sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Antes de passar

 Foto: Fábio Stachi

- Confesso que tenho me preocupado ultimamente com você. Sabemos de nossa situação e você, principalmente, da minha. Não tenho nada a oferecer, não sou neste momento a pessoa mais indicada para te satisfazer, muito menos te acompanhar. Sinto dizer isso, sinto em não corresponder. E você é preciosa demais em minha vida para fazer-te sofrer. Fique atenta, proteja-se... não sofra por mim.


 A garota abriu um largo sorriso. Suspirou, olhou algum tempo para aquele jardim de inverno, desejou saltitar sobre algumas pedras colocadas cuidadosamente como em um caminho sinuoso. Pediu para que o moço encanado sentasse confortavelmente no sofá, estendesse seus braços, tirasse os sapatos e fechasse os olhos. Ele o fez, mesmo achando aquilo tudo muito patético. A garota se aproximou do teu rosto, deu-lhe um beijo na testa, correu a ponta de seu dedo indicador em toda a face dele. Sentiu vontade de chorar, talvez esta fosse a última vez que pudesse tateá-la. Voltou seu olhar para as mãos repousadas sobre os joelhos e, finalmente, descreveu sem medo o que sentia naquele exato momento:


- Não tenha medo do que eu venha sentir ou sofrer. Tudo o que fiz até agora foram somente escolhas. Escolhi sentir e ler, com minhas mãos, a tua pele e pude enxergar tudo o que um dia esqueci de ser: sensível, terna, amável... sonhadora! Não chamo isso de amor ou qualquer coisa do gênero. Carrego comigo a sensação do reencontro. Estar aqui, diante dos teus olhos é um simultâneo reencontro - comigo e contigo. É um caminhar descalço sobre a grama ainda úmida pelo orvalho. É sentar-se na beira de um lago cristalino e me embreagar de paz. É poder tirar o sapato apertado depois de uma festa e deixar os pés em água morna por alguns minutos. Tocar teu corpo, ouvir o som de tua voz, rir de tuas piadas bobas... Finalmente compreendi! Estou digerindo, vivendo e me permitindo ser feliz enquanto estou aqui. Quando passar daquela porta, não sei.
 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Tudo aqui é ruína, menos eu


Dá-me novas inspirações
E voltarei a receber visitas
Tudo aqui é ruína, menos eu.

sábado, 8 de janeiro de 2011

Embora distante...

Foto: Emme

Pareço-me perdida? É apenas um disfarce.
Ainda sonho com o dia em que não precisarei
mais esconder de mim mesma todos os sonhos que, 
 indiretamente, fazem-me caminhar. 
Passos curtos, lentos, descalços, mas sempre na mesma direção.
Distância é algo muito relativo quando se tem, dentro de si, o mundo inteiro.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Goiabada com queijo

Iniciei e interrompi a escrita deste texto muitas vezes, não conseguia expor ou sequer entender o que acontecia aqui dentro. Era a sensação da palavra engasgada, mas que deveria passar por um tempo curando. Isso mesmo, curando!

Receita de desamor deve ser igual ao de goiabada: mete-se num grande tacho todos os sentimentos cuidadosamente selecionados, os pedaços do que sobrou do seu coração, uma grande porção de açúcar e muitos litros de vida água.

Paciência e atenção são necessárias durante todo o tempo de preparo. Os segredos são a temperatura branda  movimento contínuo - mexa sempre de forma que os ingredientes se dissolvam, se misturem e certifique-se de que não queime ou se formem crostas. Depois disso, vem a parte "mágica" da coisa: despejar o conteúdo denso num recipiente de formato e tamanho que desejar para esfriar. Eu escolhi, desta vez, dividir a receita em duas partes; a parte maior será reservada e a outra será dividida, mais uma vez, em pequenas porções (de modo que eu possa embrulhar em papel de bala e carregar comigo na bolsa).

Doses diárias de doçura, desafio e amor pela vida e, se por ventura, alguém desejar uma porção maior deste doce que preparei com tamanho carinho, façamos um acordo! Esta pessoa terá de trazer uma boa porção de queijo para acompanhar a goiabada.