domingo, 27 de novembro de 2011

Quero Bossa Nova!

Tentei, juro que tentei aquele exercício piegas de meditação publicado em algum site de exoterismo. Lá dizia que devia "aquietar minha alma", "sentir minha respiração", "coordenar os músculos do abdômen e tórax". Em seguida, deveria ouvir os meus sentimentos.

BA-LE-LA!!!

Eu aqui esperando que cada um dos meus sentimentos viesse com seu banquinho e tocasse uma canção de forma organizada, mas não foi bem assim. Recebi uma avalanche! Um turbilhão de sentimentos tocando uma nota diferente, uma melodia, um instrumento mais desafinado que o outro. Todos pulsavam e desejavam executar o seu solo!

Fiquei ainda mais confusa que antes. Não conseguia ouvir nada, me perdi de mim... Já não sabia mais o que sentia. Era uma nota qualquer... O mais puro ruído amplificado!

Se me permitem a ironia, gostaria de registrar aqui o meu desejo de ter todo esse talento também para compor canções de verdade. Talvez se conseguisse por ordem nisso, alguém poderia entender. Se eu entendesse já seria um bom começo.

Esperava uma Bossa Nova em minha meditação e o que eclodiu foi uma big band desarranjada. Onde está o regente? Quem vem organizar essa bagunça? Se ainda pudesse trancar cada um deles num estúdio para gravar as vozes separadas e ouví-las separadamente, ajudaria muito.

Quero me trancar num quarto escuro, vou começar uma nova meditação, se eu sumir por mais de uma semana, por favor, alimentem minhas tartarugas...

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Donjuanismo

Nenhum coração é incólume.
Se as frestas que você enxerga no meu
despertaram-te o desejo pela conquista
E se o trabalho de escavar esta aparente rocha
lhe parece demasiadamente emocionante,
Antes me permitir a tal jogo,
responda-me à uma questão somente:
"O que fará quando o objetivo for alcançado?"

sábado, 8 de outubro de 2011

Você: espelho

Descobri que nunca soube falar de você. É só revisar a quantidade de textos que comecei a escrever e jamais consegui encerrar nenhum deles.

Sustento algumas teorias sobre isso; uma delas está baseada nesse medo indescritível de expor todos os nossos erros... Ainda não sei o que fazer com eles. Quer dizer, eu sei: quero começar outra vez e acertar o passo. Que seja somente minhas cartas e eu. Já será um bom recomeço.

Descobri que pessoas como você deixam marcas profundas nos corações que permitem sua entrada. Tentei fugir para me proteger, mas fiquei porque sou viciada nessa dor ilusória das paixões sem destino. O erro foi meu, não seu.

Descobri que no lugar dos culpados, deve existir o perdão. O tiro saiu pela culatra, não deveria passar de encantamento. Somos responsáveis pelas consequências dos nossos atos, sendo eles positivos ou não. 

Descobri que nunca te contei sobre um monstro que vive embaixo da minha cama. Ele se chama Abandono. Nasceu quando era muito pequena e mantemos uma relação bem delicada. Preciso consultar semanalmente um especialista para que eu possa me aproximar deste bicho horroroso. Sei que esta relação é um tanto complexa, mas fico feliz em entender o que me causa tanto pavor. Para falar a verdade, sonho com o dia em que possamos nos entender e ele procurar outro lugar pra viver. Já tenho até um nome para o que deverá substituí-lo: Acolhimento.

Descobri que, se não fosse por você, jamais teria buscado ajuda para expulsar este monstro, não saberia o caminho do auto-perdão, não entenderia o por que de tantas mágoas e também de não conseguir falar de você, pois não passa de uma projeção do que sou...

Você é uma outra história que (ainda) desejo muito conhecer.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Consentimento

Você aí de costas!
Mais uma vez concordaste comigo.
Consente: sente junto.
Fico feliz por isto.
Sofremos sozinhos as dores que
nem juntos deixaríamos de sentir.
Concordamos!
Estamos sós e ninguém mais
precisa saber como são
os demônios que pintamos
dentro d'alma.