terça-feira, 21 de setembro de 2010

Sagrado desgraçado

O que é sagrado, por vezes, se torna desgraçado.

Abençoado o dia em que bati em sua porta.
Desgraçado o momento em que a trancou para quem quer que fosse.

Abençoado seja o momento do sim.
Desgraçado seja o vento que me roubou o não.

Abençoada seja a fé que deposito nas pessoas que crio
Desgraçada seja a descrença e a petulância de quem se diz real.

A quem chega e se vê 'iluminado'
Nada mais é do que a luz que nego em mim projetada.
Não se trata de egocentrismo
É só o meu sagrado tomando forma.

sábado, 18 de setembro de 2010

Flores Mortas


Semeei, aguei e colhi no jardim da vida
Muitos sonhos e amores
Em um vaso bem escolhido
Pude enfeitar minha morada

As vizinhas não entendiam
Como podia um solitário
abrigar, concomitantemente, tantas flores

E eu não entendo
como podem minhas flores
Ocuparem tanto espaço
Numa casa tão vazia


Casa vazia
Solitário cheio
cheio de flores mortas.

Decidiram elas
(todas contra a minha vontade)
Amarelar e definhar ao mesmo tempo.

Além da casa,
o solitário já não é mais abrigo,
vazio também está.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

3 em 1

Insone
Os pensamentos calados a razão
                                 [das noites insones
Os olhares enviesados motivo para a fantasia
Os afagos únicos não alimentam mais o vício
Os abraços ternos razão da  volátil alegria

Vício

Lamentar a dor da ausência é o maior vício
A ausência é a presença
Memória farta é
Realidade e fantasia dançam no mesmo compasso

Visão

Mãos e tato
Lábios e sorriso infantil
Cabelos curtos...
Esconderijo de pensamentos rebeldes

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Encerrando o ciclo

Encerra-se o ciclo. Meus reversos ainda reverberam e as "cartas que escrevo para quem não vai ler" ainda latejam. Já não é mais um latejar de dor, é um latejar breve, íntimo e pacificador:

" É impossível agir com racionalidade quando o medo do desconhecido impera. Mais impossível ainda é agir com lógica dentro de um universo que nunca se ousou pisar; comecemos pelos universos que não se revelam num olhar, no reflexo do espelho.
Reclusão, interação, dor, incompreensão... Não há como materializar os sonhos quando nem os pés estão em terra firme.
Parece-me que implorar a paciência e a compreensão alheias são o mesmo que despedir-se de alguém muito querido. Os alheios vão!"

Ficar, esbravejar, chorar... culpar. 
O sol se põe.
A noite é traiçoeira e, por vezes, boa conselheira:

'Seque tuas lágrimas, não lamente, descanse 
Não peça paciência à outrem. 
Você a tem consigo?'

O Sol retorna no horizonte
Siga as pegadas breves
Daquele que partiu