Cada vez que recebo uma ligação ou mensagem sua convidando-me para algum evento, festa, show ou mesmo uma conversa informal, pergunto-me, por que eu? Uma pessoa tão intensa e imersa em cultura, dotada de carisma e tantas outras qualidades, por que dedicar algum tempo de sua agenda tão lotada comigo?
Não sei se é um teste, se pretende descobrir algo em mim que talvez ainda não tenha tomado consciência. Mas por que eu?
Apesar desta dura casca que mantenho, por dentro sou frágil, tímida, tenho vergonha do que ainda não vivi ou aprendi. Confesso que gostaria de alimentar nossos diálogos com experiências, histórias e conhecimentos para compartilhar com você. Todavia, o que consigo fazer é compartilhar o vazio, o oco e os ecos das diversas vozes que mantenho dentro de mim.
Teu olhar terno e paciente produz em mim sensações das quais não experimentava há muito tempo. Outro dia, pensei que estaríamos num estado de “flerte”. Acreditei por poucas horas, que você poderia desejar mais que ouvidos para tuas experiências. Lembrei que ao fazer o primeiro contato contigo, já havia deixado bem claro que o meu intuito era apenas acadêmico, precisava me defender de alguma forma. Mas teu olhar carinhoso penetrou em minha alma através das pequenas frestas que havia em minha larga crosta.
Revendo algumas anotações que fiz em um antigo diário, li o perfil do meu “futuro companheiro”, uma espécie de lista de predicados que uma pessoa deveria ter para me conquistar: companheiro, bem humorado, capaz de incentivar-me a crescer e desenvolver habilidades das quais não sabia que existisse em mim, que tivesse bom gosto, mas que não atraísse a atenção pela forma e sim pelo sentido que daria a minha vida.
Li tudo isso e chorei. Escrevo agora sobre você e continuo chorando. Teria eu feito alguma coisa para merecer tanto? Mesmo que não haja mais que amizade. Que de teu tempo, possa beber mais que vinho, possa beber também conhecimento e motivação para permanecer em minha caminhada, guiada é claro, por pessoas de alma tão intensa e sensata como a tua. Realmente não sei o que você poderia ganhar ou trocar comigo.
Não faço a menor idéia do que tenho para te oferecer, mas serei eternamente grata e não medirei esforços para estar contigo mais vezes, mesmo que seja para compartilhar meu vazio observador e contemplativo.
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