domingo, 26 de julho de 2015

O que faz um corpo ter alma leve?


Busquei na memória todas as pessoas que me provocam admiração. Percebi que me espanto com a capacidade que todas elas têm de serem leves de espírito: são sorridentes, fazem piada dos próprios erros, mas são firmes nos seus propósitos. Percebo também que estas pessoas têm dentro de si um mapa do tesouro invisível: elas são intensas e persistentes porque sabem onde estão e aonde querem chegar.  

Percebo que, quanto mais limitados os meus desejos, quanto mais imediatos são os meus objetivos, mais pesada eu me torno. De certo, há coisas que precisam ser resolvidas hoje, amanhã ou depois. Daqui um ano, nada disso fará mais sentido. Todavia, viver só de apagar incêndios cansa, desanima, nos habitua a estar sempre numa zona de (des)conforto mal cheirosa e fria.

Nos últimos meses, tenho me dado conta do quanto somos educados para sermos míupes. Em nosso horizonte não cabe mais do que um título universitário, um emprego medíocre (se for em alguma multinacional a gente pode até adotar o nome da empresa como nosso sobrenome), um relacionamento oficializado em cartório/igreja, casa própria e um carro para nos transportar, confortavelmente, nas 2, 3 ou mais horas de congestionamento diários e, claro, muitas selfies enquanto esvaziamos a pressão da rotina saudando a vida de braços abertos diante de um penhasco ou bebendo até cair com amigos tão míupes como nós.

Nossa felicidade é honrada, mês a mês, nas parcelas que pagamos. Se alguma coisa sair do roteiro, está lá, mais uma vez, o engodo, o peso e... a miupia!

Acho que alma leve deve pode ser dotada de lentes de longo alcance ou raios infravermelhos para se enxergar no escuro. Mesmo que eu admire tanto estas pessoas, nunca as vi portando esse tipo de artefato. Talvez eu esteja atribuindo a elas superpoderes, pois a minha miupia parece não entender que as coisas podem ser mais simples que isso: o que não podemos enxergar, a mente e o coração podem imaginar e o resto do corpo, leve, caminha na direção ao que se quer.

Se for realmente isso, alma leve é igual a saber e agir em favor do que queremos. Para saber se minha teoria está correta, serei cobaia de mim mesma.

Meu desejo de retirar o "fardo da reatividade" do meu corpo é muito maior do que o medo de caminhar no escuro. Resta-me confiar nos outros sentidos.

A partir de hoje, desejarei "LEVEZA!" a todos que quero bem.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dor de dente e o fantasma de estimação

Noite passada embebedei-me com vinho na esperança de engolir pensamentos. Acordei depois de um pesadelo e uma terrível dor de dente está me acompanhando desde então.

Cancelei a agenda para a segunda-feira e, enquanto não encontrar um dentista que não vá me assaltar antes mesmo de abrir a minha boca, voltarei a escrever.

Não sei se tem mais gente aí conectada ao meu blog. Mas adoraria saber se alguém poderá voltar a (me) ler.

domingo, 26 de janeiro de 2014

Felicidade é só distração?

Percebo-me infeliz quando o coração parece dobrar o seu tamanho, bater preguiçosamente e me impedir de respirar. Sinto um gosto amargo que põe à prova até as colheradas de leite condensado ingeridas naquele momento em que se abre a geladeira para não pensar em nada. Procuro em vão por coisas que possam me distrair desse estado de letargia. Exijo do corpo e da mente que deixe de lado todos os fracassos boiando à superfície. Preciso de algo, preciso tapar esse buraco, preciso encontrar essa tal ferramenta, esse tesouro secreto dentro de mim; ser autossuficiente. Não posso me distrair fingindo a superficialidade do encontro com um velho amigo, na compra de um vestido novo, de um prato suculento ou filme na TV. Dói tudo! Sinto vergonha de eleger um ombro amigo para me ouvir, nem acho que a minha terapeuta (que é paga para isso) mereça me ouvir dessa forma. Quero me distrair, encontrar dentro de mim emoções positivas que me façam sair deste dia escuro. Não quero ajuda externa, quero ser a minha ajuda, a minha companhia e verdadeira força, mas não sei onde, nem como. Os dois últimos dias foram de isolamento. Com precisos quinze minutos de distração ao ouvir tua voz ao telefone sobre as realizações que se propõe com toda a satisfação dos destemidos. Bebo de tuas palavras e pergunto-me sobre a abundância de recursos no meu entorno. Até mesmo na tua idealizada presença. Eu não desisti. Insisto em vasculhar numa caixa ilusória todos os meus objetos de desejo, satisfação. Nada alí me apetece, nenhuma dança ou sandália gasta de tanto dançar, nenhum livro ou o luxo de me recolher nos braços de alguém para uma tarde de luxúria. Tudo opaco, tudo sem gosto, sem vida. Nada disso me trás à superfície. Penso que é hora de buscar novos recursos. Onde? Quero a leveza da distração, o encantamento do encontro, manter viva a "nossa celulose"... No entanto, é certo que sem antes me enxergar viva e realizada, ninguém fará isso por mim.

domingo, 6 de outubro de 2013

Ruço ou cerração...

Acordar cedo sempre foi uma dificuldade para mim. Mas existem alguns "cedos" que me proporcionam uma sensação delicada, um "gosto de ar" na boca. Quando criança, me ensinaram que isso tinha nome e se chamava "cerração" e, em seguida, completavam a análise da seguinte forma "isto é sinal de que o dia vai melhorar!".

Atualmente, não consigo conceber meus dias, minha rotina com horários pré-definidos para começar ou terminar. Sinto-me uma rebelde sem causa alguma. Uma busca de não-rotina aparentemente perdida, ofuscada...

Nenhuma crença parece motivar a minha saída da cama antes das 8h da manhã, mas saber que estou perdendo, por vezes o "ruço"(outro nome que os antigos usavam e que aprendi hoje), detectou dentro de mim a sensação de que não desisti da ideia de que os dias podem ficar melhores.

Enquanto puder dirigir à noite, nesta estrada fechada pela neblina, seguindo apenas a sinalização da estrada, faróis baixos, quero acreditar que posso ter energia de sobra para viver, plenamente, os dias brilhantes que se seguem após a invisibilidade, a minha invisibilidade.