domingo, 26 de janeiro de 2014

Felicidade é só distração?

Percebo-me infeliz quando o coração parece dobrar o seu tamanho, bater preguiçosamente e me impedir de respirar. Sinto um gosto amargo que põe à prova até as colheradas de leite condensado ingeridas naquele momento em que se abre a geladeira para não pensar em nada. Procuro em vão por coisas que possam me distrair desse estado de letargia. Exijo do corpo e da mente que deixe de lado todos os fracassos boiando à superfície. Preciso de algo, preciso tapar esse buraco, preciso encontrar essa tal ferramenta, esse tesouro secreto dentro de mim; ser autossuficiente. Não posso me distrair fingindo a superficialidade do encontro com um velho amigo, na compra de um vestido novo, de um prato suculento ou filme na TV. Dói tudo! Sinto vergonha de eleger um ombro amigo para me ouvir, nem acho que a minha terapeuta (que é paga para isso) mereça me ouvir dessa forma. Quero me distrair, encontrar dentro de mim emoções positivas que me façam sair deste dia escuro. Não quero ajuda externa, quero ser a minha ajuda, a minha companhia e verdadeira força, mas não sei onde, nem como. Os dois últimos dias foram de isolamento. Com precisos quinze minutos de distração ao ouvir tua voz ao telefone sobre as realizações que se propõe com toda a satisfação dos destemidos. Bebo de tuas palavras e pergunto-me sobre a abundância de recursos no meu entorno. Até mesmo na tua idealizada presença. Eu não desisti. Insisto em vasculhar numa caixa ilusória todos os meus objetos de desejo, satisfação. Nada alí me apetece, nenhuma dança ou sandália gasta de tanto dançar, nenhum livro ou o luxo de me recolher nos braços de alguém para uma tarde de luxúria. Tudo opaco, tudo sem gosto, sem vida. Nada disso me trás à superfície. Penso que é hora de buscar novos recursos. Onde? Quero a leveza da distração, o encantamento do encontro, manter viva a "nossa celulose"... No entanto, é certo que sem antes me enxergar viva e realizada, ninguém fará isso por mim.

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