segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Em terra de mimeógrafos, quem tem impressora laser é rei!

Há quem diga que professor fica tempo demais em férias,  e eu digo que é o tempo necessário para nos distanciarmos de nosso "fazer artístico" e voltarmos amadurecidos, com novas ideias e possibilidades de trabalho para o próximo ano letivo. Até cheguei a comentar no Twitter sobre como usamos este tempo ocioso e, agora, é o momento de por em prática o que planejamos. Em tese...

Já na atribuição de aulas, a direção da escola nos alertou sobre as inúmeras invasões e furtos ao patrimônio escolar. Além de levarem os ventiladores das salas de aula, arrombaram os armários das salas dos professores à procura de outros objetos de valor. Valor? Isso é tão relativo, não? Tínhamos livros, tão preciosos ao nosso trabalho, mas não os levaram!

E o que parecia ser um reinício sombrio e ameaçador  (que comunidade difícil esta com a qual lidamos, não?), as más notícias não cessaram: a sala de informática permaneceria desabilitada e, como as novas classes de Ensino Médio foram recentemente abertas, os órgãos responsáveis pela logística e distribuição dos materiais didáticos e kit's escolares não puderam contabiliza-las. Sendo assim, nenhum aluno ou professor daquela Unidade Escolar que pertencesse ao Ensino Médio poderia ser atendido a tempo até o inicio do ano letivo. Teríamos de nos virar com o que tínhamos em mãos. E o que sobrou? Boa vontade, nada mais.

A Coordenadora Pedagógica se dispôs a imprimir em sua casa todo o material didático aos professores, mas já imagino que, para dar conta disto, ela terá de administrar uma dupla jornada de trabalho: o da coordenação pedagógica e o da edição gráfica e xerox. Um esforço desumano!

E por falar em esforço, lembrei-me do mimeógrafo que facilitou (e ainda facilita muito!) o trabalho do professor. Sim, caro leitor, este objeto que poderia estar há muito tempo num Museu ainda tem espaço dentro do ambiente escolar e desafia àqueles que falam sobre o uso de iPad's em sala de aula.

Associada à imagem deste objeto (esta que anexei ao cabeçalho), numa busca rápida feita no Google, vejo a seguinte frase: "Ainda há pessoas que resistem às novas tecnologias".

PAREM TUDO!!!
Não vou pregar aqui o verso apaziguador e morno e vou dizer: fiquei put@ da vida!

Isso foi realmente uma afronta! Passei boa parte do meu tempo livre pesquisando e interagindo com todas as possibilidades didáticas que poderia utilizar em sala, linkar, hipertextualizar e provocar o (aparentemente) inabalável desinteresse dos meus futuros pupilos e me vêm com essa associação pejorativa e alienada?!

Enquanto muitos atiram pedras sobre a ineficiência do meu trabalho e o de muitos colegas de profissão, precisamos rever a questão estrutural da coisa:

1) Como podemos aplicar todo este conhecimento que adquirimos em favor de uma Educação que atenda às novas linguagens de forma crítica e blá blá blá se possuo apenas um mimeógrafo sem álcool ou uma escola sujeita a arrombamentos e assaltos a todo o momento?

2) Escola é apenas mais uma célula dentro desta rede e, se tudo o que está em seu entorno não valoriza os efeitos positivos que ela possa ter sobre a comunidade, de que forma alcançaremos este "milagre da educação"?

Costumo brincar com meus colegas de profissão que, por mais que tentem propagandear as benfeitorias e "avanços" na educação através dos questionáveis índices de proficiência, estamos fadados à uma sigla (que também representa a luta pelos direitos e quebra de preconceitos): GLS - giz, lousa e saliva.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Estação Memória

 Foto: Fábio Stachi

Dê-me um tempo para recordar. O tempo necessário até que outra locomotiva passe por aqui e siga viagem comigo a bordo ou não. Chegar e partir... partir! Já não devo me incomodar com isto.

Minhas invenções são tão lúcidas que não merecem a oxidação, muito menos a rejeição de minhas células. Locomotivas passam por aqui trazendo todos os sabores do mundo, como posso criar anticorpos para tamanha diversidade?

Dei-me o trabalho de preservar a estação, por ora, abandonada. Sou, ao mesmo tempo, objeto e mantenedor deste museu vivo. Conheceste o método de extração do metal e sua forja? Quem sabe a proliferação das bactérias? Se compreender este processo, entenderá que não há forja ou vírus algum que se acomode à frieza do esquecimento. 

Deixe-me lembrar do quanto foi intenso o trabalho, o suor e as lágrimas que ainda temperam esse latejar seco e aparentemente inóspito. Deixe-me recriar o amor e a dor motivada pelos delírios febris.   

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Posses e posses

Professor: Passa um aperto danado para cursar uma universidade, minimamente decente.
Deputado: Escreve um ditado para provar que é minimamente alfabetizado.

Professor: Tomado pelo desespero, faz cursos intensivos aos domingos e feriados para ser aprovado em concurso público.
Deputado: Seduzido pelas regalias, vende a alma ao diabo e a quem mais puder para ser eleito.

Professor: Após ser aprovado no concurso, leva um mapa para a escolha de vaga na escola que seja mais próxima à sua residência. Se der sorte, poderá pegar de duas a três conduções para chegar ao trabalho. Preenche diversos formulários para garantir 50% de desconto na passagem de ônibus.
Deputado: Após eleito, terá direito a passagens aéreas, casa, motorista e gabinete com todas as despesas pagas.

Professor: Faz, durante alguns meses, um novo curso preparatório oferecido pela Secretaria de Educação para se adequar-se "às novas práticas pedagógicas" e currículo escolar, se passar na prova ao final do curso poderá, finalmente, tomar posse.
Deputado: Participa,durante alguns meses, de acordos e lobby's partidários para garantir maior apoio dentro do Congresso, antes da posse.

Professor: Por ser iniciante, é um dos últimos a escolher suas aulas. Se der sorte, poderá completar sua jornada de trabalho em 2 ou 3 escolas diferentes. Mesmo assim está feliz, terá finalmente uma "estabilidade de emprego" e salário base de R$ 773,41 + auxílio alimentação de R$ 4,00.
Deputado: Chega em Brasilia para a posse de jatinho fretado é recebido com pompa e muitos flashs. Seu salário base acaba de ser reajustado em 61,8%, o que corresponde a R$ 26.700,00. Está feliz, até o final do ano, poderá fazer novas negociações no Congresso e aprovar um novo reajuste (e não será para o professor).

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Peregrinação

Nasci e cresci influenciada pela fé. Embora não soubesse muito bem o que isto significava, embora não tivesse resposta às tantas indagações que carregava comigo, havia fé.

Por se tratar de uma palavra com apenas duas letras e carregada de conceitos abstratos, eu a perdi por aí. Embora soubesse das dificuldades, embora compreendesse muito bem o que sua ausência significaria.

É chegado o momento de reconhecer minhas fraquezas, retirar-me e resgatar o que foi desperdiçado. Estive de olhos fechados e não sei dizer ao certo por onde andei. Já não permito mais jogar ao lado do ceticismo. Quero retomar o caminho!