Quero aquele chapéu.
De palha, usado - para não dizer que está bem esgarçado.
Cobriu e refrescou a cabeça.
Semeou e colheu bons frutos.
Secou o suor da fronte,
foi derrubado pelo vento.
Aguardou fielmente seu dono durante os dias frios,
retornou ao uso nas tardes quentes.
Protegeu, estilizou e peneirou alguns pensamentos.
Quero aquele chapéu,
Que aguarda e assiste.
Que vive e conta histórias.
Desejo-o sobre a cabeça,
Também o quero pendurado ao lado do criado mudo
enquanto o antigo dono divide a cabeceira comigo.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Ligação
Hoje não ligarei para saber como está, se teus atos estão de acordo com o que planejou ou se já de adaptou novamente à rotina escolar. Não ligarei para falar de trabalho, muito menos para fazer cobranças. Hoje, ligarei para você com um único intuito: assumir minha vontade de ser teu instrumento, matar minha curiosidade e poder retribuir o prazer que me faz sentir ao dançar.sábado, 6 de fevereiro de 2010
Cadê a rima?
Quem segue a sina?Quem sobe a ladeira?Quem escolhe a rima?Quem perde a calma?
- Calma? Calma não rima com ladeira! - disse o soberbo.
- Não rima? - respondeu o poeta.
- Não! - afirmou indignado.
O poeta suspirou, bebeu mais um gole da marvada, ouviu o som das sandálias de uma menina magrela sorridente descendo o morro e afirmou:
- Só quem tem fôlego sobe a ladeira. Quem enxerga o que busca durante tanta peleja não desiste. Quem já não vê graça na rima, quem encara tudo como sina, há de perder a calma algum dia.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Antes
Antes de acreditar na morte dos sonhos, fui coveira do meu próprio tesouro.
Antes de correr descalça sob a chuva, desfigurada pelo pranto que, misteriosamente, não se mistura às gotas frias, passei meu melhor perfume e agradeci a mim mesma por tal atrevimento.
Antes de acreditar em tuas verdades e feitos, preferi omitir e fingir não acreditar nas mentiras que crio.
Antes de conhecer os meus instintos, tornei-me a presa dos instintos alheios. Vítima, não! Caça, alimento... Desenvolvi, paulatinamente, minha defesa. Logo parto para o ataque!
Antes de acreditar em opiniões devastadoras, tapei os ouvidos e abri meus olhos. Cores vibrantes e cheiros que abriram o meu apetite instantaneamente foram grandes conselheiros.
Antes de perdoar instantaneamente, aprendi a calcular o tamanho da dor que ainda existia em mim.
Antes de acreditar em finais felizes, quero saber como se faz "inícios pacíficos" e "meios" recheados de entrega, descoberta e fascínio mútuo.
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