Percorre o espaço inundado de notas musicais, suor e sorrisos. Caminha por entre pessoas diversas. Nada sente, nada acalma. Eis que a sombra projetada por um dos refletores trouxe uma sensação de completude. Somente aqueles olhos pequenos e apertados, ora furtivos, ora desconexos e opacos. Não importa. No momento propício eles encontrarão a silhueta dançante. De coração vazio, mas com os seguintes dizeres em sua porta: "Só entre se puder cuidar bem deste espaço".
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
Dentro da Caixa

Dentro da caixa havia:
Cartão postal, CD's, lenços coloridos
bilhetes, chaveiro, cartas de amores antigos.
Guardei os postais,
Ouvi os CD's,
Doei os lenços,
Reli alguns bilhetes,
Joguei o chaveiro,
Queimei as cartas.
Agora, com a caixa vazia,
Darei espaço para novas memórias,
Seguirei colecionando novas fantasias.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Decida-se!
Dê uma indicação de música em que possa reviver meu caminho tumultuado até aqui, por favor? Encontro-me num dilema: desejo apagar as luzes e ficar aqui quieta sob os lençóis revivendo lembranças das quais me fizeram sentir arrepio em cada centímetro de meu corpo. Mas, ao mesmo tempo, preciso manter o lado racional de minha mente atenta, distante destas lembranças e fria diante das próximas decisões que tomarei ou que tomarão por mim. Não decida por nós qual poderia ser o nosso próximo passo. Dê-me algum tempo para que possa aprender em sua companhia o quanto sou capaz de superar alguns erros e me enxergar novamente como mulher. Novamente mulher: sensível, carinhosa, destemida e amada por aquele com quem divide por algumas horas muito mais que a sua cama.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Encaixotando a Puta Enlatada
Antes de sair de casa naquela noite, pensou bem se levaria o maço de cigarros em sua bolsa ou não. Olhou bem para o espelho e preferiu uma maquiagem mais leve e jovial. Ansiedade é um sentimento que a acompanha há muito tempo. Mas para este encontro, alguma coisa dizia que já estava escrito em algum lugar.
Sem frases premeditadas, sem um repertório já conhecido em mente, muito menos pose para a câmera. Hoje, a Puta deveria ficar encaixotada. Quem saiu em seu lugar foi alguém estranhamente familiar e segura de si. De coração leve, aberto e pronto para dar e receber carinho. A única luz que penetrava naquele ambiente era a da janela entreaberta. As pontas dos dedos dele mapeavam cada centímetro de sua face alternando-se com beijos em sua têmpora.
Compartilhavam seus silêncios, compartilhavam a intensidade dos gestos e, principalmente, a paz que tanto buscavam.
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