quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um remédio para necessidades diferentes

Refúgio
Fuga
Silêncio
Prazer
Tua presença,
teu clamor,
tua sutileza,
tua futilidade.
Minha necessidade
minha covardia,
minha solução.
meu combustível.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Final (in)Feliz

"Se duas pessoas se amam,
não pode haver final feliz." - Ernest Hemingway

O que se está em jogo aqui nesta pequena frase não é a sua veracidade e sim, o fato de que posso me considerar satisfeita, pois eu realmente amei e fui amada em algum momento. Isso justificaria tantos finais infelizes.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ampulheta e Correnteza

Sentir o amor escorrendo com o tempo como areia de ampulheta é doloroso demais, principalmente quando se tem certeza de que não se pode virar mais o objeto para ver, novamente, a mesma cena se repetir.

Areia, assim como o amor, não tem muita serventia se estiver aprisionado e com tempo determinado para esvaziar-se. Iniciamos um relacionamento já pensando nisso: em como ele acabará. Geralmente com um dos lados cheios - sabe lá Deus, do quê - e o outro vazio, inerte... oco.

Não sei como, mas lembrei de uma frase de uma amiga que representava meu ponto de equilíbrio até poucos anos atrás. Hoje - casada e feliz - segue outras rotinas das quais não me encaixo, mas isso fica para outro momento. Entretanto, o que me fez lembrar desta querida amiga foi o fato de ela dizer que amava determinada pessoa, simplesmente porque ela "trazia a leveza de um riacho". Um sentimento cristalino, consistente no formato, mas totalmente permeável e rico. Uma correnteza leve que trazia a paz que ela tanto almejava.

Sei que para viver sentimentos assim, há muito que abrir mão. Se estou preparada para isso, não faço ideia! Mas hoje, desejava uma correnteza leve envolvendo meu corpo. Nada de pensar que meu tempo é curto e que devo usar de todos artifícios para que "seja eterno enquanto dure".

Já joguei minha ampulheta de vidro no chão, logo o vento espalhará de vez o seu conteúdo. Que venha a chuva e carregue de vez esta areia, para longe ou, definitivamente, para dentro de mim.

sábado, 26 de setembro de 2009

Eu Tenho Pressa!

Mais uma vez perdida em uma das ruas de São Paulo. Desta vez num cenário diferente: uma tarde maravilhosa de sábado e uma amiga de "navegadora". Digo isso porque geralmente me perco sozinha (mesmo já conhecendo o endereço) e a maior parte das vezes já está tarde da noite.

Tanto trânsito para um sábado! Tanta pressa! Onde mesmo todas estas pessoas desejam chegar? Eu só precisava resolver alguns assuntos e observar o movimento urbano para me inspirar a novas ideias. Dar um gás em projetos antigos e retornar mais "oxigenada" ao meu casulo. De tudo o que conversamos entre uma rua e outra - ou entre os faróis vermelhos que acidentalmente esquecia de parar, pois me distraio facilmente conversando e pilotando - ficou esta frase martelando minha cabeça "Eu tenho pressa!".

Não digo a pressa de que chegue logo ao local marcado, devolta à minha casa, que o final do mês venha mais rápido para pagar as contas e voltar a ficar zerada ou mesmo que o garçom nos sirva logo a cerveja. Tenho pressa para saber o que será de mim e das pessoas que amo num período curto de tempo. Uns três, cinco anos, talvez. Não mais que isso, pois nunca soube fazer planos a longo prazo. Aos 17, 18 anos a gente sabe o que vai ser dali 4, 5 anos: formado. E quando já se está formado? Empregado? Sem namorado? O risco de cair nas lamúrias e encontros entre trintonas para falar mal dos homens é grande, bem como render-se aos livros de auto-ajuda - dos guias de bolso vendidos em caixas de supermercado, aos mais promissores best-sellers.

O que me fez voltar pra casa encafifada é uma pergunta ainda pior que essa: para ser alguma coisa daqui 3 ou 5 anos, o que preciso começar a fazer agora? E o que quero mesmo? Posso enumerar 300 coisas das quais eu não desejo nem para mim, muito menos para quem está próximo ao meu convívio, mas e o que eu quero?

Podem chamar isso de dilema piegas, que é fútil ou qualquer outra coisa. Mas voltei de barriga cheia com a pizza maravilhosa que comi e a cabeça com o dobro do peso da massa e calorias, constituida somente por pontos de interrogação. Mas eu tenho pressa! E ainda não inventaram antiácido que possa diluir as dúvidas que me consomem. Não há "suco gástrico" dentro de nossas mentes que possa digerir tantos dilemas. Só preciso de escolhas pequenas, concretas e, principalmente, de resultados. Eu tenho pressa!