Se é tão forte e destemido, por que não segurou teu amor ao seu lado? Por que insiste em me tomar à força, se no fundo sabe que desejava somente a ponta de teus dedos ásperos em minha pele sem contar com a embriaguês para te encorajar?
Ora, Sr. Homem Aranha! Acredita realmente que seu desempenho sexual poderá manter sua "presa" por perto? Tua arrogância me tornou imune à sua teia. Não adianta vestir teu capuz, muito menos sua roupa de super-herói. Sei bem quem se esconde atrás desta fantasia que criaste: uma criança socialmente desastrada e pouco desenvolvida afetivamente.
terça-feira, 30 de junho de 2009
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Difícil responder...
- Quanta mudança! É isso mesmo o que você quer? - perguntou com uma das sombrancelhas arqueadas. - Olha doutor, não tem outra coisa melhor pra perguntar não? Isso eu ainda não sei responder. Era algo que desejava muito, mas há muito tempo atrás. Agora parece que nada faz muito sentido. - disse sorrindo, mas o que queria mesmo era chorar.
Sonhos a gente pode encaixotar muitas vezes na vida, e em pouquissimas oportunidades nós conseguimos abrir novamente a caixa. O problema não é o conteúdo inserido alí e sim o estado em que se encontra nosso espírito ao rever desejos antigos. Antes encarava como uma negação de meu passado, parte de minha história estava lá sei que não posso carregar tudo comigo, mas ainda não entendo e não sei como fazer para selecionar o que é mais importante e o que poderá me fazer bem daqui por diante.
Sonhos a gente pode encaixotar muitas vezes na vida, e em pouquissimas oportunidades nós conseguimos abrir novamente a caixa. O problema não é o conteúdo inserido alí e sim o estado em que se encontra nosso espírito ao rever desejos antigos. Antes encarava como uma negação de meu passado, parte de minha história estava lá sei que não posso carregar tudo comigo, mas ainda não entendo e não sei como fazer para selecionar o que é mais importante e o que poderá me fazer bem daqui por diante.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Soledad - Jorge Drexler
Soledad, aqui estan mis credenciales,
vengo llamando a tu puerta
desde hace un tiempo,
creo que pasaremos juntos temporales,
propongo que tu y yo nos vayamos conociendo.
Aquí estoy, te traigo mis cicatrices,
palabras sobre papel pentagramado,
no te fijes mucho en lo que dicen,
me encontrarás en cada cosa que he callado.
Ya pasó ya he dejado que se empañe
la ilusión de que vivir es indolor.
Que raro que seas tú quien me acompañe
soledad, a mi, que nunca supe bien cómo estar solo.
vengo llamando a tu puerta
desde hace un tiempo,
creo que pasaremos juntos temporales,
propongo que tu y yo nos vayamos conociendo.
Aquí estoy, te traigo mis cicatrices,
palabras sobre papel pentagramado,
no te fijes mucho en lo que dicen,
me encontrarás en cada cosa que he callado.
Ya pasó ya he dejado que se empañe
la ilusión de que vivir es indolor.
Que raro que seas tú quien me acompañe
soledad, a mi, que nunca supe bien cómo estar solo.
sábado, 20 de junho de 2009
Carta Anônima
Após o diagnóstico feito pelo médico de plantão, representado por uma sigla consultada às pressas em um pequeno livreto de distúrbios psicológicos, senti que ali estaria o meu atestado de fracasso.
De toda a luta, sonhos e planos que carregava até aquele momento, pareciam não ter mais valor algum para mim. Sentia vergonha por não ter conseguido encerrar aquele ciclo. De não conseguir enxergar alguma melhora no desempenho daqueles meninos e meninas.
Dia após dia, tentava através das leituras diárias, transportá-los para locais diversos no tempo e no espaço. Da Odisséia de Homero às Fábulas de Esopo. Independentemente do título ou do enredo, de ser prosa ou verso, desejava libertá-los através da leitura. Conduzi-los a novas histórias, mesmo que fossem contos de fadas ou notícias recentemente publicadas nos jornais.
Quando entrei em tua sala apresentando aquele atestado, não tinha coragem de olhar em teus olhos. Entendia aquilo como um fato consumado e que somente o substituiria por outro formulário para atender à solicitação médica.
Sua maneira de receber a notícia fez reacender em mim a possibilidade de questionar o diagnóstico feito pelo médico. Mas não tive forças para levar àquilo adiante. Questionar significaria retornar àquele espaço onde depositei tanta energia. Aceitei o veredicto, mesmo que provisoriamente.
Tuas palavras e atenção fizeram-me entender que não havia perdido a batalha. Mas que precisava aprender com algumas falhas e retomar as conquistas, de forma que soubesse defender-me adequadamente. Abri mão temporariamente de muitas coisas que gostava de fazer. Aprendi a dominar alguns outros receios que escondia debaixo do tapete e também mandar àqueles que não tinham muito a me acrescentar a “plantar bananeira”, “ver se estava na esquina” ou coisas mais pesadas, se assim merecessem.
Retornei ao trabalho ainda muito fragilizada, entretanto, senti que estava com pessoas que me acolheriam com prazer à nova batalha. O sentimento de que estava “em casa” me deu novamente forças para retomar o posto. Considero-me privilegiada por isto. Apesar de ouvir muitos comentários de outros soldados que participaram em algum momento desta infantaria. Não dei ouvidos. Segui em frente e confiei na possibilidade de que um líder, poderia sim, ser arbitrário se “os fins justificassem os meios”.
Sim, eu pertenço a uma infantaria matriarcal. Nada aqui pode ser decidido, se não passar por teu consentimento. Vejo isso como uma qualidade que poucos líderes são capazes de dominar. Mas não te preocupe. Listar qualidades das pessoas - principalmente quando estão em um patamar hierárquico maior que o nosso - não significa ser “puxa saco”.
Faço questão de registrar os pensamentos que possuo e fazer com que os meus objetos de reflexão tenham consciência do quanto sou grata por pertencer a este exército, do quanto me orgulho de pertencer a uma pequena parcela pensante deste grande sistema que nos consome até a morte com falsas promessas.
Acredito nas pequenas e invisíveis mudanças. Acredito que vou para o campo de batalha, mas os únicos inimigos que encontramos são os nossos próprios medos. Àquela massa de meninos e meninas que citei anteriormente, consome nossa energia ao tentar controlá-los permanece, muitas vezes, cega e surda. Das poucas referências que conseguem abstrair, são grandes conquistas para todos nós. Se souberem usá-las em seu favor ou não, só o tempo poderá dizer.
Repito: orgulho-me de pertencer a esta infantaria, mesmo que não possa tabular os resultados propícios. Aprendi que nestas guerras nas quais nos alistamos, ano após ano, que as conquistas serão sólidas se trabalhadas lentamente.
Quanto ao atestado? Os médicos poderão acrescentar mais duas ou três siglas se assim desejarem, pois prefiro morrer louca a morrer sem esperança de que esta batalha possa ter fim algum dia.
De toda a luta, sonhos e planos que carregava até aquele momento, pareciam não ter mais valor algum para mim. Sentia vergonha por não ter conseguido encerrar aquele ciclo. De não conseguir enxergar alguma melhora no desempenho daqueles meninos e meninas.
Dia após dia, tentava através das leituras diárias, transportá-los para locais diversos no tempo e no espaço. Da Odisséia de Homero às Fábulas de Esopo. Independentemente do título ou do enredo, de ser prosa ou verso, desejava libertá-los através da leitura. Conduzi-los a novas histórias, mesmo que fossem contos de fadas ou notícias recentemente publicadas nos jornais.
Quando entrei em tua sala apresentando aquele atestado, não tinha coragem de olhar em teus olhos. Entendia aquilo como um fato consumado e que somente o substituiria por outro formulário para atender à solicitação médica.
Sua maneira de receber a notícia fez reacender em mim a possibilidade de questionar o diagnóstico feito pelo médico. Mas não tive forças para levar àquilo adiante. Questionar significaria retornar àquele espaço onde depositei tanta energia. Aceitei o veredicto, mesmo que provisoriamente.
Tuas palavras e atenção fizeram-me entender que não havia perdido a batalha. Mas que precisava aprender com algumas falhas e retomar as conquistas, de forma que soubesse defender-me adequadamente. Abri mão temporariamente de muitas coisas que gostava de fazer. Aprendi a dominar alguns outros receios que escondia debaixo do tapete e também mandar àqueles que não tinham muito a me acrescentar a “plantar bananeira”, “ver se estava na esquina” ou coisas mais pesadas, se assim merecessem.
Retornei ao trabalho ainda muito fragilizada, entretanto, senti que estava com pessoas que me acolheriam com prazer à nova batalha. O sentimento de que estava “em casa” me deu novamente forças para retomar o posto. Considero-me privilegiada por isto. Apesar de ouvir muitos comentários de outros soldados que participaram em algum momento desta infantaria. Não dei ouvidos. Segui em frente e confiei na possibilidade de que um líder, poderia sim, ser arbitrário se “os fins justificassem os meios”.
Sim, eu pertenço a uma infantaria matriarcal. Nada aqui pode ser decidido, se não passar por teu consentimento. Vejo isso como uma qualidade que poucos líderes são capazes de dominar. Mas não te preocupe. Listar qualidades das pessoas - principalmente quando estão em um patamar hierárquico maior que o nosso - não significa ser “puxa saco”.
Faço questão de registrar os pensamentos que possuo e fazer com que os meus objetos de reflexão tenham consciência do quanto sou grata por pertencer a este exército, do quanto me orgulho de pertencer a uma pequena parcela pensante deste grande sistema que nos consome até a morte com falsas promessas.
Acredito nas pequenas e invisíveis mudanças. Acredito que vou para o campo de batalha, mas os únicos inimigos que encontramos são os nossos próprios medos. Àquela massa de meninos e meninas que citei anteriormente, consome nossa energia ao tentar controlá-los permanece, muitas vezes, cega e surda. Das poucas referências que conseguem abstrair, são grandes conquistas para todos nós. Se souberem usá-las em seu favor ou não, só o tempo poderá dizer.
Repito: orgulho-me de pertencer a esta infantaria, mesmo que não possa tabular os resultados propícios. Aprendi que nestas guerras nas quais nos alistamos, ano após ano, que as conquistas serão sólidas se trabalhadas lentamente.
Quanto ao atestado? Os médicos poderão acrescentar mais duas ou três siglas se assim desejarem, pois prefiro morrer louca a morrer sem esperança de que esta batalha possa ter fim algum dia.
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