sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pedra

Sou a pedra bruta, não trago brilho, muito menos conforto.,
Sou aquela que não caminha, assiste.
Aqueço, esfrio, aqueço novamente.

As estações do ano passam por mim.
Expresso a solidão involuntária.
Sou o retrato do turista, a mórbida pedra dentre tantas outras.

Aguardo a maré alta,
Só a força das águas podem mover-me daqui.
Alguns centímetros talvez,
Um caminhar lento sob força incontestável

Maresia... embriaguez
Peso sem história
Massa rígida desejando o impossível:
A leveza do ar.

Foto: Canela

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Acusações do Teto

Vejo este teto chorando tuas goteiras intensamente e sinto que estou olhando para um espelho. Sou toda entregue às lágrimas e não sei quando elas irão secar.

Deito-me de bruços, não quero mais o espelho por perto. Mas ele insiste em questionar:

- Não vê que não pode alimentar-se apenas de poesia? Não vê que que parte de tua tristeza é apenas a ausência de uma pequena dose de orgia? Não vê o quanto é capaz de seduzir e não usa isso ao seu favor?

Dou-lhe um soco no travesseiro, tapo os ouvidos, fecho os olhos. Minutos depois sinto o cafuné, o beijo atrevido na nuca, a respiração ofegante... Estou entregue.

Viste? Nem o teto, muito menos o espelho entendem! Preciso apenas de cuidados especiais.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Redemoinho



Enquanto amanhece sinto teu beijo doce e o meu coração leve.

As horas passam, os problemas voltam...

Enquanto anoitece, a paz me esquece.
Foto: Canela

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quinquilharias

Em vez de bloco carnavalesco, corre para o exílio.
Em vez de assistir à alegria estampada na TV, assiste a própria face no espelho.
Em vez de ler o jornal, busca companhia nos livros biográficos.

Sabe que tua alegria não nascerá ou morrerá na quarta-feira de cinzas. Aquela lágrima impressa do Pierrot não sairá com água e sabão. Notícias e fatos sobre a vida de pessoas que não conhece a faz mais livre do que as informações de último minuto veiculadas na internet.
Fantasia sua tristeza com o colorido de um velho palhaço. Coleciona pedras ornamentais, pois alguém um dia lhe disse que isso faria bem para equilibrar os chakras, entretanto, ainda não soube como ativar o "poder" contido nelas por séculos. Alegra-se ao tirar a poeira escondida embaixo do tapete dos outros e já não usa mais tapete em sua casa.

Preenche todos os espaços com objetos. Está sufocada por eles.

Acumula personalidades. Acumula frustrações. Acumula necessidades.

Abriu uma poupança recentemente para acumular sucesso e prazer.