Subo esta rua, desço as escadas, caminho por aquela avenida, subo outro morro, desço virando a esquina, passo em frente à padaria, compro um suco, passo em frente daquela casa legal, desço outra rua, subo novamente, cheguei! Percurso feito. Coragem. Atravessar a rua. E essa gente toda me encarando? E essa música horrível que não cessa? Eles não se cansam disso? Aqui é mais escuro que imaginava. Era o caminho que fazia à escola. Esses degraus parecem menores agora. Não é hora de chorar. Estou no meio da rua, que vergonha! Não, você não vai chorar. Você devia passar mais vezes por essa praça, há muitas lembranças da infância guardadas aqui. Nossa! Foi aqui que me jogaram ovo no meu aniversário. Bem aqui! Doze anos, acho que foi isso. Sexta-série. Vergonha! Ah! Aquele banco! Fabiano, meu primeiro beijo. Lindinho, tímido... A biblioteca que frequentava. Os livros emprestados com frequência, "Toda a Mafalda" era o favorito. No auge dos 12, 13 anos de idade eu tinha maturidade suficiente para entender o sarcasmo e o contexto político das tirinhas do Quino? Acho que sim... Ou não? Aqui havia aquela loja, cujo dono parecia ser um tarado. Lembro das roupas que namorávamos na vitrine antes ou após as aulas. Ele nos olhava, pedia para entrarmos para "experimentar" e ver se ficava bom. Tive nojo dele, desisti da compra. Deixei de gastar os R$20,00 que havia juntado por algum tempo. Não sei se esse terminal de ônibus me ajudaria muito naquela época, mas ficou imponente aqui. Só havia mato! Esse foi o final de semana de reencontros. Acho que vou passar na casa dele. SMS: "Está em casa?". Não respondeu. Deixa pra lá... Não vou interromper o ritmo. Mais forró, quanta gente feia reunida! O que faz essa mulherada acreditar que um cara com um carro lotado de caixas de som e um péssimo gosto musical poderá acrescentar à vida delas? É... talvez elas ainda sejam mais felizes que eu, pois não precisam pensar sobre isso. Tenho medo de atravessar essa ponte. Este cruzamento aqui é perigoso, ninguém respeita os pedestres. Já sonhei algumas vezes com esta ponte... Não foram bons sonhos. Agora é subir! Já assisti uma palestra nesta escola, quando tive a minha primeira sala de aula na Prefeitura. Faz algum tempo. Não lembro de nenhum nome dos que foram meus alunos naquele ano. Tinha aquela velha difícil, queixava-se constantemente de enxaqueca, pois, dizia ela, apanhou demais com o cabo de enxada do pai na cabeça, por isso não conseguia aprender "as letra", "juntar as letra"... Isso já faz tempo. Caminhávamos nestas ruas todas as tardes de domingo praticamente. Ela queria visitar aquele paquera, passar em frente ao portão dele. Víamos alguns colegas de classe voltando com as chuteiras amarradas nos calcanhares, sem camisa. Alguns pelos pubianos nasciam. Eu tinha vergonha de vê-los daquele jeito. Ah! Que calor! Padaria... nossa, que rápido! Farei isso mais vezes. Meu primo na esquina. Finge checar o celular para não acenar ou dar boa noite. Que ridículo! Enfim... acho que consigo repetir a dose amanhã. Às sete, já que acabou o horário de verão. Promessa de ano novo!"
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