro léguas do modelo maternal, fraterno e do sexo frágil. Quem disse que para sermos mulheres temos que carregar todo este fardo?

Carrego todos os dias para o travesseiro a ausência, o sonho perdido, a angústia pelas novas escolhas e o desejo de que algum dia isso possa mudar. Se isso acontecer, Feliz Dia Internacional da Mulher pra mim também!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Água com gás

Trouxeram-me cachaça, cerveja, vinho tinto, tequila, whisky e champagne. Experimentei com cuidado cada uma destas bebidas. Embreaguei-me e o prazer que cada gole pode me proporcionar não superou o mal estar causado pela ressaca.

Certo dia, resolvi não esperar por nenhuma bebida. Servi-me de água com gás. Encarar o privilégio de se sentir saciado, em sã consciência, não é para muitos.